Depressão e desempenho acadêmico: qual é a relação?

20 Julho, 2020
A depressão e o desempenho acadêmico podem estar intimamente relacionados, pois as emoções do indivíduo podem influenciar os ambientes nos quais ele se desenvolve.

Instalar a apatia e a tristeza em nosso estado de espírito pode ter consequências sobre outras áreas das nossas vidas, impactando vários âmbitos diferentes. Hoje, vamos falar sobre depressão e desempenho acadêmico e, mais especificamente, vamos nos focar em tentar entender a relação entre essas duas variáveis.

A verdade é que todos nós já sentimos nosso espírito evaporar alguma vez. Esse devir tão comum costuma ser acompanhado por uma certa apatia social, passando a contar com menos e piores reforçadores. Esse é o contexto no qual vamos analisar a relação entre depressão e desempenho acadêmico.

O desempenho acadêmico

O desempenho acadêmico é uma medida de performance que pode ser expressa de maneira absoluta ou relativa. Por outro lado, a avaliação desse desempenho não vai depender apenas da pessoa que o realiza.

Uma das variáveis ​​que teria a ver intrinsecamente com a pessoa seria a inteligência. Mas, quando falamos de inteligência, não estamos nos referindo apenas à inteligência intelectual. Psicólogos, como Howard Gardner, defendem a existência de diferentes inteligências. Por exemplo: a naturalista, a intelectual, a interpessoal, a emocional, entre outras.

Por outro lado, o desempenho acadêmico serve para expressar o desempenho de uma pessoa em uma área específica: a acadêmica. Em alguns casos, a inteligência é avaliada de acordo com o resultado de uma avaliação final; em outros, é avaliada de tempos em tempos; em outros, o comportamento é incluído na avaliação etc. Cada local vai estabelecer quais são os critérios para determinar qual foi o desempenho de um aluno. Apesar disso, também é possível avaliar o trabalho do professor, da coordenação, da orientação, etc.

Mulher estudando em casa

A depressão

A depressão é definida de forma precisa pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Falamos de depressão maior quando estão presentes cinco ou mais dos sintomas a seguir, por pelo menos duas semanas, representando prejuízos à adaptação da pessoa. Além disso, pelo menos um dos sintomas deve ser que a pessoa esteja em um estado depressivo ou com perda de interesse ou prazer. Vamos ver os sintomas:

  • Estado depressivo na maior parte do dia, quase todos os dias.
  • Diminuição significativa do interesse ou do prazer pela maioria das atividades, quase todos os dias.
  • Perda de peso sem dieta ou ganho de peso, ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias.
  • Insônia ou hipersonia quase todos os dias.
  • Sensação de fadiga ou perda de energia.
  • Agitação ou atraso psicomotor.
  • Sensação de invalidez ou sentimento infundado ou excessivo de culpa (que pode ser delirante), quase todos os dias.
  • Pensamentos recorrentes de morte (não apenas medo da morte), pensamentos suicidas recorrentes sem um plano específico, tentativa de suicídio ou um plano para executá-lo.
  • Diminuição da capacidade de concentração ou de decisão quase todos os dias.

Esses aspectos podem ser determinados com base em informações subjetivas ou na observação de outras pessoas. Além disso, os sintomas causam um mal-estar clinicamente significativo e interferem em áreas importantes do funcionamento.

Por outro lado, esse episódio não pode ser atribuível ao consumo de nenhuma substância, o quadro da pessoa não pode ser melhor explicado por um transtorno esquizoafetivo, esquizofrenia, transtorno esquizofreniforme, transtorno delirante ou outro transtorno especificado ou não da esquizofrenia e outros transtornos psicóticos. Além disso, nunca deve ter havido um episódio maníaco ou hipomaníaco.

Existem outros transtornos relacionados à depressão que compartilham alguns dos sintomas mencionados acima. No entanto, neste artigo vamos nos focar no transtorno depressivo maior.

Qual é o vínculo entre a depressão e o desempenho acadêmico?

A depressão maior tem um impacto profundo na pessoa.  Um impacto que também é transferido para o desempenho acadêmico. No entanto, terá uma influência maior ou menor, dependendo de diferentes circunstâncias. Vamos analisar brevemente o vínculo:

  • Depressão e ambiente acadêmico. A depressão maior faz com que as pessoas percam o interesse por muitas das atividades cotidianas que antes faziam motivadas. Essa ideia também é transferida para o campo acadêmico.
  • Influência do desempenho acadêmico na depressão. Às vezes, a percepção do desempenho acadêmico pode ser um fator de risco para a depressão maior.
  • Influência da depressão maior no desempenho acadêmico.  A depressão pode afetar a concentração, a tomada de decisões, a atenção, a perda de interesse, a frustração, o sentimento de invalidez, o sentimento de culpa, a falta de motivação, a baixa tolerância à frustração, etc. Além disso, a presença desses sintomas pode causar problemas no desempenho acadêmico, pois a pessoa não estará dando todo o seu potencial.

No entanto, é necessário esclarecer que o desempenho acadêmico pode ser afetado pela mudança em diferentes variáveis, não apenas pela depressão. Então, não poderíamos atribuir um baixo desempenho acadêmico exclusivamente à depressão. Naturalmente, diferentes fatores podem aparecer ou outros podem ser adicionados.

Então, quando falamos sobre o vínculo entre depressão e desempenho acadêmico, estamos nos referindo a uma relação de mão dupla. A depressão pode prejudicar o desempenho acadêmico, e a percepção do desempenho acadêmico pode levar, junto com outros fatores ou não, à depressão maior.

Embora nem sempre exista uma relação, a possibilidade existe. De fato, existem várias pesquisas que mostram a associação entre depressão e baixo desempenho acadêmico. Por exemplo, a de Franco Mejía. Gutiérrez Agudelo y Perea, em seu artigo para a Revista Psicogente, no qual foi observada uma relação estatisticamente significativa entre a depressão e o desempenho acadêmico regular ou ruim em estudantes de Administração de uma Universidade Pública de Santa Marta, na Colômbia.

Jovem triste na escola

Como lidar com a depressão no ambiente acadêmico?

Para lidar corretamente com a depressão, é importante a participação de diferentes atores.  Vamos ver:

  • Instituição.  A instituição deve velar pelo bem-estar de seus alunos. Nesse sentido, com a criação de dinâmicas atrativas, muitas instituições acadêmicas têm a oportunidade de acabar se tornando um valioso fator protetor contra a depressão.
  • Família.  Na maioria dos casos, é a família que está mais próxima da pessoa. Também é o fator que tem mais influência: suas opiniões e diretrizes são as que têm maior peso para a pessoa que está passando por uma depressão. Dessa maneira, as famílias podem tornar crônica ou mais intensa a depressão ou, pelo contrário, ser uma ajuda inestimável para que a pessoa consiga sair dela.
  • Sujeito.  Se a pessoa se conhece bem o suficiente, pode perceber as mudanças pelas quais está passando nos níveis cognitivo, comportamental e afetivo. Portanto, pode procurar ajuda, seja com pessoas próximas ou com um profissional, dependendo do caso.
  • Organizações de saúde.  Os organismos de saúde devem estar preparados para lidar com esse tipo de transtorno, bem como para promover a saúde e prevenir doenças.

Se você tiver os sintomas acima descritos e perceber que isso está afetando seu desempenho acadêmico e outras áreas da sua vida, procure ajuda (de um psicólogo ou um psiquiatra). Por outro lado, muitas vezes caímos na tentação de enfrentar mais desafios do que podemos superar, assim como assumir mais responsabilidades do que podemos responder. Além disso, a depressão não é típica de pessoas de caráter fraco ou desequilibradas, não diz nada sobre a pessoa, e sim sobre o que está acontecendo com ela em um determinado período de tempo e sob certas circunstâncias.

  • American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of menta disordes (DSM-5). Estados Unidos: American Psychiatric Pub.
  • Mejía, C.F., Agudelo, S-G & Perea, E. (2011). ASociación entre depresión y bajo rendimiento académico en estudiantes universitarios. Psicogente, 14(25), 67-75.