O controle das emoções na velhice: o segredo do bem-estar

· maio 30, 2018

O controle das emoções na velhice é um exercício de saúde e bem-estar. Curiosamente, algo que se pode constatar em vários estudos é que, além do declínio físico e cognitivo, os adultos idosos estão, em termos médios, muito mais sintonizados com as emoções positivas. Eles valorizam as relações sociais e tendem, além disso, a ter um maior controle sobre os seus universos emocionais.

O filósofo suíço Henri-Frédéric Amiel dizia que saber envelhecer é uma obra-prima da sanidade, e uma das partes mais difíceis da grande arte de viver. Não é fácil, sem dúvida, chegar a uma idade avançada com o mesmo otimismo de um jovem que espera tudo da vida. No entanto, as pessoas idosas sabem bem que, na realidade, o segredo da felicidade não está em esperar. O verdadeiro bem-estar reside em colocar a vista no momento presente com humildade, simplicidade e positividade.

“Velha madeira para arder, velho vinho para beber, velhos amigos em quem confiar e velhos autores para ler”.
– Francis Bacon –

Isso é o que nos revela grande parte dos trabalhos sobre geriatria. Na velhice, diante da deterioração objetiva do próprio corpo e do progressivo declínio das próprias faculdades, a pessoa potencializa um sentido de felicidade subjetiva digno de admiração. A correta regulação emocional no outono da vida costuma ser, portanto, evidente em boa parte da população, permitindo, com isso, uma melhor adaptação à realidade do envelhecimento.

O equilíbrio das emoções na velhice é o segredo para o bem-estar.

Casal idoso feliz

O controle das emoções na velhice: últimas descobertas

O estudo da regulação das emoções na velhice é um campo relativamente novo. No entanto, tendo em vista a expectativa de vida crescente, fica claro que este setor populacional vai ter um grande peso em nossa sociedade nas próximas décadas. Assim, um desafio essencial que todos temos pela frente é conseguir chegar a estas idades avançadas no melhor estado possível. E não falamos só do bem-estar físico; nos referimos, acima de tudo, ao plano emocional.

O campo de pesquisas sobre o envelhecimento está amadurecendo com passos de gigante. Só como curiosidade, o Doutor Derek Isaacowitzel, especialista no campo das emoções da Universidade de Yale, desenvolveu uma tecnologia para estudar os vieses de atenção nas pessoas idosas. São óculos que registram esses estímulos, que atraem a atenção de seus pacientes para analisar depois a sua reação emocional.

Algo que pode ser comprovado é que em 90% dos casos o adulto idoso se interessa muito mais pelos rostos que mostram emoções positivas. Essa preferência, essa busca constante por um rosto sorrindo, um olhar cálido ou uma palavra amável os ajuda a regular as suas próprias emoções. Os especialistas opinam que é como se o cérebro atuasse como um mediador cognitivo ao focalizar a atenção nesses estímulos para poder, assim, diminuir as emoções negativas e se impregnar de positividade.

Olho de pessoa idosa

As emoções não se deterioram com o processo de envelhecimento

Com a velhice, o que acontece, diante de tudo, é uma mudança nas motivações. Restringem-se as metas a longo prazo para investir em uma melhor qualidade de vida no presente. Portanto, o controle das emoções na velhice tem um objetivo muito concreto, uma motivação bem definida: otimizar as experiências emocionais para desfrutar do equilíbrio, da calma interior, das relações com os amigos e da família.

  • Tudo isso constitui, por sua vez, o que se conhece como o paradoxo do bem-estar na velhice. Ou seja, por mais surpreendente que possa parecer, as pessoas idosas apresentam, em média, uma maior satisfação vital que as pessoas mais jovens. Isso se deve a essas habilidades para regular as suas emoções, um mecanismo que, por outro lado, não apresenta uma deterioração paralela tão evidente como o dos processos cognitivos.
  • Sabemos, por exemplo, que o envelhecimento afeta sobretudo os lobos frontais, onde reside a nossa capacidade de atenção, resolução de problemas, planejamento, etc. No entanto, as emoções e a nossa capacidade de interagir com o nosso entorno através dos olhares, sorrisos, e de reagirmos positivamente diante do afeto, são coisas que permanecem intactas. Algo que resiste a doenças muito graves e tristes, como pode ser o Alzheimer.
Avô com seu neto

A velhice nos faz ser mais seletivos

Em muitos casos, quando uma pessoa é jovem, ela não coloca filtros na sua realidade. O indivíduo deixa que tudo aconteça, tem vontade de experimentar, sentir com os braços abertos e o coração disposto. No entanto, à medida que amadurecemos, começamos a colocar os filtros e até as cercas. Pois bem, quando se ultrapassa esse limite que nos conduz ao outono da vida, aparece uma nova visão. Deixam-se cair as cercas e os filtros são mais seletivos. Busca-se priorizar e concentrar a atenção em tudo aquilo que possa nos proporcionar bem-estar, e não problemas.

Deste modo, tal e como explica o psicólogo e pesquisador Heiner Ellgring, do Instituto Max Planck de Munique, em seu livro “Os motivos e as emoções da velhice”, o adulto idoso concentra a sua atenção em três aspectos:

  • Desfrutar das relações com os seus familiares e amigos.
  • Investir em sua saúde.
  • Cuidar e desfrutar de seus recursos (casa, jardim, campo, animais, etc.).

Uma vida positiva para a pessoa idosa se baseia em atender a esses aspectos. A felicidade subjetiva reside nesses três fatores, sendo o aspecto social, relacional e afetivo o mais importante. Portanto, envelhecer com saúde reside em sermos seletivos e termos claras as nossas prioridades, em uma fase da vida em que a necessidade de desfrutar diariamente de emoções positivas é, sem dúvida, algo prioritário.