Os ciúmes não nascem do que vemos, mas do que imaginamos

Os ciúmes não nascem do que vemos, mas do que imaginamos

Abril 2, 2017 em Psicologia 1567 Compartilhados
Os ciúmes não nascem do que vemos, mas do que imaginamos

Poucas pessoas assumem que são ciumentas, embora muitas sintam ciúmes. A falta deste reconhecimento ocorre por este atributo ser indesejado socialmente. Então, no inconsciente coletivo parece existir uma ideia evidente: os ciúmes não trazem nada de bom para ninguém, nem para a pessoa que sente, nem para a pessoa que os motiva.

Por outro lado, os ciúmes estão inevitavelmente ligados ao conceito de propriedade. Não é à toa que o temor de perder alguma coisa só aparece quando existe uma possessão ou a esperança de tal possessão. Contudo, se ficássemos por aqui – por mais lógico que pareça – teríamos uma visão muito reduzida deste sentimento e do seu poder motivador.

No inconsciente coletivo parece existir uma ideia evidente: os ciúmes não trazem nada de bom para ninguém, nem para a pessoa que sente, nem para a pessoa que os motiva.
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As pessoas ciumentas

Embora os ciúmes não sejam apenas nutridos por pessoas medíocres, acontece que a maioria das pessoas que os cultivam pensam que são. Esta percepção as leva a se fazerem perguntas com as quais se apunhalam o tempo todo, “Por que ele está comigo, se eu não mereço alguém tão bom?”, “Quanto vai demorar para passar essa alucinação que se chama amor?”

Perguntas que escondem uma sensação de insignificância muito amarga para quem as faz, porque nelas está uma resistência à entrega, a amar de verdade. Esta resistência é consequência das dúvidas: “para que vou me entregar a um relacionamento que logo vai terminar?”

Com isto, não temos a intenção de justificar o ciumento, mas de propor que este não é um aspecto isolado da sua personalidade, e sim algo que está ligado com o resto das peças do quebra-cabeças que fazem a sua personalidade. Então, analisar os ciúmes ou uma pessoa ciumenta de forma isolada é analisar a ferida omitindo as causas que a provocaram ou que a mantêm aberta.

Por outro lado, também queremos ressaltar uma coisa para ajudá-lo. Uma pessoa ciumenta realmente tem maus momentos. Realmente tem medo, não é um medo fingido, por mais que o resto das pessoas pensem que não tem fundamento. Inclusive racionalmente a pessoa ciumenta pode ter momentos de lucidez e entender que seus sentimentos e comportamentos são absurdos. Uma coisa que não fará com que se sinta melhor, e que inclusive aumentará o seu sentimento de insignificância.

Desta forma, fecha-se o círculo que se retroalimenta e provoca a escalada.

Os ciúmes nascem do que imaginamos

Às vezes temos a sensação de que gostamos de passar maus bocados. Confiamos em nosso parceiro, mas se vemos o seu telefone perdido pela casa e a pessoa se foi, pode aparecer a tentação de nos aproximarmos para olhar. Não se trata de uma suspeita, mas sim de uma comprovação, como a que fazemos quando saímos de casa e voltamos para ver se alguma luz ficou acessa.

Então vemos uma mensagem que diz “um abraço”, “tudo de bom”. As palavras de alguém que não conhecemos. Um “beijo” (Mas… um beijo, “como? quando? onde?”). Um agradecimento carinhoso, e começam as perguntas e o desgosto. Ficamos numa encruzilhada difícil. Por um lado sabemos que não podemos confessar o fato de termos olhado o seu telefone.

“Amor, estive rastreando no seu telefone para comprovar que não tenho motivos para estar com ciúmes”
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Alguém diz isso?

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Sim, as pessoas que se acham com todo o direito de fazê-lo e que sentem esse direito reconhecido pelo outro. É muito comum, por exemplo, que depois de uma traição a pessoa infiel aceite estes comportamentos do outro. Entende que é uma forma de lhe dar segurança de que não acontecerá novamente, e concede essa espionagem como preço para continuar com o relacionamento. Isto é, entre os dois colocam uma bomba que acabará explodindo.

Nossa espiã, que pensa que “antes morrer do que confessar”, terá que começar a engolir certas dúvidas. Dúvidas que não têm a ver com o beijo ou com o abraço, com o que viu, mas sim com o que imagina que possa existir por trás. A partir de agora já não irá ao telefone para comprovar, mas sim para confirmar os piores temores. Eu não disse que parece que gostamos de sofrer?

Os motivos de uma pessoa ciumenta

Com isto queremos dizer que uma pessoa ciumenta sempre encontrará motivos para ser ciumenta, porque todos temos fios nas nossas vidas a partir dos quais uma mente esforçada pode inventar uma história cheia de amantes clandestinos. Histórias que na maioria das vezes a pessoa que cria não percebe que está engolindo veneno. Desta forma tão trágica, e também representada em algumas comedias teatrais, é fácil que acabe prisioneira de suas próprias suspeitas.

Por outro lado, a linha que separa os ciúmes fundados dos infundados é tênue. Ninguém quer ser o último a saber que o seu companheiro tem uma “querida” ou um “querido”, porque pode estar em jogo todo um projeto de vida. Além disso, sobre o papel pode ser muito fácil dizer que se o relacionamento tem que acabar, acabará do mesmo jeito, exista ou não uma terceira pessoa. Mas, como dissemos no início, isto é intelectualizar demais um sentimento que é mais complexo e tem uma força mais poderosa.

Então, se alguém esperava uma conclusão fácil para este artigo, temo que terá uma decepção. Os ciúmes e os comportamentos dos quais nascem e que os mantêm são uma decisão pessoal, mas é bom que cada um seja consciente de onde coloca seus pensamentos e suas emoções quando empreende determinadas condutas. Seja qual for o caso, pense que os ciúmes têm mais a ver com o que imaginamos do que com a informação que realmente temos.

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