Cicatrizes que nos lembram da coisa mais bela da vida: os filhos

Existem cicatrizes que nos lembram da coisa mais bela da vida: os filhos

julho 9, 2016 em Psicologia 1 Compartilhados
As cicatrizes da gestação e do parto

A maior parte das mulheres que se transformam em mães ficam com marcas, estrias, pele flácida e cicatrizes. Normalmente a mídia esconde essa realidade, ensinando às mulheres que é uma coisa que não se deve mostrar e da qual devem ficar envergonhadas.

Mas a verdade é que estas cicatrizes são tudo. São marcas que lembram os belos momentos e os grandes começos, como a cicatriz no ventre de uma mãe que deu à luz seu filho por meio de uma cesárea ou que, simplesmente, deu à luz e seu corpo já não voltou a ser o mesmo.

Talvez uma mãe não se sinta bem esteticamente por causa da sua cicatriz, mas emocionalmente é uma das experiências mais maravilhosas que existem. Por quê? Simples, porque essa cicatriz a transformou em mãe e ser mãe é como ter um coração fora do peito. Uma coisa extraordinária.

Devemos destacar que às vezes ser mãe também pode provocar uma dor que convive com a alegria. Falamos da depressão pós-parto, um estado de tristeza, apatia e irritabilidade que mais de 80% das mulheres vivem nas duas semanas posteriores ao parto.

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As feridas das quais uma mãe precisa se curar

Uma mãe também é presa da sociedade, do seu corpo e das suas expectativas. A isto se somam alguns meses de descontrole hormonal, físico e emocional que provocam escuridão em momentos de luz. A chegada da maternidade é complicada e muitas vezes nos torna vulneráveis. Por quê? Entre outras razões, uma principal é que o cérebro reage exageradamente ao estresse e o hormônio que o causa: o cortisol.

Esta substância durante a gravidez exerce as funções de proteção e de vigilância, mas uma vez que o bebê já está em seus braços, pode fazer que a mãe se sinta nervosa, preocupada e reativa.

A sua mente demanda um equilíbrio que não consegue alcançar, de modo que normalmente esta etapa é muito desgastante, não apenas porque o cérebro está acelerado e nublado, mas também porque geralmente existe uma grande incompreensão tanto própria quanto alheia.

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Sentir-se mal por causa da perda do corpo antigo, pelo descontrole vital e pela reestruturação de papéis, prioridades e expectativas não torna uma mulher uma mãe ruim. É importante reforçar isto porque normalmente estes sentimentos são acompanhados de um enorme sentimento de culpa.

Este é um duro processo que requer um grande apoio social e emocional. Normalmente o próprio corpo faz o resto, equilibrando seus níveis hormonais e recuperando a mulher do seu estado ruim. Se este persistir, o que é normal em 10 a 15% dos casos, será necessário consultar um especialista.

Quando o amor da sua vida a chama de mamãe

É provável que o parto deixe na mulher uma ferida física, mas também lhe oferece o maior presente que poderia receber: um filho. A partir de então, o cérebro da mulher se divide para pensar por dois, sentir por dois e amar incondicional e infinitamente ao outro ser.

Esse instante preciso fará parte da mais linda lembrança, uma marca que na retina não será uma cicatriz indesejada, e sim o reflexo de imensos sentimentos.
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Por isso dizemos que nem todas as cicatrizes guardam lembranças ruins; e sim justamente o oposto. Porque as cicatrizes de ser mãe não são dolorosas em si mesmas através da lembrança, mas criam uma identidade maravilhosa.

Assim, com o passar dos anos uma mulher chega a estabelecer uma grande sintonia através da sua cicatriz, um vínculo forte com a sua faceta materna que a envolve em uma estranha, mas sensível e única emoção. As cicatrizes das mães sempre serão lembranças de sentimentos iniciais confusos, sim, mas também da melhor iniciação ao mais puro amor que existe: o amor de mãe.

Nota ao leitor: As fotografias que ilustram este artigo são de autoria de Jade Beall, fotógrafa e mamãe que promove a aceitação do corpo feminino de uma forma excepcional.

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