Corações de aço: pessoas que escondem o que sentem

abril 2, 2020
Os corações de aço nos fazem parecer menos sensíveis. Na visão dos outros, podemos parecer frios e sem sentimentos, mas o que vivemos por dentro é diferente.

Hoje falaremos sobre as pessoas que parecem frias, pouco compassivas e que podem até parecer indolentes. São pessoas que têm um coração tão duro, que poucas emoções ultrapassam as suas fronteiras e transcendem a camada da consciência. Nós nos referimos aos corações de aço.

São olhos que não choram, lábios que geralmente não sorriem e mãos que não tocam. São indivíduos que nunca abandonam o seu papel de espectadores, aqueles que dão a sensação de que nada do que acontece os abala ou importa. Tão frágeis, embora pareçam tão fortes…

“Às vezes nos colocamos uma couraça, acreditando que dessa maneira não sentiremos dor, mas não vemos que o isolamento só nos causa sofrimento”.

Como são os corações de aço?

Quando falamos sobre “corações de aço”, enfatizamos aqueles que têm dificuldade para expressar o que sentem. Estas são algumas das suas características:

  • Suposição: acreditam que outros devem adivinhar como se sentem. Então, param de demonstrar seus sentimentos.
  • Podem ser pessoas perfeccionistas. Têm dificuldade em admitir que cometem erros, e demonstrar fraqueza faz parte disso.
  • Baixa autoestima: isso gera uma incapacidade de mostrar sentimentos, porque eles se sentem tão indignos que acreditam que não vale a pena se expressar.
  • Medo: são pessoas que têm medo de enfrentar conflitos e mostrar as suas emoções.
  • Pensamentos catastróficos: podem pensar que tudo está perdido. Então, por que fazer mais?
  • Desconhecimento: podem não saber como se comunicar.
  • Timidez: são pessoas que, mesmo sentindo o desejo de compartilhar o que lhes acontece, são prejudicadas pela ansiedade causada pelo fato de começarem a caminhar em um terreno que não conhecem.
  • Proteção: pessoas com corações de aço podem estar escondendo o que sentem para se proteger. É um mecanismo de defesa contra a possibilidade de se mostrarem vulneráveis.
  •  Dificuldade para sentir: têm dificuldade de ouvir o outro, por isso não sabem como estão.
Mulher preocupada

Como agem os corações de aço

Cada pessoa é um mundo, nele está a sua autenticidade. As pessoas com corações de aço podem ter uma ou mais dessas características. O denominador comum é que não são capazes de abrir um espaço para as emoções.

No entanto, o fato de não expressarem as emoções não significa que não as sintam. As pessoas com coração de aço também sentem, o problema é que não sabem ou não querem se expressar. Os mecanismos pelos quais isso acontece podem ser conscientes ou não.

Mas, como agem os corações de aço? Essas pessoas podem se mostrar aos outros como muito fortes ou muito distantes. Então, parece que são insensíveis.

Agora, podem existir pessoas que são tão frias quanto blocos de gelo, tanto que nem sequer têm compaixão ou geram empatia com o outro. São pessoas com algum tipo de psicopatia. No entanto, nem todos os corações de aço o são. Como dissemos anteriormente, alguns são assim por causa da timidez, medo, perfeccionismo, etc.

Gerenciar as emoções

É importante aprender a gerenciar as emoções. Por que? Dessa forma, você será mais assertivo nos relacionamentos consigo mesmo e com os outros. Vejamos como fazê-lo:

  • Aceitar os nossos sentimentos. Reconhecer as nossas emoções e aceitar que as temos nos ajudará a crescer e a nos conhecermos melhor.
  • Concentrar-se na autoestima: quando reconhecemos o valor que temos, percebemos o quanto somos importantes. Isso nos ajudará a saber que as nossas emoções também são. Então, poderemos focar a nossa atenção nelas quando for necessário para crescer como pessoas e melhorar os nossos relacionamentos.
  • Liberação: às vezes, quando a timidez nos governa, nos trancamos em uma prisão e jogamos a chave fora por causa da ansiedade provocada pelo encontro com o outro.
  • Enfrentar os medos: podemos sentir medo, mas é importante que, além de reconhecê-lo, entendamos por que ele surge e o deixemos sair. Assim, será mais fácil expressar o que sentimos. Além disso, se deixarmos de lado o que os outros dirão ou as nossas suposições de como os outros reagirão ou de como deveriam fazê-lo, será mais fácil viver momentos verdadeiros e se expressar sem pressão.
  • Tente expressar as emoções: quando levamos uma boa parte de nossas vidas sem mostrar o que sentimos, tudo parece muito difícil. Então, podemos começar nos expressando com as pessoas muito próximas a nós; isso facilitará a tarefa.
  • Autoconhecimento: se nos conhecermos, será mais fácil identificar as nossas emoções e expressá-las de uma maneira assertiva.

As emoções formam o seu mundo. Gerenciá-las não é uma questão simples, mas também não é um desafio impossível. O essencial é reconhecê-las, vivê-las, saber como expressá-las e quais são os momentos apropriados para isso.

Não somos todos iguais, então cada um as expressa de uma maneira. Embora a princípio possa parecer inocente, esse acúmulo de sentimentos pode nos dominar.

As emoções humanas

Benefícios de deixar os “corações de aço” de lado

Quando falamos em deixar de lado os corações de aço, não nos referimos às pessoas, mas aos corações rígidos e frios que podemos ter. Isso nos trará grandes benefícios:

  • Reduz a ansiedade.
  • Aumenta a empatia.
  • Reduz o estresse.
  • É importante para que os outros nos conheçam melhor.
  • Aumenta o autoconhecimento.
  • Fortalece o relacionamento com os outros e com nós mesmos.
  • Melhora a nossa autoestima.
  • Favorece a comunicação assertiva.

Certamente, para ter todos esses benefícios, também é apropriado que tenhamos pequenas práticas educacionais que nos tornem mais conscientes das nossas emoções. Isso é sugerido por Arís Redo em seu artigo para a Vivat Academia Communication Magazine, em que ele expõe a importância da educação emocional para professores e alunos.

Embora existam pessoas “corações de aço”, isso não significa que elas não possam amolecer os seus corações ao longo da vida. Por meio da gestão emocional, elas serão mais assertivas ao expressar as suas emoções e, pouco a pouco, removerão a armadura que as faz parecer insensíveis.

  • Redó, N.A. (2010). La educación emocional y la comunicación escolarVivat Academia, 113, pp. 79-87.