Como lidar com a impaciência em nosso dia a dia?

· outubro 22, 2017

Muitos não sabem como lidar com a impaciência, uma marca na nossa sociedade atual. Existe uma postura ambígua diante do tema.

Enquanto em determinados artigos e documentos é promovida a ideia de uma atitude mais tranquila diante da vida, ao mesmo tempo a sociedade valoriza tudo que lhe permita fazer qualquer coisa com maior velocidade. Chegamos ao absurdo de nos inquietarmos por cinco segundos de demora para nos conectarmos à internet, pra não falar do grau de intolerância que temos quando alguém demora para sair depois que o semáforo estiver verde.

É importante ressaltar que a impaciência é uma conduta aprendida. Embora fisiologicamente existam organismos que reagem com maior dinamismo diante das circunstâncias, isto não os induz à falta de paciência. São a cultura e a educação os fatores que inoculam essa incapacidade de esperar ou tolerar que alguma coisa transcorra lentamente.

“A paciência é a fortaleza do frágil, e a impaciência a fraqueza do forte”.
-Immanuel Kant-

A impaciência está associada com a incapacidade de tolerar a frustração. Não obter o resultado desejado rapidamente, a princípio, não teria por que criar inquietude. Contudo, vemos que por um lado existe uma demanda social de velocidade em tudo que fazemos. Por outro lado, a educação costuma dissociar esforços e resultados. Fomenta-se a ideia de que a gente precisa obter o que deseja, o mais rápido possível, de qualquer jeito.

O imediatismo e a impaciência

A percepção emocional do tempo sofreu grandes mudanças nos últimos tempos. Existe uma verdadeira hipervalorização do presente. Muito se enfatiza a ideia do aqui e agora. Por isso mesmo, a ausência de resultados imediatos costuma se transformar em fonte de angústia e a maioria das pessoas tem dificuldade para lidar com a impaciência. Essa inundação do presente como algo que vai mais depressa do que aquilo que esperamos só nos enche de ansiedade.

 

Casca de ovo quebrada

Os conceitos de médio e longo prazo se tornaram difusos para muitas pessoas. Não se dá muito valor aos processos, e sim aos resultados. Existe uma urgência em tudo, pois se popularizou a ideia de que o tempo se acaba e que não pode ser “perdido”. Então, o tempo ganhou novo significado, como um indicador de competitividade.

Não muito tempo atrás, a demora não tinha uma conotação negativa. Era aceita como um fato natural, especialmente para alguns desempenhos relacionados à criatividade. Entendia-se que existem processos que demandam mais tempo que outros e por isso se permitia que fluíssem sem acelerá-los. Hoje em dia isto é quase impossível. Por isso muitos andam em busca da técnica, do método ou do atalho que os leve rapidamente ao destino que definiram.

A irritação e a impulsividade dos impacientes

A impaciência é a gaveta onde a tensão vai se acumulando gota a gota. O que fica tensionado é a corda que tem em uma de suas extremidades o esforço investido e na outra o resultado esperado. Entre ambos, o que existe é um lapso que muitos querem encurtar ao máximo.

 

Mulher caçando águas-vivas

Por tudo isso, é comum que quem não sabe lidar com a impaciência também permaneça em um estado de irritação constante. Padecem de uma espécie de avareza do tempo. Querem que tudo aconteça rapidamente, mas essa velocidade nunca é suficiente para eles. Se demorarem dois minutos, querem demorar um. E assim sucessivamente. Como não é possível que tudo aconteça imediatamente, cria-se um estado de ira e tensão.

Também é comum que os impacientes ajam de forma impulsiva. A sua obsessão pela rapidez se transforma em uma necessidade de agir com urgência em tudo. É comum que não parem para pensar no que fazer ou no que dizer. Apenas reagem, mesmo que depois precisem se retratar. E ainda por cima, a irritação que há como pano de fundo só ajuda.

Como lidar com a impaciência para superá-la

A impaciência não está nos seus genes, nem na sua constituição como ser humano. Como dissemos anteriormente, trata-se de um padrão de conduta aprendido. Desse ponto de vista, também é possível reeducar as emoções para que correspondam a uma forma de agir mais construtiva. Existem diferentes formas de conseguir isso, mas uma das mais eficazes é simplesmente praticar a paciência.

Gota de orvalho em flor

Trata-se, em primeiro lugar, de incorporar um ritmo subjetivo mais lento e tranquilo, sem entrar em desespero. É bom começar com exercícios de respiração. Cinco minutos ao dia para respirar profundamente e com lentidão. Um gesto tão simples gera tempos diferentes nas batidas do coração, na atividade do cérebro. Desta forma você vai eliminar essa sensação de estar perdendo tempo.

Vale a pena cultivar a paciência porque quanto mais sereno você estiver, mais possibilidades terá de obter um bom resultado. Além disso, poderá programar melhor o seu tempo e ser menos rude nas suas reações emocionais. Inclusive aumentará a valiosa sensação de controle sobre si mesmo evitará fazer para desfazer, dizer para se desmentir, dizer para se arrepender. Procure situações que o obriguem a esperar um pouco. Se o seu caso não for patológico, isso é suficiente para reeducar a espera.