Como vencer a vergonha? Veja 5 estratégias

· março 16, 2018

Às vezes pensamos que a vergonha e a timidez são a mesma coisa. Fala-se, por exemplo, de vencer a vergonha de falar em público ou expressar uma opinião em uma conversa cotidiana e casual. A vergonha, no entanto, é muito mais que a simples timidez. Ela diz respeito, sobretudo, a um sentimento de indignidade pessoal. É uma certa convicção de que a pessoa não é merecedora de muito.

Nesse contexto, vencer a vergonha enraizada não é nada simples. Normalmente ela tem sua origem em uma forte experiência, ou várias experiências, que ocorreram durante a infância e estão relacionadas à desvalorização da criança. Claro que também pode ser resultado de uma experiência traumática ou abusiva, além de maus-tratos infantis graves. O sentimento cria raízes profundas e torna-se muito difícil de erradicar.

“Vergonha é a mentira que você diz quando está falando de si mesmo”.
-Anais Nin-

Nesses casos a vergonha é um mecanismo que permite que a criança proteja a si mesma. O adulto, supostamente no papel de cuidador, rejeita algumas expressões da criança, ou inclusive sua personalidade incipiente. Nesses períodos iniciais da vida, o afeto do adulto é muitíssimo importante. Por isso a criança aprende a ser como o adulto quer que ela seja. Desenvolve um “eu” que é imposto, e qualquer comportamento que saia desse esquema pode parecer vergonhoso.

Geralmente a vergonha está associada com a depressão, e por mais estranho que pareça, também há um medo de si mesmo. Desconfiança em relação ao que se é e o que se pode ser. Também há uma raiva contida, que muitas vezes acaba se voltando contra si. Tudo isso faz com que a pessoa se afaste dos outros como uma precaução, e assim acaba se privando também do afeto dessas pessoas. É possível, no entanto, vencer a vergonha, e estas são 5 maneiras de tentar ser bem-sucedido nessa empreitada.

1. Aprofundar-se no autoconhecimento para vencer a vergonha

Para vencer a vergonha é necessário entender como ela surge. Mantenha uma atitude de observação em relação a si mesmo. Se for necessário, leve consigo um caderninho para anotar tudo o que conseguir observar dentro de si. O que queremos aqui é detectar quais são exatamente as situações em que a vergonha aparece.

É importante que você consiga identificar o que é que lhe causa vergonha. Que aspecto de você está mais relacionado com ela. Preste muita atenção nas autocríticas que você faz. Que palavras e mensagens vêm à sua mente quando você sente vergonha? Toda essa informação será de grande ajuda para superar o problema..

Labirintos da mente

2. Olhe para o seu passado

Tente pensar nas pessoas mais importantes da sua infância. Como elas o tratavam? Como elas eram? Por que agiam como agiam e não de outra maneira? Que partes de você rejeitavam e por que você acha que isso acontecia?

Muitas vezes, ao olharmos a partir de uma distância segura para essas figuras amadas e temidas da nossa infância, conseguimos adotar uma nova perspectiva. Encontramos, por exemplo, algumas respostas que nos mostram que o problema não é conosco, e sim deles com eles mesmos. É ótimo cortar a relação da rejeição com nosso modo de ser. Ou seja, é ótimo compreender que não há nada de errado em nós quando somos rejeitados. O que existe é um problema em quem nos rejeitou.

3. Desenvolva mais compaixão por si mesmo

É necessário que aprendamos a ser nossos próprios aliados. Um bom amigo só faz críticas construtivas, não fica o tempo todo ressaltando falhas em você e apontando o dedo. Não olha para o outro com desconfiança ou enfatizando os erros que comete. Temos que ser assim: bons amigos de nós mesmos.

Para vencer a vergonha é indispensável passarmos a nos ver e nos tratar com bondade. Em outras palavras, que sejamos capazes de olhar para nós com amor. Deveríamos tentar, ainda que a princípio pareça impossível ou mesmo não eficaz. Você pode se surpreender com os resultados. 

Homem pensativo sentado em pedra

4. Trabalhar na aceitação de si

Aceitar quem somos é indispensável para poder avançar. Aceitar não é não querer mudar, é compreender quem somos e saber que não somos nem mais nem menos que os outros. Somos como somos, simplesmente. Há partes de nós que não podemos mudar, e o que podemos leva tempo e paciência, não é de hoje para amanhã. Em qualquer dos casos, qualquer mudança parte sempre da aceitação, de reconhecer que estamos num determinado lugar e que gostaríamos de chegar a outro. Por isso a honestidade consigo mesmo é tão importante para evoluir.

Por outro lado, conhecer melhor nosso sentimento de vergonha, analisar o passado e desenvolver uma atitude compreensiva consigo mesmo deve servir, por si só, para construir a aceitação de si. Não é nada fácil. A mente leva anos para fazer algo diferente tantas vezes até que o cérebro consiga mudar sua programação para o novo comportamento. No entanto, felizmente, é possível. Pouco a pouco podemos vencer a vergonha.

Caminhar com os pés descalços

5. Exposição gradual

O processo de vencer a vergonha é de dentro para fora, mas também de fora para dentro. À medida que você for avançando no seu empenho, seria bom também ir definindo metas. Enfrente e exponha-se ao que lhe causa vergonha, começando por aquilo que provoca menos medo e vá aumentando de maneira gradual a dificuldade.

Essas 5 estratégias são eficazes e devem ser aplicadas de modo sistemático e com perseverança. Muitas vezes, no entanto, esses processos requerem a ajuda de um profissional, como um psicólogo, para obter sucesso. O caminho será basicamente o mesmo, mas você contará com uma ajuda e um apoio que podem ser o empurrão que faltava. Vale a pena considerar essa opção.