Dançar pode ajudar a combater o envelhecimento cerebral

· fevereiro 22, 2018

Você sabia que pode dançar para combater o envelhecimento cerebral? Isso mesmo, dançar, além de ser um excelente exercício para o corpo, também exercita nossa mente. Uma forma divertida de manter nossos cérebros ágeis, independentemente da idade.

De fato, para os mais velhos dançar é uma das melhores maneiras de manter o equilíbrio entre corpo e mente. Além disso, a atividade física de maneira geral, e a dança em particular, podem ajudar a reverter os sinais do envelhecimento cerebral nesta etapa.

“Existem atalhos para a felicidade, e a dança é um deles”.
-Vicki Baum-

Fazer exercício e dançar para combater o envelhecimento cerebral

À medida que envelhecemos, ocorrem várias alterações no cérebro, incluindo uma diminuição do tecido cerebral, a redução do fluxo de sangue e diminuição na comunicação entre as células. Todas essas mudanças interferem no funcionamento cognitivo, particularmente a aprendizagem e a memória.

Vários estudos têm sugerido que a atividade física na vida adulta pode ajudar a retardar o declínio cognitivo associado à passagem do tempo. Nesse sentido, um estudo publicado pela revista Neurology encontrou uma relação direta entre exercício regular de intensidade média a alta e um desgaste mais lento da memória e habilidades de pensamento para maiores de 50 anos.

Dançar para desacelerar a perda cognitiva

No entanto, fazer exercícios de intensidade média a alta não é algo muito atraente para muitos, principalmente a partir dos 50 anos, não é verdade? A boa notícia é que existem maneiras eficazes de fazer exercícios e, ao mesmo tempo, lutar contra o envelhecimento do cérebro que não envolvem ir até a academia ou colocar tênis para corrida, como dançar. É o que garante o novo estudo publicado pela revista Frontiers in Human Neuroscience.

O efeito da dança no hipocampo

O referido estudo contou com 52 adultos saudáveis com idades entre 63 a 80 anos. Cada participante foi aleatoriamente dividido entre um dos dois grupos possíveis durante 18 meses. Um dos grupos foi orientado a participar de uma aula de dança de 90 minutos durante esse período, enquanto o outro grupo participaria de um treinamento de força e resistência que também duraria 90 minutos por semana.

Note que a atividade física variou em cada um dos dois grupos. Assim, enquanto o grupo de dança enfrentou novas rotinas a cada semana, as atividades de força e treinamento de resistência do outro grupo eram repetitivas.

No grupo de dança, mudanças constantes aconteceram na rotina e, a cada duas semanas, passos, padrões de braços, formações, velocidade e ritmo mudavam para manter os participantes em um processo de aprendizagem constante. Desse modo, o aspecto mais desafiador para os participantes foi lembrar das rotinas sob a pressão do relógio e sem nenhuma ajuda do instrutor, exatamente como orientado pelos pesquisadores.

No início do estudo e no final (após 18 meses), cada participante fez uma ressonância magnética do cérebro. Além disso, o equilíbrio dos participantes antes e após a intervenção foi avaliado por meio de um teste de organização sensorial.

Os pesquisadores perceberam que ambos os grupos demonstraram um aumento no volume do hipocampo, mas nos que dançaram o aumento foi maior. Somente as pessoas que dançaram demonstraram crescimento de conexões neuronais no giro denteado, a região do cérebro associada com a aprendizagem, memória e emoção e que, além disso, é a região geralmente mais afetada por mudanças cerebrais relacionadas com a idade.

Dançar é um excelente exercício para os mais velhos

Os pesquisadores especulam que o processo de aprendizagem contínuo envolvido na dança poderia explicar os benefícios adicionais observados. Na verdade, a equipe descobriu que a dança também levava a melhoras significativas no equilíbrio dos participantes, enquanto o grupo de treinamento de força e resistência não registrou tal progresso.

Dançar é um excelente exercício para os mais velhos

Os pesquisadores explicam que o grupo que dançou durante 18 meses mostrou aumentos em algumas partes do hipocampo, enquanto essas mudanças não foram observadas no outro grupo. Isso indica que, além da condição física, outros fatores inerentes à dança também contribuem para as mudanças de volume do hipocampo.

Por essa razão, os pesquisadores afirmam que os desafios adicionais no programa de dança, como, a estimulação cognitiva e sensório-motora, por exemplo, causou mudanças no volume do hipocampo, além das atribuídas somente à aptidão física de maneira geral.

Eles deixam o lembrete de que a atividade física é um dos elementos que deve fazer parte do estilo de vida e contribuir para uma vida independente e saudável que dure o maior tempo possível, já que ajuda a prevenir fatores de risco e frear o declínio relacionado com a idade. Para isso, dançar é uma ferramenta poderosa, capaz de propor novos desafios para o corpo e a mente, especialmente na terceira idade.