Reciprocidade: dar e receber

Dar e receber: o princípio da reciprocidade

agosto 29, 2015 em Curiosidades 0 Compartilhados
reciprocidade

“Dá o que tem

Para quem mereça receber

O que falta”

(San Agustín)

O fato de oferecer algo sem esperar nada em troca é conhecido como altruísmo. No entanto, até que ponto podemos dar sem receber? É realmente justo? Não se esqueça de que tudo nesta vida tem “ida e volta”. Talvez hoje você não obtenha nada pelo que fez, mas amanhã receberá sua recompensa.

Como funciona o princípio da reciprocidade?

O fundamento mais importante da reciprocidade está baseado no fato de tentar devolver, por gratidão, o que outras pessoas nos deram antes. Para poder compreender um pouco melhor isso, talvez devêssemos utilizar uma explicação que nos leve à antiguidade:

O homem tem tido que compartilhar para poder sobreviver. Desde conhecimentos até ferramentas, comida ou abrigo, sempre a solidariedade de uns foi a maneira que outros tiveram para continuar a viver.

Isto não tem ficado só na época das cavernas (felizmente) e se mantém ainda hoje. Desde que nascemos, trazemos de maneira inata os sentimentos corretos para estabelecer uma espécie de “dívida” quando alguém faz algo por nós.

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Mas ainda há mais, já que atormentamos a nossa mente pensando em uma maneira de pagar esse saldo assim que possível (e com juros).

Até o momento tudo parece muito lindo, muito perfeito. Mas temos que voltar à realidade. Muitas pessoas se aproveitam deste sentimento de “culpa” que nos toma quando devemos um favor a alguém. Este grupo se baseia na premissa de que “fazer algo por alguém para que este alguém se sinta obrigado a fazer algo por nós”.

Disto surge a reciprocidade “induzida”, para darmos um nome a ela. Isto é, busca-se uma forma de ajudar a alguém pelo simples fato de que esse alguém, depois, nos deva um favor.

Mas, cuidado!

Os primeiros a tirar vantagem deste sentimento de culpa foram os Hare-Krishnas. Eles saíam à rua presenteando flores aos pedestres e depois lhes diziam que estavam juntando dinheiro para sua fundação. Já que as pessoas tinham recebido um presente (a flor), sentiam-se na obrigação de fazer uma doação para a causa. Hoje em dia essa técnica é utilizada com outros objetos como um livro, uma revista, um incenso, etc.

Se estendermos isto para outros setores, algumas investigações dos anos 80 indicaram que o fato de convidar alguém que conhecemos para tomar um drinque causa um sentimento de dívida, sobretudo sexual. Isto parece um pouco ilógico em pleno século XXI, mas há 4 décadas nem tanto.

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Existem boas intenções em “dar e receber”?

Alguns poderiam dizer que sim, sem melindres… O certo é que de alguma maneira, sempre estamos esperando algo em troca. Isso não quer dizer que queremos um presente ou algo material, mas dar a outros faz com que nos sintamos pessoas melhores, porque fizemos “a boa ação do dia”, porque podemos contar orgulhosos sobre ela aos outros, etc.

Então, sim! Estamos esperando algo em troca. Talvez aguardemos a oportunidade para jogar na cara de alguém que fizemos algo por ele, em um sentido mais místico, esperamos que algo superior nos compense por nossa atitude, seja Deus, o Universo, o Carma, etc. Ou simplesmente, que estejam lá quando precisarmos de algo.

Podemos ser 100% altruístas?

Cada vez é mais estranho pensar no outro, ajudar ao próximo, calçar os sapatos de quem está a nossa frente… talvez fosse melhor que em lugar de oferecer tudo o que temos, começássemos a nos ocupar dos detalhes de cada dia.

Não é preciso nos despojarmos de todos os nossos bens materiais e ficarmos com fome para que outros se alimentem, ou seja, se converter em um altruísta com todas as letras.

Podemos presentear os que temos ao nosso arredor, sendo esta uma excelente maneira de praticar o altruísmo; com atos simples, como ceder o assento no metrô, deixar alguém passar na nossa frente em uma fila, amarrar o cadarço de nosso filho, preparar o jantar para a família ou carregar a bolsa da namorada.

É certo que você terá uma recompensa: a felicidade do outro, o agradecimento e o afeto. Isso já não é um grande presente?

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