Os ensinamentos dos três macacos sábios do santuário de Toshogu

Os ensinamentos dos três macacos sábios do santuário de Toshogu

junho 9, 2017 em Psicologia 5218 Compartilhados
Três macacos sábios

O ensinamento da escultura em madeira do santuário de Toshogu que representa os três macacos sábios continua a nos inspirar até hoje. Sua mensagem original era simples e categórica: “não ouvir o que o leve a fazer maldades”, “não ver as más ações como algo natural” e ” não falar mal sem fundamento”.

Curiosamente, o tempo e a nossa visão ocidental simplificaram esse ensinamento original para ficar somente com o clássico “não ver, não ouvir e não falar.” Um lema que podemos encontrar até mesmos nos emoticons do whatsapp e que, de alguma forma, deturpa completamente a ideia original e a ordem das figuras representadas.

“Nada é mais bonito do que conhecer a verdade, nada é mais constrangedor do que aprovar a mentira e tomá-la como verdade”.
 – Cicero –

No entanto, o ensinamento é muito mais do que isso, porque que a representação do século XVI erguida em homenagem ao shogun Tokugawa Ieyasum nutre suas raízes nos ensinamentos de Confúcio, e para muitos, a mensagem dos três macacos também tem muito a ver com três filtros de Sócrates.

De qualquer forma, é sempre gratificante mergulharmos neste tipo de iconografia clássica e nas suas sabedorias tão originais para refletir e atualizar um pouco o nosso conhecimento. Os três macacos sábios de Togoshu nos mostram esse código moral e esse misticismo de que gostamos tanto, e queremos compartilhar com vocês.

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O que diz a lenda sobre os três macacos sábios

A lenda dos três macacos sábios tem sua origem na mitologia chinesa. É uma história surpreendente protagonizada por três curiosos personagens: Kikazaru, o macaco que não ouve, Iwazaru, o macaco que não fala, e Mizaru, o macaco que não vê.

Estas três criaturas singulares foram enviadas pelos deuses como observadores e como mensageiros. Deviam registrar todos os atos e maldades da humanidade para, mais tarde, levar ao conhecimento das divindades. Esses mensageiros divinos eram representados pela seguinte ordem:

  • Kikazaru, o macaco surdo, era quem observava todas as pessoas que cometiam más ações. Mais tarde, ele as repassava ao macaco cego através da fala.
  • Enquanto isso, Mizaru, o macaco cego, transmitia as mensagens do macaco surdo para o macaco mudo, Iwazaru.
  • Iwazaru, o macaco mudo, recebia as mensagens do macaco cego e, por sua vez, vigiava o cumprimento da pena imposta pelos deuses aos seres humanos, já que era ele quem decidia a punição que eles deveriam receber.

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O que aprendemos com esta história é que precisamos, acima de tudo, sermos puros de espírito, evitando ouvir o que nos obriga a agir mal, a falar sem fundamento e não ver as más ações como algo natural.

Os três filtros de Sócrates

Há um paralelo interessante entre a lenda dos três macacos sábios e essa história que Sócrates nos deixou, onde explicava como um aluno seu entrou em sua casa uma certa manhã, ansioso para lhe contar um boato. Diante da impaciência do jovem, o sábio ateniense lhe explicou que antes de revelar essa notícia deveria pensar sobre estas três dimensões:

  • O boato que você vai me contar foi comprovado? Na sua opinião, é uma verdade?
  • O que você quer me contar é bom?
  • Finalmente, o que você vai me contar é realmente útil ou necessário?

Estes três filtros têm muito ver com os perfis que cada macaco do templo de Toshogu representa.

“Mesmo que a verdade esteja com a minoria, ela permanece sendo verdade”.
– Gandhi –

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Kikazaru é o macaco que tapa os ouvidos

Além de sábio, Kikazaru também é prudente É o macaco que está à esquerda e opta por tapar seus ouvidos para não ouvir certas informações porque deseja preservar o seu equilíbrio.

Não se trata de evitar determinados dados, fatos ou provas. Não é uma atitude covarde ou derrotista, mas uma escolha: deixar de lado uma informação que é inútil e prejudicial com a finalidade de proteger a sua integridade.

O macaco que tapa a boca: Iwazaru

Iwazaru é o pequeno macaco do centro e representa a necessidade de não transmitir o mal, não espalhar boatos e, acima de tudo, ser muito cauteloso na divulgação dessas histórias, como nos lembra Sócrates com os seus três filtros: não são verdadeiros, não são bons e, muito menos, úteis.

Mizaru, o macaco cego

Do ponto de vista de Sócrates, Mirazu representa um convite direto para fechar os olhos para o que não serve, o que não é útil ou bom.

Também não há aqui uma atitude passiva ou covarde. Não se trata de virar o rosto, de não denunciar o mal ou o próprio malvado (lembre-se de que na lenda, são os próprios macacos que decidem o castigo). É utilizar o olhar de alguém que sabe diferenciar o bom do mau, que pune o mal para ficar com o bem, com o nobre e com o que nos ajuda a ser pessoas melhores.

Para concluir, tanto na lenda original dos três macacos sábios quanto nos três filtros que Sócrates nos deixou, há um ensinamento primordial que sobreviveu ao passar do tempo, e atualmente permanece mais útil do que nunca: devemos ter cuidado com o que dizemos, ser prudentes com o que ouvimos e hábeis na hora de direcionar o nosso olhar.

Sem dúvida, são três mecanismos que nos ajudarão a preservar o nosso equilíbrio interior e a nossa felicidade.

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