Tenho um caso de saúde mental na família… e agora?

· outubro 2, 2017

O que fazer diante de um caso de saúde mental na família?

A espécie humana sempre temeu as doenças mentais ao longo da história e, em muitos casos, isso aconteceu porque elas não eram compreendidas. A busca por explicações (paranormais, científicas ou religiosas), pesquisar tratamentos, melhorar a vida das pessoas que são vítimas de algum problema de saúde mental… Essa é a história da sobrevivência adaptada à nossa espécie desde que se começou a falar em doenças.

No campo da saúde mental, em transtornos graves ou crônicos, há uma sensibilidade especial devido à punição que representa o estigma associado a esses problemas. Com o fechamento de instituições desatualizadas, esse tipo de patologia passou a ser conhecida no dia a dia. A inércia atual é encaminhar para a reabilitação (quando a cura não é possível). A dificuldade maior é para as famílias que possuem filhos, pais, tios ou irmãos com problemas que fogem da sua compreensão e do seu entendimento.

“A dor mental é menos dramática que a dor física, mas é mais comum e também mais difícil de suportar.”
-C. S. Lewis-

O primeiro impacto ao descobrir um caso de saúde mental na família

A família é a primeira que começa a sofrer e se preocupar. Normalmente, também é a primeira a se dar conta de que há alguma coisa “que não está funcionando bem”. Nosso parente passa por alterações de comportamento, de emoções e de pensamento.

Normalmente, o começo é bem complicado. Envolve confusão, o não entendimento, as mudanças de diagnóstico, as idas e vindas das consultas médicas e até mesmo a negação parcial da situação. Nós vemos nosso filho, irmão ou pai sofrer ou se comportar de formas que nunca teríamos imaginado. E sobretudo, somos testemunhas de como a vida dessa pessoa vai se desfazendo aos poucos. A pessoa é a mesma, mas ao mesmo tempo não é.

Mulher triste por caso de saúde mental na família

Segundo a OMS, a saúde mental se refere à “forma de se relacionar com pessoas na família, no trabalho, no tempo livre e na comunidade em geral”. Quando nosso ente querido altera esse equilíbrio, nós sofremos, negamos, questionamos, nos culpamos e buscamos mil alternativas.

Em determinado momento, é comum sentir raiva, rancor e frustração. A família é a coluna vertebral de uma pessoa com esse tipo de problema. O apoio, a compreensão, a tranquilidade e o equilíbrio são fundamentais.

“A saúde mental exige grande quantidade de atenção. É um grande tabu que precisa ser encarado e resolvido.”
-Adam Ant-

Por trás de cada pessoa, há uma história familiar. Uma história estruturada em fases de adaptação conhecidas, nas quais todos esses pensamentos e essas emoções são reunidas. Falamos da fase de alerta, da fase de resistência e da fase do esgotamento. Em função de onde estivermos, vamos receber uma orientação ou outra para assimilar o que acontece. Portanto, os estudos na área servem para guiar e aplicar as melhores formas de lidar com um caso de saúde mental na família.

Enfrentar o problema é a solução mais adaptativa

Peças de quebra-cabeça

Depois de todo o turbilhão anterior, no qual a família, o ente querido e as amizades estão desequilibradas, costuma-se chegar ao diagnóstico definitivo do problema de saúde mental e ao momento de enfrentar serenamente a mudança.

  • Apoio profissional: no processo de diagnóstico do nosso familiar, conheceremos vários profissionais da saúde. É essencial se comunicar com essas pessoas e tirar suas dúvidas.
  • Manter as orientações: se nosso familiar melhora, ele fica motivado a continuar com o processo. Não o deixe perder a motivação para controlar a doença. Nós sempre encontraremos um profissional que possa nos tranquilizar e ao qual poderemos recorrer em caso de necessidade ou dúvida. O caminho é longo, mas não podemos perder as forças.
  • Mudar o discurso: se interiorizamos que nosso ente querido “não é um doente”, mas sim que “tem uma doença” ou um problema de saúde mental, podemos subestimar a imagem associada que temos em relação a determinados problemas. Talvez assim deixaremos de ver a pessoa como a sintomatologia da qual sofre e poderemos nos focar na pessoa que conhecemos.

 “Senso comum: uma espécie de saúde contagiosa.”
-Alberto Moravia-

Tranquilidade, a base da recuperação

A família é um elemento fundamental para a estabilidade e a recuperação. Manter um ambiente tranquilo em casa e no meio familiar vai contribuir diretamente com o sucesso do tratamento/ terapia. A motivação e a luta contra a desesperança e o abatimento ganham forças com o equilíbrio emocional do lar. A necessidade de desabafar é normal. O ideal é não despejar toda essa emoção na família e canalizar todas as emoções primárias e secundárias que possam aparecer.

Apoio da família diante de caso de saúde mental

Apesar das dificuldades, nunca devemos nos esquecer de que muitas pessoas que têm algum problema de saúde mental podem funcionar de maneira autônoma, trabalhar, manter um círculo de amizades e fazer parte de um grupo familiar. Se você descobriu um caso de saúde mental na família, não desanime! Conhecendo a doença, seus processos e mantendo o tratamento adequado e ajustado, é muito possível restaurar uma parte da normalidade, dependendo do problema, é claro.

“As emoções não expressadas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de forma pior mais tarde.”
-Sigmund Freud-