Efeito Ben Franklin: saiba mais sobre este fenômeno

Descubra o surpreendente efeito Ben Franklin

16, julho 2017 em Psicologia 184 Compartilhados
Efeito Ben Franklin: saiba mais sobre este fenômeno

O famoso cientista Benjamin Franklin disse uma vez que “um pai é um tesouro, um irmão um consolo, um amigo é ambos”. De acordo com essa frase, seria compreensível que fizéssemos um esforço extra para agradar as nossas amizades. No entanto, por que em muitas ocasiões também fazemos esforço para agradar as pessoas das quais não gostamos?  E… Por que esse curioso fenômeno recebe o nome de efeito Ben Franklin?

A explicação nasce de uma história muito curiosa, que não podemos deixar de compartilhar. Esse relato se baseia em uma ação cotidiana, e por vezes inconsciente, que nossos cérebros realizam para nos livrar desse desconforto produzido pela dissonância ou falta de coerência entre o que pensamos e o que fazemos. Vamos ver!

Qual é a origem do efeito Ben Franklin?

A origem do efeito Ben Franklin é realmente curiosa. Sabemos que Benjamin Franklin, inventor do para-raios, foi um dos fundadores dos Estados Unidos. Mas essa importante figura tinha um forte opositor na Assembleia Legislativa. Esse formidável adversário não tinha problema nenhum em demonstrar publicamente suas objeções ao programa político do cientista, tanto em público como em privado.

Essa singular animosidade não passava despercebida por Franklin e, além disso, o preocupava fortemente. No entanto, a forma como ele quis solucioná-la é curiosa. Para isso, ele se propôs a ganhar a confiança do seu crítico adversário.

Efeito Ben Franklin

Para isso, Franklin não pensou em outra coisa além de pedir um favor ao seu opositor. Como sabia que estava lidando com uma pessoa de elevado nível cultural, decidiu pedir um exemplar excepcionalmente raro de sua biblioteca privada, sem que no fundo Franklin tivesse grande interesse por tal obra.

O adversário, frente a esse pedido, se sentiu especialmente honrado e lisonjeado, de modo que não demorou para responder. Foi assim que Franklin ganhou o seu adversário, abrindo espaço primeiro para uma aproximação e depois para uma amizade que durou toda a sua vida.

 “Tome tempo para escolher um amigo, mas seja mais demorado ainda para trocá-lo.”
-Benjamin Franklin-

O que há por trás do efeito Ben Franklin?

Embora essa singular história tenha dado origem ao nome do efeito Ben Franklin, a verdade é que ela esconde uma base psicológica profunda. Assim, por trás dessa necessidade tão humana de agradar, na verdade, se fundamenta uma dissonância cognitiva… ou melhor, ela está motivada pelo interesse em evitar que tal dissonância ocorra.

Ou seja, o que Franklin consegue com seu pedido é provocar uma contradição no seu adversário: por um lado são fortes adversários políticos, pelo outro pode lhe fazer um favor. A situação em si não é contraditória, no entanto, é provável que o adversário de Franklin percebesse certa contradição nela: um sentimento de antipatia política frente a uma maneira simpática de agir.

A percepção de uma contradição desse tipo costuma produzir um mal-estar, de maneira que a pessoa costuma reajustar sua maneira de pensar. Foi exatamente isso que o adversário de Franklin fez, provavelmente também porque o valor que representava seu comportamento (o de emprestar o livro) tivesse uma maior desejabilidade social e pessoal que uma animosidade baseada unicamente em motivos políticos.

Assim, de alguma maneira, o adversário de Franklin, para justificar sua generosidade, teve que mudar a visão que tinha dele. Por outro lado, essa nova perspectiva facilitou, sem dúvidas, o começo de uma amizade que mais tarde seria consolidada.

O cérebro tenta justificar o injustificável?

Aparentemente nosso cérebro tenta justificar nossas ações e faz isso tentando não prejudicar a imagem que temos de nós mesmos. É esse fato que faz aparecer a dissonância cognitiva. Em seguida, tomamos medidas para que ela desapareça. Por exemplo, em um conflito bélico – que sabemos que é injustificável, mas do qual, ao mesmo tempo, participamos (mesmo que com a cumplicidade do silêncio) – nossa mente busca razões que justifiquem nossa postura. Essas razões podem estar vinculadas à defesa da liberdade, ao patriotismo ou, inclusive, à religião.

Efeito Ben Franklin

Por outro lado, os motivos ou as notícias que podem justificar nossa posição a partir desse momento serão mais encorajadoras. Vão chamar nossa atenção e nós vamos guardar em nossa memória com uma facilidade maior.  Como você pode perceber, a dissonância cognitiva faz parte da nossa vida. No nível profissional e pessoal, em muitas situações enfrentamos a justificação de atos com os quais não estamos de acordo.

De fato, é muito provável que você já tenha trabalhado com pessoas das quais não gosta ou já teve a delicadeza de ajudar alguém de quem não gosta. Seja qual for o caso, sua mente vai ativar mecanismos para explicar e justificar essa ação. Assim, o mais provável é que, depois de fazer um favor a uma pessoa, você tenha uma opinião melhor que a de antes sobre ela.

 “Empreste dinheiro ao seu inimigo e você vai ganhá-lo; empreste ao seu amigo e vai perder.”
-Benjamin Franklin-

É curiosa a maneira como nossa mente funciona. Ela tenta proteger a imagem que temos de nós mesmos e a coerência entre nossos pensamentos e nossas ações ao modificar nossas opiniões. Além disso, esse fenômeno não para por aí, já que uma vez produzida a justificação ou a nova opinião, seremos mais sensíveis a todo tipo de informação que a apoie e mais céticos em relação a qualquer fenômeno que se oponha.

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