Definir os limites é a verdadeira arte da assertividade

Definir os limites é a verdadeira arte da assertividade

janeiro 2, 2017 em Psicologia 1634 Compartilhados
Definir os limites é a verdadeira arte da assertividade

A assertividade é uma habilidade fundamental para lidar diplomaticamente com as situações nas quais os outros assumem mais liberdade do que deveriam. Esta definição pouco ortodoxa atende a uma realidade que todos nós enfrentamos: a falta de consideração pelos direitos do outro, inclusive a falta de respeito. Definir limites de forma firme e pacífica é a chave para não sermos pisados, para que nos respeitem sem perder o respeito.

Uma das vantagens de aprender a definir limites é que fazendo isto também estamos reconhecendo os direitos dos outros, nossos limites com relação aos demais. Isto significa que ser assertivo seguindo esta dica também nos transforma em pessoas mais respeitosas.

“Atrever-se a estabelecer limites significa ter o valor de amar a si mesmo, inclusive quando corremos o risco de decepcionar os outros.”
-Brene de Brown-

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Identifique onde estão os seus limites

O que é longe demais para você? O que você está disposto a tolerar das outras pessoas, dependendo do tipo de relacionamento que você tiver com elas? Defina quais são os limites, tanto para você quanto para os outros. Que sejam estes ou aqueles vai depender de vários fatores, e entre eles da sua personalidade, mas também dos seus valores, das suas crenças e das suas expectativas na vida.

É possível que existam pessoas que se sintam incomodadas pela sua determinação, mas isso não é problema seu. Talvez isso aumente as dificuldades de você se “enquadrar”, mas se o preço é você trair a si mesmo, talvez você tenha que pensar em qual o sentido de continuar por esse caminho.

A boa notícia é que, com o tempo, se você for capaz de preservar os seus limites de forma pacífica, falando as coisas com calma, as pessoas acabam se acostumando, respeitando, e entendendo as linhas vermelhas do que você estabeleceu.

Tenha uma folga, seja flexível

Apesar de ser importante definir limites e deixá-los claros, também é preciso ter uma certa tolerância e ser flexível. Nem todo mundo irá concordar com suas opiniões e isso pode dar lugar a mal entendidos. Nem todo mundo que ultrapassar a sua linha estará com más intenções. Inclusive, pode ser que o façam com a melhor das intenções.

Nesses casos você precisa ter um certo jogo de cintura e considerar a boa intenção do outro. Sempre aja como se não houvesse maldade nas suas intenções. Sim, às vezes para isso é preciso fazer um trabalho de suprimir a incredulidade maior do que se você estivesse assistindo a um filme de Marvel, mas é muito mais saudável e fácil de levar.

“Quando a gente sabe dizer não, o sim tem um sabor muito diferente.”
-Alejandro Jodorowsky-

Perdão demais pode ser ruim

Apesar da flexibilidade que pode ser demonstrada, os limites existem para serem respeitados. Mas se constantemente alguém está ultrapassando a marca, então estará dificultando a solução do problema. Por isso, é preciso deixar as coisas claras o mais cedo possível.

O bom é que as coisas, se forem bem ditas, só precisam ser ditas uma vez. Mas quanto mais você deixar passar, mais complicado será, e mais risco você está correndo de que o outro se ofenda, mesmo que você se dirija ao outro com bons modos.

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Por outro lado, não esqueça de que, quanto mais você ceder nas suas linhas vermelhas, mais difícil será recuperar o terreno que entregou de mãos beijadas e mais você estará exposto a conflitos. Portanto, se você quer respeito, precisa começar se respeitando. Perdoe, sim, mas não se faça de bobo. Uma vez, no máximo duas, é mais do que suficiente.

“Falemos o que for preciso dizer. Podemos falar suavemente, mas com firmeza, falando com o coração. Não precisamos ser críticos ou insensíveis, nem culpar ou se mostrar cruel quando falamos nossas verdades.”
-Melody Beattie-

Dicas para falar as coisas com assertividade

Para falar as coisas com assertividade não basta soltar a lista de limites que você quer deixar claros e que não podem ser ultrapassados, ou dizer para o outro simplesmente, “você está atravessando a linha, por favor, respeite o meu espaço”. Além de ter as coisas claras e ter a capacidade para dizê-las com serenidade, também é preciso saber o que dizer.

Estas são as quatro dicas para falar as coisas com assertividade, de forma que os limites estabelecidos tenham mais probabilidade de serem respeitados:

  • Avise a outra pessoa que você tem uma coisa a lhe dizer, sem demonstrar uma reação emocional ou mandando uma mensagem de acusação. Se você está no meio de uma conversa e ela lhe deu um coice, peça uma pausa.
  • Diga qual é o problema e por que ele é um problema. Explique o que incomoda você e exponha os seus motivos.
  • Explique como você gostaria que ela se comportasse com você e os benefícios que ambos obterão com isso.
  • Procure chegar a um acordo e a um entendimento. Se ela disser que não entende você ou que não gosta da sua atitude, você pode enfatizar os seus motivos.

Este tipo de comunicação pode ser um poderoso corretivo para um mal comportamento. Procure a proximidade com o outro, de forma firme mas ao mesmo tempo aberta, honesta e sincera. Claro, sempre existe a possibilidade de que o outro não mude a sua atitude, mas pelo menos você terá criado a oportunidade de um entendimento pacífico.

De qualquer forma, evitar o confronto violento ou com maus-tratos sempre é uma boa ideia. Se o outro tem vontade de discutir, não entre no jogo. Desse jeito vocês não chegarão a lugar nenhum. Portanto, não vale a pena continuar. Diga-lhe com tranquilidade que é melhor deixar o assunto para outro momento no qual os estados de ânimo não interfiram para alcançar um ponto em comum.

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