Depressão pós-parto: tenho um filho e não posso estar triste

junho 14, 2020
A depressão pós-parto não ocorre por algo que a mãe faz ou deixa de fazer. Depois de dar à luz, os níveis de hormônios (estrogênio e progesterona) das mulheres caem rapidamente.

“Tenho um filho e não posso estar triste”. Esta frase, que não é uma das mais associadas à gravidez, se repete na cabeça de um grande número de mulheres que sofrem de depressão pós-parto, mesmo que de forma não verbalizada ou expressada.

As conotações que a gravidez implica nem sempre cumprem as expectativas das mães. Na nossa sociedade, é predominante a imagem da gravidez idealizada e tendenciosa devido à enorme alegria que a chegada de um novo membro à família traz.

Tanto a gravidez quanto o período após o parto são momentos de grande vulnerabilidade para a mulher. Neles, aparecem não apenas sentimentos de alegria e felicidade, mas também sentimentos de ansiedade e síndromes depressivas.

De acordo com alguns estudos, entre 10% e 25% das mulheres apresentam sintomas depressivos após darem à luz.

“Sei que muitos de vocês provavelmente estão imaginando por que eu publicaria esta imagem, mas levei 18 meses para chegar até aqui, 18 meses para não chorar quando me olho no espelho, 18 meses para finalmente me sentir bonita no meu próprio corpo outra vez”.

– Alexandra Kilmurray – Mãe que sofreu de depressão pós-parto, pioneira ao publicar nas redes sociais imagens reais de seu corpo após a gravidez.

Depressão pós-parto

Como acabar com os tabus relacionados à depressão pós-parto?

A depressão é uma alteração patológica do estado de espírito, com diminuição do humor e tristeza, acompanhada por sintomas vegetativos, emocionais, de pensamento, de comportamento e dos ritmos vitais que persistem por, pelo menos, duas semanas.

A gestação é uma etapa de alta incidência de transtornos depressivos e o puerpério é o período de maior risco de depressão na vida da mulher. Segundo Jadresic, os transtornos durante esse período mais comuns são disforia pós-parto, depressão pós-parto (DPP) e psicose pós-parto (Jadresic, 2005).

A depressão pós-parto não tem apenas uma causa; é consequência de uma combinação de fatores físicos e emocionais. A depressão pós-parto não ocorre por algo que a mãe fez ou deixou de fazer. Depois de dar à luz, os níveis hormonais (estrogênio e progesterona) das mulheres diminuem bruscamente.

Os níveis reduzidos de estrogênio e progesterona causam alterações químicas no cérebro que podem provocar mudanças no estado de espírito. Além disso, muitas mulheres não conseguem descansar como deveriam para poder se recuperar totalmente do parto. A privação de sono pode causar incômodo físico ou esgotamento, fatores que podem contribuir para os sintomas da depressão pós-parto.

“Ninguém te avisa sobre os aspectos obscuros da maternidade e da gravidez. Ninguém te diz que haverá mudanças mentais e físicas depois de se tornar mãe” .
-Alexandra Kilmurray-

Mulher sofrendo

Como a família e as pessoas próximas podem ajudar?

É provável que familiares e amigos sejam os primeiros a perceberem os sintomas da depressão pós-parto em uma mulher que acabou de dar à luz. A depressão pós-parto não afeta apenas a pessoa que sofre dela, mas também o núcleo familiar e a relação do casal.

As pessoas mais próximas devem entender o estado de espírito dessas mães, ainda que elas estejam felizes pelo nascimento do bebê. A família deve proporcionar às mulheres que sofrem de depressão pós-parto um contexto onde elas possam falar sem medo de ser incompreendidas.

Expressar as emoções da situação pela qual estão passando, mesmo que pareçam inadequadas, vai ajudá-las a não se sentirem culpadas. Entender o que está acontecendo é decisivo para que a situação melhore, e isso não depende apenas da pessoa que sofre o transtorno, mas sim de toda a família.

Se, apesar do apoio familiar, os sintomas persistirem, é aconselhável e necessário buscar ajuda profissional. O primeiro passo para que essas mães entendam o que está acontecendo está relacionado à aceitação das emoções que estão experimentando, mesmo que sejam desagradáveis.

Quando elas se veem obrigadas a estar bem o tempo todo, e tanto o corpo quanto o estado de espírito dizem o contrário, a situação piora, desencadeando um sentimento de frustração.

Aplausos para todas mães que estão lutando contra a depressão pós-parto e têm que se levantar todos os dias pelos seus filhos.

  • Jadresic E. Trastornos depresivos posparto. En: Correa E, Jadresic E, eds. Psicopatoiogía de la Mujer. Santiago: Editorial. Mediterráneo, 2005; 159-75