Emmeline Pankhurst: a biografia de uma líder sufragista

julho 17, 2019
Emmeline Pankhurst foi uma carismática líder do movimento sufragista feminino e uma das figuras que lutaram incansavelmente pelo direito da mulher ao voto. Hoje trazemos uma breve revisão sobre sua vida e suas principais conquistas políticas e sociais.

Hoje faremos uma pequena viagem através da vida e das conquistas de uma líder do movimento sufragista e uma ativista política da Inglaterra vitoriana. As campanhas lideradas por Emmeline Pankhurst foram um dos meios nos quais foram cultivadas as ideias do sufrágio feminino que culiminaram na conquista do direito das mulheres ao voto.

Emmeline Pankhurst entrou para a história como a personificação da crença apaixonada de que as mulheres mereciam os mesmos direitos civis que os homens. Ela lutou incansavelmente durante toda a sua vida pelo direito ao voto feminino, a erradicação da pobreza e da ignorância.

A revista Times a considerou uma das 100 pessoas mais importantes do século XX. Sua luta foi sempre de caráter social e seus métodos foram um pouco mais violentos do que a sociedade estava acostumada a ver quando se tratava do sexo feminino.

Foi uma mulher de grande carisma e com uma habilidade incrível para sensibilizar e mover as massas.

No que consistiu exatamente a sua luta? Como ela influenciou as gerações posteriores? Como ela contribuiu para mudar seu presente e, como consequência, também o nosso futuro? No artigo de hoje convidamos você a descobrir tudo isso e um pouco mais sobre Emmeline Pankhurst.

Foto de Emmeline Pankhurst

Seus primeiros anos

Emmeline Pankhurst nasceu no dia 15 de julho de 1858. Era filha de Robert Goulden, proprietário do teatro de Salford, pertencente a uma família de ativistas políticos.

A mãe de Emmeline era Sophia Craine, outra ativista política da Ilha de Man. Ambos apoiaram o movimento de abolição da escravidão nos Estados Unidos quando Emmeline ainda era uma criança.

Aos 20 anos, ela conheceu e se apaixonou pelo advogado e ativista político defensor da reforma educacional e do sufrágio feminino Richard Pankhurst, 24 anos mais velho do que ela.

Posteriormente, eles se casaram e tiveram 5 filhos, mas a vida familiar e matrimonial não impediu que ambos continuassem a lutar de forma ativa pelas suas reivindicações políticas e sociais.

O movimento sufragista

As organizações sufragistas da época começaram a ceder diante da ideia de conseguir o voto somente para as mulheres solteiras ou viúvas. Emmeline e seu marido se desvincularam dessa ideia e organizaram um novo grupo, a Women’s Franchise League.

Esse novo movimento advogava pelo direito de todas as mulheres ao voto, sem exceção, assim como igualdade de direitos no divórcio e nas heranças. O movimento se radicalizou pouco depois em direção à extrema esquerda e muitos dos seus membros acabaram o abandonando.

A carreira política de Emmeline Pankhurst

Depois de um tempo em Londres, ela voltou para Manchester. Foi aí que Emmeline Pankhurst começou a agir no ativismo político por conta própria.

Após várias tentativas infrutíferas, nas quais ela foi rechaçada por ser mulher, Emmeline conseguiu se unir ao Partido Trabalhista Independente. A partir daí, ela se ocupou da distribuição de comida através do Committee for the Relief of the Unemployed.

O estado de pobreza e desamparo que encontrou nesse contexto a afetou profundamente. Ela começou a trabalhar a favor de uma reforma da lei de proteção dos trabalhadores.

Após vários episódios que aconteceram em seu casamento e que causaram uma perda significativa da renda que ingressava para sustentar o lar, Richard ficou doente e faleceu. Emmeline ficou com uma série de dívidas importantes, além da sua família para cuidar.

Em seguida, ela conseguiu um trabalho no registro civil e se envolveu na denúncia das condições sociais das mulheres da região. Ao mesmo tempo, suas filhas, já crescidas, se uniram à luta pelo sufrágio feminino.

Ações e não palavras

Decepcionada com os partidos políticos e os movimentos sufragistas por sua escassa ou nula conquista de objetivos, ela decidiu abandonar todos esses movimentos e fundar a Women Social and Political Union, WSPU, aberta unicamente a mulheres e por meio da qual ela instaurou o seu lema “ações, não palavras”.

Em pouco tempo a WSPU se radicalizou e começou a usar táticas violentas para chamar atenção para suas reivindicações. O grupo tornou popular a quebra de vidros, o ataque à propriedade privada e as greves de fome nas prisões.

Pankhurst, assim como muitas outras mulheres, foram atacadas pelos homens do Partido Liberal e pelas forças governamentais de ordem. Elas chegaram a ser detidas e presas em diversas ocasiões.

Nessa época, ela já havia vendido sua casa em Manchester e viajava pela Inglaterra e pelos Estados Unidos dando palestras e fazendo comícios motivando a luta pela sua causa.

Emmeline Pankhurst

Emmeline Pankhurst e o direito das mulheres ao voto

No início da Primeira Guerra Mundial, Emmeline chegou a um acordo com o Parlamento para libertar da prisão as detentas do WSPU em troca de uma trégua nas ações violentas. O acordo incluía, ainda, o apoio das mulheres da organização à causa britânica contra a Alemanha.

Esse acordo criou uma divisão dentro do movimento, e também uma discordância com uma de suas filhas que acabou sendo insolúvel e causou um rompimento. Após a guerra, Emmeline começou a se afastar das políticas de visão esquerdista e se uniu ao partido conservador.

Os conservadores gozavam então da simpatia do povo, e Pankhurst viu neles a oportunidade para conseguir enfim o direito ao voto para as mulheres. Esse direito foi alcançado poucas semanas antes da morte de Emmeline, que conseguiu ver os resultados de sua causa aos 69 anos de idade.

O lado mais violento do movimento sufragista

Controversa, enérgica, batalhadora e radical. Ela atacou e acatou diferentes ideias políticas, sempre para chegar ao seu objetivo do sufrágio feminino. Amada e odiada ao mesmo tempo, Emmeline não deixou ninguém indiferente e serviu de inspiração para mulheres de todas as classes sociais.

Representou o lado mais duro do movimento sufragista, mas seus métodos violentos não foram compartilhados por todas as mulheres do grupo. Métodos e usos masculinos foram os únicos que chamaram a atenção para as reivindicações das mulheres.

Ela se atreveu a falar o único idioma que o sistema patriarcal entendia: o protesto violento. E não há dúvida de que ela foi ouvida.

  • June Purvis (2003) “Emmeline Pankhurst: a biographical interpretation” [1], Women’s History Review, 12:1, 73-102, DOI: 10.1080/09612020300200348
  • Budner, Sonia (2018) History Knitters. Collection in miniature of Great Women. Chapter 12. Independently published.