Uma criança que mente precisa ser educada, e não receber menos carinho

Uma criança que mente precisa ser educada, e não receber menos carinho

31, janeiro 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Uma criança que mente precisa ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender por que uma criança mente. A empatia com os pequenos é uma arma poderosa, porque no final das contas, nós adultos também somos um pouco mentirosos, não é verdade?

Todos os pais gostam de saber por que seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos amorosa. De fato, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo branco ou preto. Para elas, dizer uma verdade ou uma mentira depende das consequências da mensagem, ou seja, do dano que causarão a elas.

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Segundo o estudo de Talwar, dependendo do castigo ou do dano que vai ser causado na criança se disser a verdade ou a mentira, ela optará por uma resposta ou outra. Não o fazem de propósito, simplesmente estão evitando uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, nossos filhos consideram que estão sendo traídos.

O curioso do estudo, realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e seus pais, é que os progenitores costumam explicar para os pequenos que a mentira é má. No entanto, como educadores, também mentem, mesmo que seja como um ato piedoso para tornar a vida mais fácil para o seu filho. Mas essa é uma atitude que confunde os pequenos, especialmente quando são menores.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No experimento realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém saía machucado. Em algumas ocasiões era porque uma pessoa mentia e um inocente era castigado; em outras, porque ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam o que elas achavam da atuação dos diferentes personagens. A intenção da pesquisadora era conhecer o julgamento moral que as crianças tiravam das situações que haviam visto e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram do experimento em geral avaliaram a mentira como mais negativa. No entanto, também foram mais condescendentes com tais mentiras se essas evitavam um dano ou diminuíam o mesmo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem motivos para tal?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, elas fazem isso principalmente para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter feito algo ruim ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

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Por outro lado, as pesquisas nos dizem que as crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. Para o resto, o normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e o fazem da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos para elas. Esta forma não é outra senão a experimentação, a tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama de suas consequências.

Além disso, em algumas ocasiões e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer fazer alarde. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade do pequeno ou até por puro desejo.

Desse modo, temos que ter cuidado como pais na hora de mentir para os pequenos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se fizermos da mentira algo habitual, especialmente se a utilizarmos para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, chegará um dia em que nossa palavra não valerá nada para elas.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar. Os pais e educadores têm que falar mais com as crianças e explicar as diferenças entre mentiras e verdades. Como sempre costuma acontecer, o diálogo é a melhor solução.

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