A diferença entre fantasia e desejo

· agosto 23, 2016

Milhões de pensamentos passam por nossas mentes todos os dias, mas selecionamos apenas aqueles que consideramos mais relevantes.

Nós escolhemos os pensamentos que mais nos representam em um determinado momento, que servem para resolver problemas específicos e que estão de acordo com a nossa visão do mundo, das pessoas e do futuro.

É esta capacidade tão humana que nos permite mudar o mundo à nossa volta e modificar a nossa maneira de interpretá-lo. No entanto, também somos frágeis e podemos sucumbir a pensamentos negativos que nos ferem e nos paralisam.

A nossa mente é capaz de imaginar o melhor, mas também de recriar os nossos piores pesadelos.

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A ansiedade patológica, por exemplo, baseia-se na nossa interpretação de situações que classificamos como uma ameaça e que só existem na nossa imaginação.

Ou seja, nós mesmos, influenciados por essas suposições do que pode acontecer, nos paralisamos diante de uma ameaça inexistente.

Nosso pensamento, combinado com experiências passadas e reações corporais de medo, antecipam um desastre.

A melhor amiga e a pior inimiga da alma é a fantasia

A fantasia nos permite construir mundos paralelos, criaturas impossíveis e grandes roteiros. Esta capacidade não beneficia somente a criação artística, mas a ciência avança graças à fantasia de irmos além do que vemos.

É importante conhecer o limite entre fantasia e realidade. É nesse ponto que se esconde o grande mistério do que realmente queremos e do que simplesmente imaginamos.

A chave está em saber que somos capazes de imaginar o melhor, mas também o pior, e que nem tudo o que imaginamos é o que queremos. Eles são apenas isso: pensamentos.

“Quando eu examino a mim mesmo e os meus métodos de pensamento, chego à conclusão de que o dom da fantasia significou mais para mim do que meu talento para absorver conhecimento positivo”.

-Albert Einstein-

Podemos estar em um carro, imaginar que viramos o volante bruscamente e que, após esse ato voluntário, desencadeamos uma série de eventos que acabam levando a um desastre.

Nós somos capazes de imaginar o momento, as palavras de nossos parentes no hospital, a dor que causamos, a imagem do carro destruído e, se quisermos, imaginamos até o nosso próprio funeral. Mas nós não queremos isso.

Podemos andar na rua, observar uma pessoa e imaginar uma história em torno dela: fantasiar sobre a sua vida, o seu passado, onde trabalha, seus passatempos, suas fraquezas e até mesmo a fantasia de um encontro com ela. Mas, isso não significa que isto é assim e nem o que desejamos.

A fantasia pode transformar-se em desejo

O desejo é algo mais do que fantasia. A fantasia permanece em nosso pensamento e incentiva a nossa mente criativa.

No desejo existe um componente que incentiva a ação, uma intenção de movimento, enquanto na fantasia o componente é mental.

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Quando desejamos, sabemos que algo nos move por dentro e está de acordo com a nossa moral e a nossa forma de entender o mundo.

Por exemplo, temos uma fantasia, nos perguntamos se gostaríamos de realizá-la e a nossa resposta é sim. A partir desse momento, podemos realizar uma ação, um gesto que nos conduza até o objeto desejado.

Para percebermos claramente a diferença, pensemos na infidelidade:

Podemos ter fantasias com outras pessoas que não são nossos parceiros, mas não desejar executar essa ação.

Realmente são só pensamentos e nos divertimos com isso em silêncio, ou transformamos essa história em expressão artística. Isto não significa que somos infiéis, são apenas fantasias. Não se sinta culpado por isso.

Se essa fantasia se transformar em desejo, pode significar que vai além de um jogo mental. Isso pode mudar algo dentro nós e esse desejo pode levar-nos a agir para alcançar o nosso objetivo.

Pode ser que o nosso desejo nunca se transforme em realidade, mas podemos considerar que desejamos algo quando vamos além do nosso pensamento.

A fantasia não é desejo. Podemos ter fantasias e não querer realizá-las.