Depressão reativa: quando os acontecimentos externos nos atingem

· junho 22, 2018

Uma morte, uma separação, um assédio moral, uma situação de intenso estresse familiar mantida ao longo do tempo… a depressão reativa pode surgir por diferentes causas. Este estado caracterizado pelo abatimento, pela falta de esperança e pela irritabilidade sempre parte como resposta a um ou vários acontecimentos externos que, em um determinado momento, nos atingem.

Algo que todos nós sabemos é que nem sempre é fácil encontrar a origem de um quadro depressivo. Os fatores psicológicos, ambientais e pessoais muitas vezes formam um nó extremamente complexo e muito difícil de desatar. Entretanto, cabe dizer que em muitos casos há um gatilho muito claro. Surge uma causa de estresse com a qual o paciente não sabe lidar, derivando em uma série de processos psicológicos que esgotam e invalidam.

A depressão reativa surge como resposta a um acontecimento negativo na vida da pessoa, sendo mais comum entre as mulheres do que entre os homens. Ela tem, quase sempre, algum acontecimento familiar como origem.

A depressão reativa ou situacional é o transtorno de humor mais comum no meio clínico. De alguma forma, conhecer esta condição pode nos ajudar a ter consciência de um importantíssimo aspecto. Todos nós somos suscetíveis a viver este tipo de realidade pessoal.

Além de suas causas fisiológicas, há também outro âmbito psicossocial que nem sempre está sob nosso controle. Porque a vida, como disse uma vez Vicente Aleixandre em um de seus poemas, é difícil, tão difícil que não basta só remar com força para avançar. Às vezes ficamos encalhados.

Mulher sentada em píer

O que é a depressão reativa e quais são os seus sintomas?

Há um fato evidente e que a maioria de nós já vimos em mais de uma ocasião. Quando a vida nos golpeia em qualquer uma de suas formas (seja num assalto, ao perder um emprego, sofrer uma traição num relacionamento, etc) nem todos nós sofremos seus efeitos da mesma forma. Há quem, pelas razões que sejam, dispõe de melhores recursos, de maior flexibilidade psicológica, de um coração resiliente mais forte e experiente.

Outros, por sua vez, recebem o impacto como quem é atingido por um objeto pesado no para-brisa do carro. O mais provável é que esta superfície não se rompa na primeira vez, mas o vidro vai apresentar uma rachadura, e o que é ainda mais perigoso: ficará o que se conhece como estresse residual.

Mais cedo ou mais tarde esse para-brisa vai acabar se rompendo com algum novo impacto. O mesmo acontece com muitas pessoas. Após um acontecimento adverso ou problemático, algumas pessoas podem demorar semanas para começar a evidenciar o quadro clínico de uma depressão reativa.

Sintomas da depressão reativa

Já dissemos muitas vezes em nosso site; nenhum transtorno psicológico apresenta uma sintomatologia exata em todo paciente. E mais, muitas vezes temos quadros clínicos muito heterogêneos e complexos. Dessa forma, no que diz respeito à depressão reativa, um outro fato é adicionado: ela tem uma ligação muito forte com a personalidade do paciente. No entanto, algumas dimensões distintivas desta condição costumam ser evidenciadas:

  • A sensação de tristeza e abatimento é uma característica comum em todos os pacientes. Esta realidade emocional surge após um evento problemático que a própria pessoa interpreta como a origem de seu estado.
  • Há também uma perda de interesse por todo tipo de atividades, assim como a falta de prazer, motivação ou capacidade de se responsabilizar pelas tarefas cotidianas.
  • A pessoa perde a energia por completo, o simples fato de se levantar da cama exige um grande esforço.
  • Sentimentos de culpa e pensamentos catastróficos.
  • A pessoa foca sua atenção unicamente nos aspectos negativos de tudo em que ela está envolvida.
  • Um fato que ajuda os especialistas a diferenciar a depressão endógena da reativa é que nessa última não há muitos sintomas físicos. Ou seja, os pacientes não apresentam excessivas dores musculares, dores de cabeça ou perda de peso, mas experimentam insônia ou hipersonia.
Homem diante de janela

Quais fatores podem predispor a uma depressão reativa?

Dispomos de vários estudos com os quais entendemos cada vez melhor a anatomia desse tipo de depressão. Assim, neuropsiquiatras como Jin Mizushima explicam que não devemos descuidar do fator personalidade, assim como de outros condicionantes. Vejamos alguns deles.

  • As pessoas submetidas a situações de estresse constantes são mais suscetíveis a desenvolver esta condição.
  • Além de serem perfis com uma elevada autoexigência, são pessoas muito perfeccionistas. 
  • Enquanto na depressão endógena costuma existir um fator genético, na depressão reativa outros fatores pesam mais, como a baixa autoestima e um estilo de atribuição externo. São dimensões psicológicas nas quais a pessoa sente que não tem controle algum sobre a realidade, e todo acontecimento, todos os seus êxitos ou fracassos dependem de fatores externos.

Tratamento para a depressão reativa

Assim como dissemos no início, a depressão reativa é um dos transtornos mais comuns entre a população, especialmente entre as mulheres. Entretanto, apesar de sua incidência, cabe dizer que, dentre todos os tipos de depressão, essa é a que tem um melhor prognóstico. No geral, é imprescindível buscar ajuda profissional, sendo a terapia cognitivo-comportamental a mais bem-sucedida nestes casos.

  • Dispor de um vínculo forte com o psicólogo é o segredo para começar a abordar estes acontecimentos estressantes que tanto causaram impacto no paciente. Enfrentar os fatos, lidar com todo este acúmulo de emoções e propiciar uma adequada reestruturação cognitiva capaz de gerar novos comportamentos mais adaptados e positivos é, sem dúvidas, um dos enfoques mais prioritários.
  • Somado a isso, também não se pode deixar de lado o aspecto farmacológico. Assim, antidepressivos como os ISRS, ISRN ou tricíclicos, por exemplo, costumam ser os que podem oferecer mais resultados.
Mulher caminhando sozinha

Para concluir, queremos dizer somente que a grande maioria das pessoas acaba respondendo bem rápido ao tratamento uma vez que o problema subjacente é abordado, e quando são usadas também as ferramentas adequadas para superar a doença. Não podemos pensar duas vezes antes de procurar ajuda e evitar que estes momentos tão dolorosos se tornem crônicos ao longo do tempo.