A teoria da personalidade de Sigmund Freud

A teoria da personalidade de Sigmund Freud
Gema Sánchez Cuevas

Escrito e verificado por a psicóloga Gema Sánchez Cuevas.

Última atualização: 29 junho, 2023

A teoria da personalidade de Sigmund Freud foi variando à medida que seu desenvolvimento teórico foi avançando. Para Freud, a personalidade humana é produto da luta entre nossos impulsos destrutivos e a busca pelo prazer, sem deixar de lado os limites sociais como entidades reguladoras.

A construção da personalidade vem a ser um produto: o resultado da forma que cada pessoa usa para lidar com seus conflitos internos e as demandas do exterior. A personalidade mascara, assim, a forma como cada um se desenvolve no meio social e enfrenta seus conflitos: internos e externos.

Freud, médico neurologista, austríaco e pai da psicanálise, expôs cinco modelos para conceitualizar a personalidade: topográfico, dinâmico, econômico, genético e estrutural. Esses cinco modelos pretendiam formar um esquema completo, no qual pudesse ser articulada a personalidade de cada um de nós.

Modelos da teoria da personalidade de Sigmund Freud

A teoria da personalidade de Freud caracteriza-se por ser estrutural. Os modelos que explicamos a seguir não devem ser tomados como uma verdade absoluta. No entanto, são ferramentas de grande utilidade para poder compreender a dinâmica da psique humana. Embora sejam explicados separadamente, todos estão relacionados entre si.

1- Modelo Topográfico

Freud utilizou a metáfora das partes do iceberg para facilitar a compreensão das três regiões da mente. A ponta do iceberg, que é a parte visível, equivale à região consciente. Teria a ver com tudo aquilo que pode ser percebido em um momento particular: percepções, lembranças, pensamentos, sonhos e sentimentos.

A parte do iceberg que fica submersa, mas que ainda pode ser vista, equivale à região pré-consciente da mente. Tem a ver com tudo aquilo que somos capazes de recordar: momentos que já não estão disponíveis no presente, mas que podem ser trazidos à consciência.

O grosso do iceberg, que fica oculto sob a água, equivale à região do inconsciente. Nessa área ficariam guardadas todas as lembranças, sentimentos e pensamentos inacessíveis para a consciência. Guarda conteúdos que podem ser inaceitáveis, desagradáveis, dolorosos, conflituosos e, acima de tudo, angustiantes para a pessoa.

2- Modelo dinâmico

Esse modelo é, possivelmente, um dos mais difíceis de compreender na teoria da personalidade de Sigmund Freud. Tem a ver com a dinâmica psíquica produzida na mente do sujeito, entre os impulsos que buscam a gratificação sem medida e os mecanismos de defesa que procuram inibi-los.

A dinâmica psíquica reguladora tem como objetivo primordial fazer com que cada pessoa possa se desenvolver e se adaptar ao meio social.

Os mecanismos de defesa que se derivam desse modelo são: repressão, formação de reação, deslocamento, fixação, regressão, projeção, intelectualização e sublimação; são pilares importantes da teoria da personalidade de Sigmund Freud.

3- Modelo econômico

Tem a ver com a forma de funcionamento daquilo que Freud denominou “pulsão”, que pode ser entendida, a grosso modo, como a energia que nos impulsiona a buscar um determinado objetivo.

A pulsão é o motor e a energia que nos move. Nesse sentido, Freud considerava que todo comportamento era motivado pelas pulsões, que foram divididas em pulsão de vida (eros) e pulsão de morte (tânatos).

A pulsão de vida está relacionada com a capacidade de autoconservação do indivíduo, impulso para criar, se proteger, se relacionar, etc. Já a pulsão de morte está relacionada com as tendências destrutivas do ser humano para consigo mesmo ou para com o outro, tendo relação com o princípio de Nirvana, que é o nada, a não-existência, o vazio.

4- Modelo Genético

Este modelo segue as cinco etapas do desenvolvimento psicossexual. Caracterizado pela busca de gratificação nas zonas erógenas do corpo, cuja importância depende da idade. Freud descobriu que não apenas o adulto encontra satisfação nas zonas erógenas, mas a criança também.

A gratificação excessiva nessas etapas ou a frustração repentina de alguma delas fará com que certos tipos de personalidade se desenvolvam.

As etapas e os estágios do desenvolvimento psicossexual, na teoria da personalidade de Sigmund Freud, são:

  • Etapa oral: de 0 a 18 meses. O foco de prazer é a boca – chupar, beijar, morder. Nesta fase, a fixação se relaciona com uma personalidade oral receptiva e contínua buscando o prazer por meio da boca (fumar, comer demais, etc.). Do contrário, a frustração repentina se relaciona com uma personalidade oral agressiva: procura o prazer sendo verbalmente agressivo e hostil com os demais.
  • Etapa anal: de 18 meses a 4 anos de idade. O foco de prazer é o ânus – reter e expulsar. Um controle muito estrito da mesma se relaciona com a personalidade egoísta, mesquinha. Ou, pelo contrário, uma personalidade relaxada, frouxa.
  • Etapa fálica: de 4 a 7 anos de idade. O centro do prazer está concentrado nos genitais. A masturbação é bastante comum nestas idades. Acontece a identificação com o pai ou com a mãe. Nessa etapa resolve-se o complexo de Édipo. Esse complexo estrutura a personalidade e serve para aceitar as normas sociais por parte do indivíduo.
  • Etapa de latência: de 7 a 12 anos. Durante este período, Freud supôs que a pulsão sexual era suprimida a serviço da aprendizagem para facilitar uma integração cultural do sujeito com o seu entorno.
  • Etapa genital: De 12 anos em diante. Representa a aparição da pulsão sexual na adolescência, dirigida mais especificamente para as relações sexuais. A identidade sexual de homem ou mulher é reafirmada.
Mãe e filha dando as mãos

5 – Modelo Estrutural

Esse modelo, na teoria da personalidade de Sigmund Freud, destaca-se pela separação da mente em três instâncias. Essas três instâncias se desenvolvem ao longo da infância. Cada instância tem funções diferentes que agem em diferentes níveis da mente, mas de maneira conjunta, para formar, assim, uma estrutura única de personalidade.

  • Id: é a parte primitiva e inata da personalidade, cujo único propósito é satisfazer os impulsos da pessoa. Representa as necessidades e desejos mais básicos, as pulsões.
  • Ego: evolui de acordo com a idade e age como um intermediário entre o id e o superego. Representa a forma como enfrentamos a realidade.
  • Superego: representa os pensamentos morais e éticos recebidos da cultura, a lei e a norma.

Para concluir, devemos saber que os modelos interagem entre si. Fazem da personalidade um conjunto dinâmico de características psíquicas que condicionam o modo como cada pessoa age diante das circunstâncias enfrentadas.

“O preço que pagamos por nosso avanço em termos de civilização é uma perda de felicidade pela intensificação do sentimento de culpa.”
– Sigmund Freud –


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