Esquecemos de soltar o coração antes de soltar as mãos

· novembro 23, 2016

Esquecemos de soltar o coração antes das mãos. Esquecemos de entender que é difícil afastar quem você mais quer ao seu lado sem machucar a pessoa. Esquecemos que já não caminhamos juntos, e sim separados, e que a dependência, o dano, as censuras e a monotonia nos superaram e, principalmente, nos mudaram. Nem você nem eu temos já o mesmo reflexo no espelho.

Soltar as mãos soa como uma despedida, mas nos dissemos adeus tantas vezes que os nossos corações decidiram que era outra vez o mesmo, um ponto e vírgula. Desligar o coração antes das mãos, reconhecer que já não nos amamos, é diferente e muitas vezes mais simples do que deixar que seu coração bata mais forte quando você está ao seu lado.

Esquecemos de nos dar espaço, tomar um ar, desfrutar do “eu” da mesma forma que construíamos um “nós”. Esquecemos que amar não é depender, e agora só sabemos estar juntos e nos odiarmos, porque os nossos corações não sabem bater sozinhos.

Esquecemos de amar a nós mesmos

Esquecemos de nos amar, e por isso decidimos que era hora de separarmos. Mas o que dizemos com palavras não tem por que ser reflexo do que sentimos na nossa alma, por isso o rancor fez mudanças dentro das minhas entranhas, começou a cortá-las em pequenos pedaços.

Esquecemos de ser nós mesmos, viramos dois estranhos cheios de ódio e agora só machucamos um ao outro. Nos sentimos sós e traídos, nos sentimos vazios e sem saber viver sem alguém ao nosso lado.

Mas, acima de tudo, esquecemos de esquecer e reconhecer que não amamos um “nós”. Amamos o amor que imaginamos haver entre nós, mas que não era a realidade. Era apenas uma ilusão que construímos enquanto sonhávamos acordados.

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Esquecemos de ser e começamos a depender

Esquecemos de ser e começamos a depender do outro como se não houvesse vida além da idealização dos seus abraços. Começamos a ter medo de nos contradizermos e roubamos a voz por medo de que uma só palavra rompesse o nosso vínculo idílico.

Deixamos de amar a nós mesmos para amar mais ao outro até que nos diluímos e nos perdemos em um “nós” que já não tinha sentido. Deixou de ser amor para ser “medo de perdê-lo” e deixou de ser “medo de perdê-lo” para passar a odiá-lo, porque já não podia amá-lo enquanto o via roubar a minha identidade.

Pense. Foi quando deixamos de respeitar a nós mesmos que nos demos conta de que o nosso amor já não era amor, era apenas um vínculo asfixiante que nos fazia muito mal.

Decidimos deixar de depender e soltarmos as mãos, mas já era tarde, porque o nosso coração não entendia a dor de deixar de nos vermos. A dependência havia nos consumido em cinzas, e já não sabíamos ser o que havíamos sido antes de nos conhecermos.

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Tivemos que aprender a amar a nós mesmos

Assim, depois do que havíamos vivido, tivemos que aprender de novo a nos amar. Tivemos que aceitar a dor que voluntariamente havíamos nos infligido por ter medo de estarmos sozinhos.

Começamos a reconhecer que havíamos perdido a nossa identidade voluntariamente e que não havia mais culpados senão nós mesmos e a nossa necessidade de nos vincularmos a alguém a qualquer preço. Entendemos que, em questões de amor, nunca devemos deixar de ser nós mesmos e, finalmente, conseguimos nos despedir.