Desapegue-se da ideia de "desapegar"

Desapegue-se da ideia de “desapegar”

30, julho 2016 em Psicologia 3 Compartilhados
Desapegue-se da ideia de "desapegar"

Apague de sua mente a ideia de eliminar tudo o que o atormenta, pois quando não consegue, isso o angustia ainda mais. Não se sinta culpado e não pense que é pouco hábil com suas emoções, dê-se conta de que você está lutando contra si.

Se conseguir vencer a batalha, será você quem ganha mas também quem perde, e isso é algo que você não pode permitir. Ou seja, se alguém consegue arrancar com violência aquilo de que não quer se desfazer, algo dentro da pessoa será prejudicado.

Permita que suas emoções lhe ensinem o que devem e não tente encarcerá-las. Se você se aceita, ganhando ou perdendo, sairá ganhando.

“Solte a ideia de ‘deixar ir’. (E desapegue-se do fato de não ser capaz de ‘se desapegar’.)

Simplesmente deixe o momento fluir como está. Ou não.

E o que é que resta por ‘soltar’?”
-Jeff Foster-

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Não se torture tentando desapegar: cada sentimento tem seu momento

Não se torture pensando que você tem que se desapegar a todo custo; por exemplo, muitas vezes não podemos deixar de apreciar uma parte daquelas pessoas que diríamos que são tóxicas.

Às vezes temos motivos para querer que algo que nos prejudicou em algum momento permaneça; outras, simplesmente não podemos encontrar razões de peso para deixar ir. Também pode nos ocorrer que não consigamos fazê-lo, apesar de termos tido tudo a nosso favor.

Seja qual seja sua situação, recorde-se de que, para sentir, cada um tem seu tempo. Não tenha medo de si mesmo, não deixar ir nunca será um sinal de fraqueza, mas uma forma de aprender a tomar o tempo necessário para não dramatizar uma saída.

Apenas quem se perde pode se encontrar

É natural que queiramos que o que nos prejudica saia de nossa vida, mas nos enganamos ao não querermos escutar o que cada vivência nos traz. Se a escuta e a aceitação não se realizam, “soltar ou deixar ir” será apenas um fim em si mesmo.

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Às vezes não somos capazes de “soltar” aquilo que nos faz mal. Isso nos angustia ainda mais e, como consequência, jogamos por terra todo o trabalho emocional que tentamos realizar, pois acabamos pensando que nunca seremos capazes de viver em plenitude.

Soltar de um só golpe significa arrancar, e os puxões sempre fazem mal. Temos que levar o tempo necessário para respirar e encontrar uma bolha de ar que não esteja contaminada.

“O amor leva ao sofrimento porque você pode perdê-lo, mas negar o amor para evitar o sofrimento não é uma solução, já que se sofre por não tê-lo. Então, se a felicidade é o amor e o amor é sofrimento, digo: a felicidade é também sofrimento”.
Sonia, em Amor e Morte, de Woody Allen.

Abraçar nossos anjos e demônios

Você aprende a se desapegar deixando morrer tudo aquilo que você acreditava saber com o objetivo de se reconciliar com sua imagem no espelho. Dando-se conta de que cada emoção e cada sentimento são pequenas criaturas adoráveis que você tem que tratar com respeito e cuidado.

Não se inquiete nem ignore a si mesmo; mantenha seu próprio ritmo e avalie, sem se distrair, os prós e os contras de cada situação. Ofereça aos seus sentimentos um lugar dentro de si no qual possam respirar e se sentir seguros.

Expresse-se, conte até três e sinta. Suas emoções não são um castigo, nem algo a que você deve renunciar. Se você tenta encarcerá-las, apenas sua presença lhe causará angústia, e você se sentirá ansioso e sufocado.

Pense que tudo o que há ao seu redor você deve a si mesmo e a aos filtros pelos quais você faz passar a sua realidade. Libere suas emoções e não tente aquietá-las; geralmente, quando sua atitude é de escuta, elas conseguem se tranquilizar e se comunicar consigo.

Não podemos brincar de esconde-esconde com nossos sentimentos. Escute em sua mente o eco do seu coração, pulse com a vida e não imponha limites a suas emoções. Aceite e deixe fluir; o momento que lhe compete viver é o que está acontecendo agora.
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Imagens: cortesia de Benjamin Lacombe e NicoletaCeccoli.

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