Como podemos ter uma força de vontade de ferro?

Como podemos ter uma força de vontade de ferro?

junho 23, 2017 em Emoções 286 Compartilhados
Como ter uma força de vontade de ferro?

O ideal seria que nunca tivéssemos que usá-la e que pudéssemos nadar por rios sempre a favor da corrente. Geralmente não é uma boa ideia seguir o empenho que algumas pessoas parecem ter: o de encher suas agendas de atividades e compromissos que colocam sua força de vontade à prova. Talvez conseguir superar desafios difíceis nos gere uma grande satisfação, mas também um grande desgaste.

Assim, talvez o primeiro caminho para termos uma força de vontade de ferro seja não abusar dela. Não estar o dia todo carregando peso, e sim tentar que a maior parte de nossas atividades use a gravidade a seu favor. Isso também é inteligência.

Dente de leão representando força de vontade

A vontade e o hábito

A força de vontade se torna menos necessária quando criamos uma inércia. Por inércia se entende na física o movimento que um objeto tem quando o total de forças sobre ele é zero. Imaginemos uma bola que rola por uma superfície sem atrito: ela não pararia nunca ou seria difícil detê-la.

Pois bem, esta inércia nas pessoas tem a ver com o hábito. Por exemplo, um que todos nós temos é o de levantar-nos. Se adotarmos um horário constante para abandonar nosso refúgio entre os lençóis, no fim das contas a força de vontade necessária para acordar será menor. De alguma maneira trata-se de domar ou adaptar nosso comportamento, com disciplina, para que o resultado final dependa cada vez menos da vontade e mais de uma inércia que perpetua o movimento a nosso favor.

A motivação, a alma da vontade

Por outro lado, se há uma ajuda pela qual a força de vontade agradece é a motivação. Isso, por exemplo, é algo que as bibliotecas não entendem. O mais comum é que se você atrasa a devolução de um livro você tenha que aguardar alguns dias antes de poder pegar outro, como uma forma de multa. Esta sanção, uma vez que o prazo para a devolução tenha acabado, atua contra a hipótese de que o usuário vá o antes possível à biblioteca, já que elimina sua principal motivação para visitar o local: pegar livros novos imediatamente.

Sim, imediatamente porque o custo de não poder pegá-los em dois dias, três ou quatro, é percebido pelo usuário como muito menor do que o custo de ir à biblioteca e não poder pegar outros livros imediatamente. Assim, há usuários que, após o dia determinado para a devolução, decidam fazê-la apenas quando a biblioteca estiver em seu caminho para algum outro lugar, e não vão até ela especificamente.

Mulher pensando em como resolver um problema

A relação com a motivação também pode ser entendida em outro sentido. Por exemplo, quando nos propomos uma meta a médio ou longo prazo, ir cumprindo os objetivos intermediários vai aliviar a carga de força de vontade exigida nas tarefas de que menos gostamos. Imagine que você quer perder peso, 10 quilos, e para isso decidiu cuidar da sua dieta e aumentar a quantidade de exercício físico diário. Se você acha que as medidas que tomou para conseguir este objetivo estão funcionando, o mais provável é que o esforço necessário para mantê-las seja menor.

Alcançar os pequenos objetivos intermediários é uma grande ajuda para a nossa força de vontade.
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Força de vontade, autoeficácia e definição de objetivos

A força que tivermos que fazer com nossa vontade também vai depender de como definimos nossos objetivos. Objetivos precisos, divisíveis, mensuráveis, bem delimitados, estáveis, sobre os quais tenhamos quase todo o controle vão ser uma ajuda para a nossa força de vontade. Neste sentido, a incerteza será um dos fatores que mais pode prejudicar nossa vontade, já que elimina parte da superfície na qual ela se apoia.

A vontade também é sensível à autoeficácia. A autoeficácia tem a ver com a sensação ou a intuição de que vamos ser eficazes realizando uma tarefa. Por exemplo, tenho um amigo que é atleta que disse que há algum tempo só tem lesões, e que nos últimos meses teve que cancelar vários treinos por causa destas circunstâncias.

Ele disse que antes, fazer os treinos mais fortes era difícil, mas que agora mentalmente isso é ainda mais complicado. Ele pensa que não vai conseguir terminar, e já cancelou alguns antes mesmo de começar.

Neste caso, é a falta de eficácia percebida que prejudicou a sua força de vontade. A antecipação de ter que acordar cedo, deslocar-se até o local do treino, aquecer, começar, ter que suspender o treino e voltar para casa com esta sensação foi o que aumentou a exigência para a sua vontade.

Mundo fantástico com baleia voando

Vontade e apoio social

Finalmente, cabe destacar que a vontade também pode obter uma ajuda muito valiosa no apoio social. Por exemplo, o fato de compartilhar com os demais que estamos em processo de parar de fumar pode fazer com que nos ajudem nos momentos de maior fraqueza. A nossa vontade, neste caso, terá que ser somada a uma motivação de todos, a de manter a coerência entre o que falamos e o que fazemos.

Neste sentido, o apoio social é uma faca de dois gumes. Se não lembrar constantemente nossos erros ou trouxer antecipações que nos enchem de ansiedade, pode aumentar ainda mais nossa vontade. Para isso, quando compartilharmos o objetivo com os demais, também podemos dizer-lhes como gostaríamos que nos apoiassem.

Como vimos ao longo deste artigo, uma vontade mais ou menos forte é importante, mas muitas vezes os fatores que aliviam o seu trabalho são ainda mais. São porque todo exercício de vontade supõe um grande desgaste, um investimento da nossa força interior, com cujo uso deveríamos ser inteligentes, já que é limitada.

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