O perigo das boas intenções - A Mente é Maravilhosa

O perigo das boas intenções

dezembro 14, 2016 em Psicologia 1136 Compartilhados
O perigo das boas intenções

Às vezes, muitas das boas intenções que temos ficam vazias se não estiverem acompanhadas de atos que as transformem em realidade. Outras vezes, é melhor ficar apenas nas boas intenções em vez de passar diretamente para a ação: podemos prever uma consequência inadequada e suficientemente impeditiva para afastar a ação.

Embora muitos dos bons desejos sejam realizados pensando no que é melhor para o outro, é possível que o resultado final não seja o esperado. Muitas vezes tomamos decisões com base em sentimentos e, carregados de ingenuidade, pensamos que tudo é possível se for feito de coração.

“O caminho do inferno está cheio de boas intenções.”
– Marina. Carlos Ruiz Zafón-

No entanto, nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos. Apesar dos bons desejos, nossas ações podem causar muitos danos. Antes de agirmos, convém refletir sobre o que faremos, se temos a capacidade necessária para realizar tal ação, e que consequências podem surgir após a ação realizada.

Quando o ato é pior que a intenção

Apesar das contínuas mensagens que recebemos, do tipo “Para conseguir determinada coisa você só precisa sonhar”, ou “Nada é impossível”, a verdade é que existem coisas que não podemos conseguir apenas desejando.

Se as boas intenções não estiverem acompanhadas dos conhecimentos necessários, podem acabar sendo perigosas.  As decisões que nós tomamos podem influenciar tanto a nós mesmos quanto as pessoas que amamos e, sem intenção de causar-lhes dano, podem acabar sendo prejudiciais.

Se quiséssemos operar um familiar que está doente para salvar sua vida, precisaríamos não apenas de boas intenções, mas também dos conhecimentos necessários: do contrário acabaríamos matando a pessoa (mesmo tendo agido com toda a nossa boa intenção).
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Efeito Dunning-Kruger

O conhecido efeito Dunning-Kruger vem para dizer que quanto menos sabemos algo, mais acreditamos saber. Assim, as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre uma área concreta podem se sentir competentes sem terem consciência da sua grande ignorância. Muitos psicólogos estão cansados de escutar: “Eu sei mais de psicologia do que você, mesmo não tendo feito faculdade”.

“A super-valorização do incompetente nasce da má interpretação da capacidade de si mesmo. A subestimação do competente nasce da má interpretação da capacidade dos demais”.
-David Dunning e Justin Kruger-

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O mesmo pode acontecer com as ações que realizamos ou conselhos que damos aos outros, pensando que são os melhores para eles. Familiares, amigos ou pessoas desconhecidas que constroem seu negócio unicamente sobre os pilares das boas intenções, sem reparar no conhecimento, normalmente estão selando seu fracasso.

Presos em nossas ideias

Quando alguém só olha em uma direção, é complicado abrir seus olhos para outros horizontes. As ideias em conflito não se dão bem, causam mal-estar e não são bem recebidas em nossa mente. Por isso mesmo costumamos descartar uma perspectiva, acomodando a realidade à visão que mais nos agrada.

O efeito da dissonância cognitiva explica que quando a pessoa tem dois pensamentos opostos, por exemplo, “Acredito que o que eu faço é bom para os demais” e “Muitas pessoas dizem que o que eu faço pode ser prejudicial”, ela sente um mal-estar interno que precisa eliminar.

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Devido ao próprio funcionamento da nossa mente, é complicado deixar as ideias predeterminadas que nós temos. Quando algo contradiz o nosso ponto de vista, a saída mais natural é neutralizá-lo rapidamente, procurando algo que apoie nossa postura ou que desqualifique a pessoa que está propondo a nova ideia. Para alguns, este “exercício de defesa” se transformou em um processo tão automático que nem sequer temos consciência de que o estamos executando.

Quando você soma o efeito Dunning-Kruger e a dissonância cognitiva, os resultados podem ser desastrosos. Não há nada mais perigoso do que um ignorante que pensa ser capaz de qualquer coisa, quando na verdade é incapaz de olhar em outras direções que não seja a sua própria.
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A importância do conhecimento

As boas intenções não são suficientes por si só em muitos aspectos da nossa vida. Quando se trata de assuntos importantes, como a saúde e o bem-estar, é necessário que os desejos positivos sejam acompanhados pelo conhecimento e pela ética profissional.

conhecimento

Apesar de muitas pessoas se aproximarem de nós com boas intenções, lembre-se de que, às vezes, elas não são suficientes. Refletir antes de agir e procurar a opinião de um especialista pode ser mais benéfico do que se deixar guiar por palavras que são muito bonitas, mas que também são sedutoras e perigosas.

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