Como um líder deve agir durante a crise do coronavírus? 7 pilares

maio 22, 2020
Não queremos líderes que improvisam, nem líderes narcisistas que se limitam a ver problemas sem propor soluções. Em um contexto como o atual, precisamos de uma liderança competente e eficaz, capaz de antecipar necessidades e, acima de tudo, com muita empatia e humanidade.

É nos momentos difíceis que uma liderança competente, eficaz e, acima de tudo, humana se mostra mais necessária do que nunca. No entanto, devemos admitir: são poucos os líderes que estão preparados para enfrentar semelhante desafio em um cenário como o atual. O desgaste, as críticas e as contradições podem ser enormes. Então, como um líder deve agir durante a crise do coronavírus? Existem algumas estratégias consideradas fundamentais?

A resposta é: sim. Essas habilidades, na verdade, são igualmente úteis para especialistas em segurança da saúde, líderes políticos, gerentes organizacionais, chefes de comunicação e qualquer diretor executivo de uma empresa, seja ela grande ou pequena.

A estratégia principal é não improvisar, não acreditar em ilusões e não seguir comportamentos narcisistas, como alguns que temos visto ultimamente.

Um exemplo. Uma coisa que muitas figuras públicas deveriam deixar de lado é o discurso pronto de que “ninguém poderia ter previsto algo assim” ou “só nos limitamos a seguir o conselho dos especialistas”. Quando um líder segue esse estilo de comunicação, cria mais incerteza e desconfiança na população.

Além disso, também temos testemunhado alguns comportamentos exagerados seguidos por falas como “esse vírus não vai chegar aqui” ou “devemos continuar vivendo uma vida normal para estimular a economia”.

Alexandr Lukashenko, presidente de Belarus, falou para sua população que “é melhor morrer em pé do que de joelhos”. López Obrador, presidente do México, incentivou os mexicanos a saírem para comer em restaurantes. Poderíamos dar dezenas de exemplos desse tipo de má liderança que, como se fosse outra praga, se espalhou pelo mundo nas últimas semanas.

Vamos, portanto, ver quais estratégias deveriam ser colocadas em prática em uma situação como a que estamos vivendo.

Pandemia de coronavírus

7 pilares que explicam como um líder deve agir durante a crise do coronavírus

O contexto atual é um terreno muito fértil para a incerteza, a ansiedade e o medo. Qualquer preocupação é legítima e compreensível. Toda angústia é respeitável. Agora, uma coisa que todo líder deve ter consciência é de que a última coisa que ele deveria fazer é gerar mais confusão.

Para ser um bom líder agora, é preciso saber como atravessar um campo minado. Nem mais, nem menos. É entender que um passo em falso, uma comunicação deficitária ou qualquer erro, por menor que seja, vai provocar terremotos e desequilibrar a situação.

O impacto gerado por esse contratempo pode ser grave. Portanto, é fundamental ter consciência desses pilares que devem guiar a ação de qualquer líder durante a crise do coronavírus.

1. Calma e honestidade

Não importa a gravidade da situação. Não importa que as previsões a curto e longo prazo sejam igualmente negativas. Seja qual for o cenário, um líder deve transmitir calma e ser completamente honesto com a mensagem que transmite. A temperança confere segurança ao ouvinte e, num contexto de angústia, essa atitude é valiosa.

Além disso, poucas coisas são tão importantes quanto a honestidade em todos os momentos. Distorcer dados ou recorrer a mentiras é outra bomba-relógio que, no final, também acaba explodindo.

2. Um líder precisa de uma equipe competente com poderes

Se um líder distribui tarefas para sua equipe realizar, ele mostra maior solvência e confiança. Quando toda a capacidade de tomada de decisão e comunicação recai sobre o próprio líder, temos o exemplo de um comportamento autoritário que também tende à desconfiança e até ao ódio. Essa não é a melhor alternativa.

O bom líder é uma figura entre outras em uma equipe. Esse núcleo deve ser composto por pessoas competentes e essenciais na ação estratégica para enfrentar qualquer problema no contexto atual.

3. A boa comunicação, um fator fundamental

A maneira como um líder deve agir durante a crise do coronavírus inclui necessariamente uma ferramenta principal: a boa comunicação. E vamos deixar claro, nas circunstâncias atuais isso não é fácil. Se esse líder for excessivamente carismático, vai gerar desconfiança. Se for excessivamente frio, vai despertar o medo e levantar suspeitas.

É necessário encontrar um ponto intermediário para despertar o respeito. Essa comunicação não admite floreios, apenas palavras certeiras e claras nas quais não há espaço para dúvidas ou ambiguidades.

Saber dar más notícias e fazer alertas, combinando tudo isso com um sopro de esperança, requer, sem dúvida, habilidades adequadas de inteligência emocional e assertividade.

4. Compaixão e humanidade

A liderança narcisista, autoritária e com exageros não tem espaço em um cenário de pandemia. Também não é útil ter um líder crítico, que gosta de culpar os outros, que só sabe apontar os problemas e erros alheios, conseguindo, com isso, despertar o caos. Não precisamos de líderes desse tipo.

No momento atual, é mais necessária do que nunca uma liderança compassiva, capaz de se conectar com a dor humana, que demonstre sua preocupação com as pessoas, que busque se concentrar nas respostas para os problemas em vez de procurar culpados.

5. Senso de comunidade, abertura e colaboração

Para entender como um líder deve agir durante a crise do coronavírus, um aspecto deve estar claro: toda adversidade precisa de ação. É por isso que uma estratégia fundamental será ativar recursos e pessoas, criar pontes com outras comunidades, com outras regiões e outros países.

Um bom líder deve saber como pedir e como oferecer ajuda. Deve estar aberto e criar redes colaborativas através das quais possam fluir recursos, ideias, informações etc.

6. Efetividade, correções e resoluções

Toda crise exige avanços diários. Se não houver progresso, alguma coisa está errada. Por isso, o líder e sua equipe devem monitorar seus avanços, detectar e solucionar erros, antecipar riscos, inovar e apresentar alternativas todos os dias, a cada segundo.

Trabalho em equipe

7. Antecipar e estar preparado para outras crises

Quem não antecipa, improvisa. Quem não se preparar para o pior não vai conseguir nem sequer reagir aos problemas pequenos. Antecipar, prevenir, elaborar, desenvolver e planejar estratégias de resposta a situações semelhantes no futuro é outra obrigação moral e estratégica de qualquer líder.

Precisamos deixar bem claro: existem muitas maneiras de reagir diante de adversidades como a atual pandemia, mas a maneira como um líder deve agir durante a crise do coronavírus é determinante. Ele não deve deixar nada ao acaso, nem recorrer à improvisação. Agora, mais do que nunca, o que importa é a humanidade, e não a política.