Epiteto, um sábio da antiguidade – A mente é maravilhosa

Epiteto, um sábio da antiguidade

31, agosto 2015 em Emoções 28 Compartilhados
Epiteto
“Não são as coisas que acontecem conosco que nos fazem sofrer, mas o que nos dizemos sobre estas coisas.”
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Com esta simples, mas certeira frase, Epiteto de Frígia, filósofo do século I d.C, estabelecia as raízes da atual psicologia contemporânea. Epiteto nasceu no ano 55 em Hierápolis de Frigia e chegou a Roma como escravo de Epafrodito, que lhe daria educação até seu exílio a Nicópolis no ano 93, onde fundaria uma prestigiosa escola à qual se dedicaria completamente.

Apesar de ter sido escravo e receber duros castigos durante a maior parte da sua vida, Epiteto foi uma pessoa feliz. Sua filosofia baseava-se em ter muito claro o que era e não era controlável para, desta forma, modificar o que era suscetível de mudança e aceitar o que não era. Desta maneira, evitava-se o tormento e a infelicidade.

Epiteto aceitou que suas circunstâncias não eram controláveis e que nem podiam ser mudadas diretamente de nenhuma forma; sua mente, contudo, podia, e nesse aspecto ele tinha todo poder. Portanto, decidiu que as coisas o afetariam somente se deixasse que exercessem influência sobre ele. Ou seja, o fato de ter emoções positivas ou negativas não dependeria dos fatos externos, mas de seu próprio interior, de seus pensamentos sobre estes fatos.

A maioria das pessoas, quando tem um estado emocional negativo e disfuncional, como depressão, ansiedade, ira, culpa… tende a acreditar que este é provocado pelas circunstâncias ou pelas situações que aconteceram em sua vida, mas não é o que ocorre na maior parte das vezes.

O que realmente provoca nossos estados emocionais são nossas formas de interpretar o mundo, nossas atitudes, nossas próprias crenças e pensamentos. Podemos comprovar isso quando constatamos que uma mesma situação suscita emoções diferentes em cada pessoa. Pela lógica, se fosse a situação a responsável pelas emoções, todas as pessoas deveriam reagir da mesma maneira, e não é isso que acontece. Então, deve existir algum filtro que determina nossa situação emocional.

Cancer

Usemos um exemplo com esta ideia. Imagine que você está no ônibus, em pé, segurando-se nas barras de apoio e, de repente, alguém esbarra em você com violência. Você fica com raiva e furioso porque trata-se de algum mal-educado que não teve nenhuma cautela. Então você se vira para xingá-lo e, de repente, dá-se conta de que se trata de um cego.  

Neste instante, os sentimentos de raiva, ira, irritação transformam-se em sentimentos de compaixão e piedade pelo cego que não teve nenhuma intenção de empurrá-lo.

O estímulo que supostamente provocou a sua irritação segue sendo o empurrão, mas agora você sabe que não se trata de um mal-educado, nem de um grosseiro sem consideração e cuidado, mas de uma pessoa que não pretendia – nem queria – fazer isso. Com isso, podemos concluir que o motivo da irritação não foi o golpe, mas a sua reação e o seu diálogo com você mesmo, o que você estava dizendo para si sobre o indivíduo que o havia empurrado.

Como podemos ver, o pensamento sempre precede a emoção, e a boa notícia é que podemos controlá-lo! Somos responsáveis por isso!

Qualificamos como boa notícia porque, se assim não fosse, teríamos de nos resignar a ser escravos do extremo, ser marionetes carentes de defesas que agem conforme as situações ou as ideias dos demais.

Se, por exemplo, me deprimo porque os demais me criticam, o principal responsável por essa depressão sou eu mesmo, já que estou acreditando em todas estas críticas e opiniões e as estou tornando minhas. Se modificasse meus pensamentos sobre estas críticas e desse a elas a importância justa e necessária, meu estado emocional seria muito diferente.

Talvez fosse desagradável, mas não chegaria a me deprimir pelas ideias que outras pessoas possuem, pois estas são suas ideias, e não as minhas, e somente as tornarei minhas se assim eu decidir. Se não fosse assim, se meus pensamentos não influenciassem, teria de sentir-me obrigatoriamente deprimido, a não ser que conseguisse que os demais mudassem sua opinião sobre mim, algo que é quase impossível, além de trabalhoso.

Na realidade, o ser humano tem a maravilhosa capacidade de ser feliz quase em qualquer circunstância e situação. Se tem os meios para sobreviver, já possui tudo para estar muito bem, mas é necessário que estas ideias seja interiorizadas em profundidade, que se tornem uma filosofia de vida.

Se Epiteto foi feliz sendo escravo graças a  sua forma de encarar a vida, nós também podemos ser em circunstâncias que nada tem a ver com a escravidão. Talvez você esteja se queixando muito? É possível que esteja exigindo muito do mundo, dos demais e de você mesmo? Você se enche de ansiedade tentando controlar o incontrolável?

Deixe de abrir a porta para o sofrimento, deixe de se queixar pelo que acontece do lado de fora. Solucione o que pode e consegue, senão, deixe assim. Mude sua maneira de ver as coisas, e as coisas mudarão. 

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