Como enfrentar as mudanças

Como enfrentar as mudanças? Que estratégias podem nos ajudar a gerenciá-las? Deixaremos 4 ideias-chave seguindo as sugestões de alguns especialistas reconhecidos.
Como enfrentar as mudanças

Última atualização: 06 Dezembro, 2020

Como enfrentar as mudanças? Existe uma solução simples? Quais ferramentas podem ser úteis para fazer isso? Especialistas de diferentes áreas (psicologia, coaching, negócios…) têm dado a sua opinião sobre este assunto, e procuramos alguns deles para identificar estratégias que possam nos ajudar na gestão da mudança.

Existe uma frase que diz: “A vida é como andar de bicicleta; você deve se mover para não cair”. É isso que a realidade nos mostra todos os dias. Sempre encontramos novas situações que devemos enfrentar, com mudanças que devemos assumir, com perdas que devemos administrar.

Como enfrentar as mudanças?

Seja no local de trabalho, na vida pessoal, acadêmica… as mudanças acontecem (embora o seu grau de importância possa ser muito diferente) quase que diariamente. Aprender a gerenciá-las pode nos ajudar a crescer como pessoas.

Porém, nem sempre é fácil nos adaptarmos às novas situações que a vida nos oferece (principalmente as inesperadas). Como fazer isso? Vamos mostrar 4 ideias-chave que poderão nos ajudar nessa tarefa.

Mulher preocupada com mudanças de vida

Trabalhe a aceitação

A vida é cheia de experiências pelas quais passaremos, mas também de obstáculos que enfrentaremos. As mudanças, por exemplo, podem representar uma ameaça real à nossa estabilidade. Assim, embora uma etapa de mudanças não deva ser negativa (pelo contrário, pode ser uma oportunidade), a verdade é que, às vezes, as mudanças incluem situações desagradáveis ​​ou incômodas, bem como uma reorganização da nova realidade.

Portanto, trabalhar a aceitação pode nos beneficiar no enfrentamento das mudanças. O que isso significa? Basicamente, que devemos nos adaptar à nova realidade a cada dia, assumindo as perdas quando elas chegam e tendo a consciência de que só existe o momento presente.

César Piqueras, coach executivo e escritor, também fala sobre a importância da aceitação diante das mudanças. Como ele mesmo afirma: “Quando aceitamos, estamos escolhendo o caminho da sabedoria. Não há mais reclamação, não há mais raiva, há apenas aceitação”. Além disso, na aceitação, não há energia inibida ou resignação; há um acolhimento do que está por vir, da mudança.

“Aceitar é uma forma de dizer ‘está tudo bem, aceito que seja assim, não vou resistir'”.
– César Piqueras –

Olhe para a frente

O psicoterapeuta Demián Bucay afirma que, em situações de mudança, é possível que haja um ganho maior do que a perda, embora isso não signifique não sentir dor pelo que deixamos para trás. Sentir dor é normal quando precisamos assumir que uma etapa da nossa vida acabou, por exemplo.

Portanto, olhar para a frente pode nos ajudar a encarar a situação com mais serenidade e consciência. O passado não voltará, mas temos um presente (às vezes, cheio de oportunidades) que nos permitirá construir o nosso futuro.

“O futuro depende do que você faz hoje”.
– Gandhi –

Mude

César Piqueras afirma que existem 4 maneiras de enfrentar as mudanças: 1) Resistir e reclamar; 2) Resignar; 3) Aceitar e 4) Mudar. As mais adaptativas são as duas últimas, e é por isso que vamos nos concentrar nelas (embora a resignação também possa ser adaptativa).

Piqueras sugere que ganhamos mais quando vamos além da reclamação ou da resignação. Nós avançamos quando estamos dispostos a mudar o que não gostamos.

Assim, embora pareça repetitivo, outra forma adaptativa de enfrentar as mudanças é intervir no que consideramos necessário. É verdade que as mudanças às vezes nos deixam pouca margem para modificar o curso dos eventos com a nossa reação, mas isso nem sempre acontece. Vamos nos apoiar nisso (ou se não, também podemos escolher mudar a nossa visão dos eventos ou mudar a nós mesmos).

“Se ocorrer uma mudança, você terá que encontrar maneiras de mudar a si mesmo, para que a mudança seja um elemento positivo”.
– César Piqueras –

Tome consciência

Ignacio Martínez, coach de negócios, destaca a importância de nos conscientizarmos do que pretendemos alcançar com essas mudanças. Caso sejam mudanças que não escolhemos voluntariamente, devemos nos permitir sentir tudo o que a nova situação gera (tristeza, raiva, aborrecimento…), e começar a trabalhar na aceitação quando nos sentirmos prontos para isso.

Ignacio também comenta que pode ser benéfico estar ciente das consequências que a ‘não mudança’ acarretaria, bem como focar nas oportunidades da nova realidade ou do novo contexto. Embora esse enfoque seja no ambiente de negócios, podemos extrapolá-lo para outros tipos de situações.

“O primeiro passo para a mudança é a conscientização. O segundo passo é a aceitação”.
– Nathaniel Branden –

Nervosismo

A importância da flexibilidade e da conscientização

Como podemos perceber, não existe uma maneira única de lidar com as mudanças, e cada pessoa deve encontrar a sua (ou usar uma ou outra dependendo da situação). Além disso, nem todas as mudanças da vida são iguais. Haverá mudanças importantes (por exemplo, casar, emigrar, perder um ente querido…) e outras de menor repercussão (mudar de academia, ter um novo melhor amigo…).

Porém, o que importa é o valor que cada um dá a esse tipo de mudança e como decide enfrentar a nova realidade. Ter as ferramentas necessárias pode nos ajudar neste caminho de vida que exige flexibilidade mental, uma boa dose de conscientização e, sobretudo, compreender que a vida nos permite escrever um novo começo a cada dia.

Giorgio Nardone, psicoterapeuta estratégico, e Paul Watzlawick, psicólogo e filósofo, afirmam o seguinte: toda mudança é um processo, uma arte, um fluxo constante de pensamentos, sentimentos e emoções. Nesse fluir, ganhamos quando apostamos em um olhar flexível, consciente e aberto.

“Em qualquer mudança que ocorra em nossas vidas, estarão envolvidas todas as nossas estruturas internas, apoios, apegos, medos, esperanças, sonhos e decepções”.
– G. Nardone e P. Watzlawick –

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  • Lahey, Benjamin B. (2007). Introducción a la Psicología. 9na. edición. China: McGraw Hill.
  • Neff, K. (2012). Sé amable contigo mismo. El arte de la compasión hacia uno mismo. Madrid: Oniro.