Por que estou me sentindo assim? A mistura de emoções no pós-parto

· novembro 3, 2017

Dar à luz um bebê pela primeira vez representa uma mudança muito significativa para a nova mamãe e o novo papai, que vão precisar conviver com uma mistura de emoções no pós-parto, até que a situação se normalize.

Nesse processo, além de tudo que representa a nova fase da vida em relação ao bebê dependente dos seus pais, a mudança mais importante no pós-parto é aquela que não se vê, é aquela que acontece no interior da mãe. Estamos nos referindo ao processo emocional e físico que o pós-parto representa.

Durante esse período de tempo, conhecido como puerpério, o corpo materno volta ao seu equilíbrio. A parte física costuma demorar aproximadamente 40 dias, mas a recuperação dos hábitos de vida e do casal pode demorar até um ano para acontecer.

“Qual é a sensação de se tornar pai? É uma das coisas mais difíceis que existe, mas em troca ensina o significado do amor incondicional.”
-Nicholas Sparks-

A mistura de emoções no pós-parto: desequilíbrios hormonais e mudanças físicas

Se durante os nove meses de gravidez a futura mamãe já sentiu no seu corpo as mudanças hormonais e, portanto, sua influência nas emoções, durante o pós-parto não é diferente. Nesse período, os hormônios se alteram radicalmente com o objetivo de fazer o útero se contrair e as mamas começarem a produzir leite.

  • Os níveis de estrogênio e progesterona, hormônios responsáveis pelo ciclo dos ovários, diminuem. Eles voltarão a aumentar após alguns meses ou um ano, quando a menstruação voltar ao normal.
  • Os níveis de prolactina e oxitocina aumentam, com a finalidade de contrair o útero, o que provoca algumas contrações, que podem ser dolorosas, e também a subida do leite.
Mulher amamentando seu filho

Esses fatores são indicadores de que a mulher puérpera passa por mudanças relevantes no seu sistema endócrino, o que pode provocar intensas mudanças nas emoções no pós-parto.

Tudo muda após o nascimento

Os hormônios também são responsáveis por fazer o mundo da mamãe puérpera se redirecionar para o seu bebê. A prolactina e a oxitocina produzem um estado de maior atenção e focalização no bebê, relativizando ou ignorando outros estímulos do contexto exterior a este.

A mamãe vai sentir ansiedade em relação à separação do seu bebê, pois seus sentimentos estarão completamente conectados a ele. Ela vai se sentir sensível em relação a tudo que acontecer ao seu redor, sentindo-se derrotada por situações aparentemente comuns, mas que para ela, nesse momento, não são normais.

Por outro lado, ocorre uma perda do interesse sexual e de outras atividades que antes eram importantes. A vida estará voltada aos pedidos de carinho, à amamentação e aos cuidados com o bebê.

Além disso, podemos acrescentar mudanças decorrentes do desgaste nutricional do qual a mamãe se recupera pouco a pouco, que incluem a consequente falta de ferro e, em alguns casos, de iodo. Também são observadas alterações nos intestinos, devido a oscilações no nível de serotonina. Algumas outras mudanças são:

  • Alterações de humor
  • Falta de sono
  • Preocupação
  • Desconforto
  • Dificuldade para amamentar (rachaduras nos mamilos e dor)

Tudo isso pode provocar insegurança, decepção, exaustão, irritabilidade, falta de concentração, angústia, medos, necessidade de chorar, estresse, hipersensibilidade e, às vezes, levar a uma depressão pós-parto.

O papel do pai

Além de todas essas mudanças na mãe, o pai pode se sentir deslocado, sem saber muito bem qual é o seu lugar e o que deve fazer a todo momento. Ao mesmo tempo, ele não entende nem reconhece sua companheira, a qual não sabe como ajudar ou apoiar.

Mulher e marido com o bebê após o parto

Por outro lado, a família quer ajudar. Geralmente a mãe da mulher puérpera assume o apoio principal, o que desloca ainda mais o papai, que tende a procurar outras funções para se sentir útil longe da sua companheira.

A maternidade é o trabalho mais difícil da terra. Você se torna responsável pelo desenvolvimento físico, emocional e mental de outro ser humano.

Como restabelecer o equilíbrio?

É importante saber que o puerpério é um processo normal e passageiro que vai permitir nos adaptar à nossa nova vida, focados no bebê. Para isso, aceitar as mudanças físicas, sociais e emocionais é indispensável, normalizando o processo e superando-o juntos.

O corpo é sábio e sabe retomar o equilíbrio naturalmente; apenas precisamos de um ambiente tranquilo e de apoio na relação com o nosso parceiro para que possamos lidar com as emoções no pós-parto.