Decisões emocionais e decisões racionais: existe diferença?

maio 18, 2020
Decidir com a mente ou decidir com o coração. Nós temos o costume de fazer essa diferenciação quando, na verdade, segundo os especialistas, as melhores decisões sempre são tomadas sintonizando a lógica com a emoção, a intuição com a experiência.

Decisões emocionais e decisões racionais ou lógicas… Existe tanta diferença entre elas? Frequentemente, nós dizemos a nós mesmos que certas coisas devem ser decididas de cabeça fria e não com o coração, pensando que, com isso, vamos fazer a escolha certa. É como se tivéssemos que lidar todos os dias com duas visões mentais capazes de interferir por completo na nossa realidade.

De alguma maneira, é assim. Ninguém age nem decide apenas por meio de suas emoções ou do filtro exclusivo composto pela lógica mais fria, objetiva e racional. Nosso cérebro, na verdade, é um órgão hiperconectado, no qual qualquer área e estrutura tem um vínculo com as demais.

Assim, o córtex pré-frontal (vinculado às funções executivas mais complexas, baseadas na análise, na atenção e na reflexão) mantém uma conexão constante com essas áreas mais profundas do cérebro relacionadas com as emoções. Portanto, o mundo dos afetos e sentimentos está presente em cada decisão e, por sua vez, em cada escolha meditada e pensada é possível encontrar a marca das emoções.

No entanto, apesar da existência dessa ponte em que as informações entre uma e outra esfera são constantes, existe uma particularidade que não podemos ignorar. As emoções sempre têm prioridade. O ser humano é, acima de tudo, uma criatura emocional, e isso nos coloca em várias encruzilhadas.

 “Talvez a coisa mais indispensável que podemos fazer como seres humanos todos os dias de nossas vidas seja lembrar a nós mesmos e aos outros da nossa complexidade, fragilidade, finitude e singularidade”.
– Antonio R. Damasio-

Jovem preocupada com uma decisão

Decisões emocionais e decisões racionais

As decisões emocionais têm uma fama ruim. É como se, ao nos deixarmos levar por aquele primeiro impulso, pela necessidade (supostamente não refletida) ou pela intuição, fôssemos levados ao erro.

No entanto, e por mais irônico que pareça, grande parte das escolhas que fazemos no nosso dia a dia são mediadas por elas, por essas emoções que nos guiam e influenciam quase completamente o nosso comportamento.

Devemos admitir que agir movidos por elas não nos leva necessariamente ao erro. As emoções são catalisadoras em nossas relações, elas nos incitam a estabelecer conexões com as pessoas, e também nos permitem fazer escolhas em diferentes áreas para que preferências, personalidade e necessidades estejam em sintonia.

Afinal de contas, as emoções só desejam a nossa homeostase, desejam garantir o nosso equilíbrio interno e, naturalmente, a nossa sobrevivência.

Além disso, já existe uma tendência no mundo acadêmico que nos leva a corrigir a falsa ideia de que as decisões emocionais são relacionadas a atos irracionais.

Estudos, como os realizados na Universidade de Columbia pelo doutor Michel Puan, indicam que devemos parar de considerar o emocional e o racional separadamente. Em outras palavras, as emoções também podem ser lógicas e racionais.

Há, no entanto, claras e evidentes exceções. Em determinados momentos, tomamos decisões partindo de estados emocionais desfavoráveis. São aqueles momentos em que não existe uma homeostase interna, mas sim um problema não resolvido, uma necessidade, uma carência não atendida, que nos levam a fazer escolhas incorretas. Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

Estados emocionais que podem levá-lo a se arrepender

Devemos estar cientes de uma coisa: as melhores decisões são tomadas quando combinamos lógica e emoção. Assim, para que esse pacto entre uma e outra seja realizado com eficácia, precisamos que nossas emoções estejam do nosso lado. Mas isso nem sempre acontece, porque há estados que nos restringem, que limitam nossa perspectiva mental. São os seguintes:

  • A tristeza. Quando tomamos uma decisão estando tristes, para baixo ou melancólicos, vamos nos conformar com o mínimo, não seremos exigentes conosco.
  • O entusiasmo. Quando nós nos sentimos repletos de alegria, de entusiasmo desmedido, excitados de emoção, também não tendemos a tomar boas decisões. Geralmente, nós nos deixamos levar pela impulsividade.
  • A ansiedade. A ansiedade, o estresse, assim como qualquer outro transtorno do humor, dificultam nossa capacidade de decisão. Não apenas tomamos decisões das quais depois poderemos nos arrepender, mas também temos mais dificuldade de pensar, analisar, refletir, etc.
Cérebro e coração unindo-se por um cabo

As decisões emocionais tomadas com lógica e razão juntas são as mais acertadas

Assim como indica o renomado cientista Antonio Damasio, as emoções não estão localizadas no lado sombrio da razão. Estas, na verdade, são parte indispensável de cada decisão que tomamos e, portanto, devemos estar plenamente conscientes delas.

Se as entendermos, se as administrarmos, se enfrentarmos seus desafios nas épocas de desânimo ou preocupação, elas serão nossas melhores aliadas.

As decisões são o ritmo que determina nossos caminhos. É verdade que algumas serão mais erradas e outras mais acertadas, mas o mais importante de tudo é não agir de maneira impulsiva. É sintonizar necessidades com desejos, experiência com intuição. Emoção e razão nunca podem andar separadas, pois são os motores que podem nos aproximar da nossa felicidade.