A casa imperfeita: uma história sobre a negligência

· março 13, 2019
A história da casa imperfeita nos ensina que, em cada ação, deixamos a nossa marca pessoal. Por outro lado, nos lembra que, se fizermos um bom trabalho, o futuro geralmente guardará um momento para nos compensar.

A história da casa imperfeita conta que antigamente existia um homem de renda modesta que tinha esperança; isto é, ele imaginava um futuro melhor. O bom homem realizava qualquer atividade, por mais difícil que fosse. Ele trabalhava com disciplina e pouco descanso. Ele só queria ter uma renda maior e uma vida confortável para a sua família. É assim que esta história sobre a negligência começa.

Os empregos que esse homem conseguia eram, em geral, muito mal pagos. Além disso, eram todos temporários. Então, durante um mês tinha trabalho, mas depois passava dois ou três meses sem nada para fazer. Portanto, as situações predominantes em sua família eram a escassez e as dificuldades econômicas.

De acordo com esta história sobre a negligência, a esposa do homem reclamava todos os dias pela situação vivida. Ela sempre censurava o marido por não conseguir renda suficiente para sustentar a casa. Eles não tinham quase nada para comer e nunca podiam comprar roupas ou outros bens essenciais. O bom homem da nossa história vivia triste e angustiado.

“Há muita diferença entre viver com simplicidade e viver com negligência”.
– Sêneca –

Uma oportunidade para a melhoria

De acordo com a história, chegou ao local um grande homem de negócios que abriu uma grande fábrica de móveis. Ele precisava de muitos funcionários e o homem da nossa história foi o primeiro a concorrer a um dos cargos. Ele esperava que finalmente a vida fosse justa e recompensasse o seu esforço.

Embora o homem tivesse pouco conhecimento, o empreiteiro viu que ele era uma pessoa decente, disposta a trabalhar e se esforçar. Por isso, ele decidiu chamá-lo para fazer parte da empresa, com um salário melhor do que o de seus empregos anteriores.

O homem da história sobre a negligência estava tão feliz que não ‘cabia em si mesmo’. A sua esposa também estava feliz e, desde então, começou uma nova etapa para eles. Agora havia sempre comida na despensa e as crianças podiam estudar sem passar tantas necessidades.

Idosos se abraçando

Uma mudança inesperada

O homem da nossa história procurava realizar o seu trabalho da maneira mais perfeita possível. Então, ele logo deixou de ser assistente para ocupar o cargo de carpinteiro principal. De fato, na sua casa havia abundância e com ela vinha o desperdício. A família já não comprava somente o que era necessário, mas também adquiriram móveis suntuosos que definitivamente não combinavam com a sua humilde casa.

No entanto, a história sobre a negligência diz que um dia o grande empresário notou que o seu negócio não lhe dava todos os lucros esperados. Então, ele decidiu fechar a fábrica e começar outro negócio em outro lugar. E foi assim que aconteceu. A família da nossa história voltou ao estágio de contar cada centavo que gastava. Apesar de tudo, desta vez o bom homem logo conseguiu um novo emprego. Ele seria um pedreiro em uma construtora, onde ganharia um salário modesto.

Mas a esposa e os filhos, que já estavam acostumados com uma vida melhor, culparam o homem. Eles já estavam acostumados a uma vida mais confortável e não queriam menos. Então, o homem foi falar com o seu chefe e pediu um aumento de salário. Ele lhe explicou que era impossível, mas que se trabalhasse duro e com disciplina, aumentaria a probabilidade de que aumentasse o seu salário.

Uma história sobre a negligência

O desfecho da história sobre a negligência

O bom homem contou a sua família o que ele havia conversado com o seu chefe e eles ficaram chateados. Eles o lembraram que na fábrica de móveis ele havia trabalhado com esmero e no final só conseguiu que o demitissem. Ele deveria aprender com essa experiência e dar o mínimo possível nesse novo emprego. A qualquer momento eles o demitiriam do trabalho novamente.

No início, o homem da nossa história ignorou o que eles disseram. No entanto, com o tempo, essas palavras começaram a pesar sobre ele. Era verdade, qual era o sentido de se empenhar tanto se no final a retribuição seria a mesma de sempre? A partir desse momento, ele começou a diminuir o seu nível de esforço. Ele fazia as casas usando os piores materiais e construindo sem atenção aos detalhes.

Então ele trabalhou por muitos anos, até a hora da sua aposentadoria. Ele anunciou ao seu chefe que iria se aposentar, mas ele lhe pediu que fizesse uma última casa. Com relutância e sem interesse, ele construiu a última casa, pensando apenas no momento em que não precisaria mais trabalhar. Quando ele terminou, o seu chefe foi verificar a construção e, finalmente, lhe entregou as chaves: “esta é a sua casa”, disse ele.

  • Díaz, G. (1987). Cómo tirar la casa por la ventana, de la desidia. Chile Vive: memoria activa, 34-37.