A escala de gravidade da deficiência intelectual

· outubro 9, 2018

A deficiência intelectual normalmente afeta todas as áreas da cognição. No entanto, podemos falar de 4 subtipos dessa condição. Nesse artigo vamos apresentar a escala de gravidade da deficiência intelectual. Essa escala é utilizada no campo clínico e determina diferentes características para cada tipo.

Conhecendo-a, podemos entender melhor como a deficiência intelectual é avaliada, e de que maneira os especialistas fazem um diagnóstico que enquadre a pessoa em um dos quatro subtipos identificados.

O que é a deficiência intelectual?

É um transtorno do desenvolvimento neurológico, ou seja, um transtorno que tem início na infância. Caracteriza-se por uma deterioração cognitiva e pela dificuldade para se adaptar em termos conceituais, sociais e práticos.

Filho com deficiência intelectual

Para que um especialista possa realizar um diagnóstico, devem estar presentes três dessas características descritas a seguir:

  • Deterioração cognitiva: dificuldade para a resolução de problemas, planejamento, raciocínio, etc. É frequentemente percebida quando a criança apresenta dificuldades escolares ou dificuldades no planejamento de atividades relacionadas a brincadeiras e jogos.
  • Dificuldade de adaptação conceitual, social e prática: dificuldade para desenvolver a autonomia pessoal, a responsabilidade social, a comunicação social, etc. Essa característica pode ser detectada quando a criança se vê obrigada a se comunicar com outras pessoas e apresenta problemas, sejam elas da mesma idade ou não.
  • Início durante o desenvolvimento: as características anteriores devem ter início desde a infância.

Uma vez detectadas as dificuldades, chega o momento de determinar a gravidade do transtorno. Para fazê-lo, podemos recorrer à escala de gravidade da deficiência intelectual, na qual levaremos em conta não só o nível de habilidade cognitiva da criança, mas também sua capacidade para se adaptar.

No que consiste a escala de gravidade da deficiência intelectual?

Já sabendo que a capacidade cognitiva se encontra alterada, a avaliação é complementada com uma análise qualitativa das habilidades adaptativas da pessoa. Dessa forma, a escala poderá ser complementada por três áreas relacionadas à adaptação social:

  • Domínios conceituais: faz referência à compreensão e ao uso do pensamento abstrato. Por exemplo, temos a compreensão da linguagem simbólica, a compreensão do uso do tempo, do dinheiro, entre outras.
  • Domínios sociais: faz referências a habilidades de socialização da pessoa, com quem ela consegue socializar, o modo como faz isso e as ferramentas sociais que é capaz de utilizar para se expressar.
  • Domínios práticos: esta área é caracterizada pelas habilidades de cuidado pessoal, de higiene, de desenvolvimento de habilidades de uma forma geral, entre outras.

Como identificar cada nível de deficiência intelectual?

Deficiência intelectual leve

Em muitos casos, esse tipo de deficiência intelectual passa despercebida. Grande parte dessas pessoas conseguem se tornar independentes e são capazes de fazer adaptações para levar uma vida normal. Dessa forma, podem compensar sua falta de fluidez cognitiva com um trabalho manual, ou se dedicando durante mais tempo, por exemplo.

Com frequência suas dificuldades são confundidas com desinteresse, distração, mau humor, falta de motivação, etc. Talvez em alguns casos seja realmente esse o problema, mas mesmo assim é válido procurar um especialista que nos ajude a saber o que está acontecendo na realidade.

É normal que precisem de mais tempo para aprender. Suas principais dificuldades são o planejamento, o raciocínio abstrato, a determinação de estratégias, de prioridades, entre outras. Eles são capazes de obter conhecimentos de linguagem e aritmética, por exemplo, mas apresentam dificuldade no momento em que precisam elevar a complexidade do assunto.

Socialmente, podem se comunicar com seu ambiente de maneira aceitável. A deficiência intelectual, no entanto, pode ser percebida muitas vezes. No caso das crianças, isso acontece em momentos de brincadeiras.

Desse modo, a pessoa com esse grau de deficiência intelectual pode desenvolver habilidades conceituais, sociais e práticas, mas em um nível de complexidade mais básico que uma pessoa sem nenhuma deficiência.

Deficiência intelectual moderada

A diferença desse caso em relação ao anterior é que seu prognóstico é um pouco pior. As dificuldades nas habilidades conceituais, sociais e práticas são muito mais evidentes. Aqui já não poderemos falar de uma independência e de uma vida quase normal.

Sua capacidade de aprender é muito mais limitada. Por isso, a falta de desenvolvimento das habilidades conceituais dificulta muito sua habilidade para participar de trabalhos que envolvem abstração. Dessa forma, quando tiver que trabalhar com realidades que não são tangíveis, ou mesmo com hipóteses, se sentirão perdidas. Além disso, seu desempenho em um ambiente social também é limitado.

Suas habilidades práticas, nesse diagnóstico, dependem muito mais do apoio externo. Em atividades do tipo prático, como cuidado pessoal, higiene, atividades domésticas, etc, requerem um tempo maior para aprender a fazê-las bem e corretamente.

Deficiência intelectual grave

Nesse diagnóstico já não é possível ter aprendizados conceituais significativos. Isso acontece porque não há uma expectativa de que a pessoa possua uma compreensão simbólica complexa, permitindo, no entanto, uma compreensão mais material.

Suas principais ferramentas para se desenvolver socialmente são frases simples, além dos gestos e das expressões. Seu círculo social é reduzido, geralmente ao núcleo mais familiar. A pessoa se torna dependente no que diz respeito a suas atividades práticas, ainda que seja em menor grau do que ocorre na deficiência intelectual profunda. É uma questão de grau.

Coração feito com massinha de modelar

Deficiência intelectual profunda

Aqui falamos de uma pessoa completamente dependente. Sua compreensão conceitual se limita unicamente a uma comunicação material e objetiva, e mesmo esta traz dificuldades.

Portanto, boa parte de sua socialização é possível apenas graças à mímica, especialmente marcada quando desejam algo ou rejeitam algo que estão vendo. A maioria é capaz de seguir instruções simples, ou procedimentos que já estão muito automatizados.

E agora… o que fazer?

Agora que você já conhece os quatro tipos de deficiência intelectual, está capacitado para observar e identificar sinais da condição. Desse modo, se você detectar algum desses perfis, é melhor consultar um especialista para obter um diagnóstico preciso.

Lembre-se sempre da informação anterior para manter a calma diante de qualquer suspeita. O estresse e a ansiedade, por exemplo, também podem afetar as funções cognitivas de qualquer pessoa, principalmente quando estamos falando de crianças. Por trás de um baixo rendimento acadêmico ou desinteresse social nem sempre existe um transtorno.