Efeito holofote: por que parece que os outros estão sempre nos observando?

06 Julho, 2020
Você já se sentiu como se estivesse no show de Truman? Isso não significa que você é egocêntrico ou paranoico; esse fato é conhecido na psicologia social como "efeito holofote" e consiste em superestimar a sua presença e a atenção que os outros prestam em você.
 

O efeito holofote se refere à tendência de pensarmos que o nosso entorno presta mais atenção em nós do que realmente acontece. A percepção de estarmos sob constante observação está apenas em nossas mentes. Dezenas de estudos em psicologia social explicam esse fenômeno. O que é o efeito holofote? Basicamente, é o resultado do nosso egocentrismo desenfreado.

Todos nós somos o centro dos nossos próprios universos. Isso não significa que somos arrogantes ou que, em um exercício de arrogância, nos valorizamos mais do que os outros. No entanto, significa que toda a nossa existência é analisada a partir das nossas próprias experiências.

Usamos essas sensações de que o mundo nos observa para avaliar o ambiente ao nosso redor, incluindo as outras pessoas. No entanto, as outras pessoas não apenas não conhecem as nossas ideias subjetivas e a nossa situação, mas também são o centro de seus próprios universos, além de terem outros “distratores”.

Quando estamos focados em uma preocupação que nos afeta, geralmente assumimos que ela também merece a atenção dos outros. Este é o coração do que os psicólogos sociais chamam de efeito holofote.

Homem egocêntrico
 

Efeito holofote: a camiseta de Barry Manilow

O experimento de Barry Manilow foi realizado em uma universidade nos Estados Unidos. Grupos de dez pessoas foram convidados a entrar no departamento de psicologia, mas apenas nove eram chamadas na hora certa e levadas para uma sala para preencher alguns formulários.

A décima pessoa era chamada quinze minutos mais tarde e entrava no escritório de uma das pessoas encarregadas do experimento. Os pesquisadores solicitavam que ela colocasse uma camiseta grande sobre a sua roupa atual que muitos a considerariam “feia” e “chamativa”, com uma foto do cantor Barry Manilow.

Depois de vestir a camiseta, ela era levada para a sala onde todos os outros estavam preenchendo o formulário. Depois de aguardar por cinco minutos, lhe informavam de que não havia problema em chegar atrasada e que devia começar a preencher os mesmos formulários.

Cinco minutos depois, ela era informada de que, na realidade, o fato de estar atrasada afetava os resultados e que era melhor se retirar do teste.

No final, pediam que ela tentasse estimar o número de pessoas que haviam notado que ela estava vestindo a camiseta de Barry Manilow. Todas as pessoas selecionadas para usar a camiseta disseram, com consistência entre si, que cerca de 8 pessoas haviam notado a camiseta.

Na realidade, quando consultaram as pessoas que preenchiam os formulários, nenhuma delas havia notado a camiseta.

O efeito holofote: superestimar a sua presença

 

Os participantes superestimaram o número de pessoas que notaram a camiseta naquela sala. Se você se colocar na situação deles, o julgamento faria muito sentido. Se você for forçado a entrar em uma sala com uma camiseta que considera ridícula, vai pensar que todo mundo vai notar.

Este não é apenas um efeito das camisetas de Barry Manilow. O mesmo estudo foi replicado com uma camiseta do Vanilla Ice. Os pesquisadores publicaram sarcasticamente que Vanilla Ice era um “ícone pop cujos 15 minutos de fama já haviam terminado quando este estudo foi realizado”.

Desativando o efeito holofote

Há uma exceção a tudo isso que vale a pena mencionar. Em outro estudo, quando os pesquisadores deram um tempo para os participantes se acostumarem a usar a sua nova roupa de cultura pop antes de irem para a outra sala, eles não ficavam tão vulneráveis ​​ao efeito holofote.

Ou seja, eles não ficavam tão propensos a pensar que muitas pessoas notariam a camiseta. Isso é importante porque nos dá uma ideia do motivo pelo qual o efeito holofote ocorre. Ele acontece porque as pessoas estão muito focadas em sua própria presença. Se as pessoas se distraem ou se habituam, o efeito holofote diminui.

Então, quando você pensar que todo mundo está prestando atenção em algo que você fez, pergunte-se se é apenas porque você está obcecado com isso. A realidade é que todas essas pessoas que você acha que prestam atenção em você estão preocupadas com o seu próprio comportamento.

 
Mulher ansiosa e preocupada

Tudo se refere a nós?

Uma das crenças mais limitantes que temos como seres humanos é a capacidade infinita de pensar que tudo se refere a nós. Em muitos aspectos de nossas vidas, sentimos como se houvesse um grande foco de luz em cada pequeno movimento que fazemos. Sentimos que estamos sendo monitorados e que o resto do mundo está ciente da nossa presença.

Isso causa um grande problema, pois esse sentimento limita consideravelmente o alcance da ação. Quando nos sentimos “observados”, desejamos agradar aos outros, não queremos “ficar mal” com ninguém e gastamos uma quantidade infinita de energia tentando equilibrar as expectativas de todos os que estão à nossa volta.

Na realidade, já existem comprovações científicas que demonstram que os demais não estão tão preocupados conosco quanto imaginamos.