Gustave Le Bon e a psicologia das massas

· novembro 16, 2018

O nome de Gustave Le Bon está associado a vários fatos muito importantes do século XX. Suas considerações e estudos encorajaram a ideologia nazista. Por este motivo, especula-se que o livro Minha Luta, de Adolf Hitler, teve a sua inspiração na obra de Le Bon.

Gustave Le Bon nasceu em Nogent-le-Rotrou (França) no dia 7 de maio de 1841. Ele se formou como médico, mas dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da Sociologia, da Psicologia, da Física e da Antropologia. Foi médico militar durante a Guerra Franco-Alemã, e as suas primeiras pesquisas foram dedicadas à Fisiologia. Logo, concentrou-se na Arqueologia e na Antropologia.

“Pensar coletivamente é a regra geral. Pensar individualmente é a exceção”.
– Gustave Le Bon –

O próprio governo francês o mandou ao Oriente como arqueólogo. Ele visitou um grande número de países dessa parte do mundo. Também viajou muito pela Europa e África. Como consequência das suas pesquisas e observações, começou a escrever uma série de livros. O mais famoso deles foi Psicologia das Multidões.

O enfoque darwinista de Gustave Le Bon

Grande parte da obra literária de Gustave Le Bon foi dedicada a justificar o colonialismo das potências europeias. Seu principal argumento para isso é a justificativa de que existem raças superiores. Ele se amparou em uma grande quantidade de hipóteses e evidências bastante questionáveis.

Le Bon estava convencido do determinismo geográfico. Esta doutrina sugeria, essencialmente, que só sob certas condições geográficas poderiam aparecer homens e mulheres verdadeiramente inteligentes, belos e moralmente desenvolvidos. Essas condições eram as da Europa, e a raça superior era a “raça ariana”.

Gustave Le Bon

Gustave Le Bon também estava certo de que existiam várias raças humanas bem diferentes. Ele não se referia aos traços físicos ou genéticos variáveis, mas pensava que cada raça era uma espécie separada. Logicamente, ele também acreditava que havia raças superiores e inferiores.

Se as raças superiores se misturassem entre si, ou com uma das inferiores, os resultados poderiam ser bons. No entanto, se duas ou mais raças inferiores se misturassem, a consequência era o surgimento de um povo degenerado.

A Psicologia das Massas

Gustave Le Bon ficou particularmente famoso pela publicação de seu livro Psicologia das Multidões. Sua argumentação básica defendia a ideia de que os seres humanos desenvolviam coletivamente comportamentos que jamais teriam individualmente. Em outras palavras, os grupos acabam tendo uma influência definitiva sobre os indivíduos.

Ele indica que as principais razões pelas quais o “eu” se perde dentro do “nós” são as seguintes:

  • O ser humano percebe a multidão como um poder invencível. Então, ele deixa de se sentir responsável porque, nela, é uma figura anônima.
  • As multidões contagiam a maneira de sentir e agir daqueles que a formam. Isso acontece de forma inconsciente, e permite que a multidão seja manipulada por um líder.
  • A multidão hipnotiza o indivíduo. Fazer parte de uma multidão leva as pessoas a experimentar sentimentos de onipotência.
  • Na multidão, o irreal predomina sobre o real. Ela é compacta e não se desfaz devido às diferenças internas.
  • A multidão sente que é um mecanismo de sobrevivência. Não pertencer à multidão é visto como um grave perigo.

Vale lembrar que o próprio Sigmund Freud escreveu um livro inteiro para julgar a obra Psicologia das Multidões, de Gustave Le Bon. A obra de Freud se chama Psicologia das Massas e Análise do Eu.

O impacto das teorias de Le Bon

Apesar de Gustave Le Bom se definir como um democrata, o certo é que as suas argumentações encorajaram notoriamente a ideologia nazista, o fascismo e todos os setores derivados dessa ideia principal.

Le Bon sugeria que as multidões eram um rebanho servil e que, por isso, elas não poderiam existir sem a presença de um chefe. Indicava que esse chefe ou líder devia ser alguém com uma forte personalidade, crenças muito bem definidas e uma vontade poderosa.

Psicologia das massas

Por outro lado, os argumentos de Le Bon sobre o inconsciente alcançaram uma grande difusão e notoriedade. Nesse terreno, ele fez importantes contribuições que, por um lado, foram retomadas pela estrutura de propaganda nazista. Por outro lado, assentaram bases importantes para a atividade publicitária.

Gustave Le Bon morreu em 1931. Provavelmente, ele nunca imaginou que as suas argumentações iriam servir para encorajar o Holocausto Nazista. Jamais haveria passado pela cabeça dele que o seu próprio país, a França, ia ser vítima da discriminação da “raça ariana”.