Estados alterados de consciência: você sabe do que se trata?

Você sabe o que são os estados alterados de consciência?

março 17, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Você sabe o que são os estados alterados de consciência?

Talvez você já tenha se perguntado o que são os estados alterados de consciência e sinta curiosidade em saber o que acontece, por exemplo, quando alguém entra em coma ou com os pacientes que estão em estado vegetativo. Nessas situações, muitas perguntas passam pela nossa cabeça. Há trabalho a fazer com eles? Se assim for, em que condições esse trabalho é realizado e quais são as suas expectativas? Estamos falando de situações complicadas onde a impotência e a incerteza podem ser obstáculos significativos.

A pessoa pode entrar em coma por várias razões. O coma pode ter uma origem traumática, como aqueles causados por acidentes de trânsito, ou não traumática, como o acidente vascular cerebral (AVC, hemorragia cerebral …) ou algumas lesões tumorais.

O coma é um estado onde ocorre a redução da consciência com uma perda parcial ou completa da resposta aos estímulos externos. O paciente se torna incapaz de interagir adequadamente com estes estímulos.

Existem diferentes graus de estados alterados de consciência

A dor que antes me fazia retirar a mão de um objeto que me machucava, agora já não sinto mais, não sinto o cheiro de queimado, não reajo à voz da minha mãe porque não a reconheço.

Todos são exemplos em que podemos pensar. Isto é, há uma falta de reação diante da exposição a estímulos externos que, em condições normais, induziriam uma resposta. No entanto, existem diferentes graus nesses estados alterados de consciência. Esses graus são medidos através de uma escala chamada Escala de Glasgow.

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Esta escala leva em conta a resposta verbal, motora, a abertura dos olhos para as chamadas e a dor. São realizados testes simples com o paciente para ver como ele reage a certos estímulos externos. Esta escala avalia, portanto, a capacidade de resposta do indivíduo.

Depois que são feitos estes exercícios, as pontuações são verificadas e teremos um índice. Este índice indica o quanto o paciente foi afetado. Se não responder a qualquer estímulo, terá uma menor pontuação. Se responder a todos, significa que o seu nível de consciência não foi afetado.

Precisamos resgatar a sua atenção a todo custo

O profissional que realizou a avaliação terá um mapa mental de como está a situação do seu paciente a nível neurológico e pode agir de acordo com isso. Se o paciente tiver um mínimo de reação, temos que nos agarrar a isso e criar todas as situações possíveis para chamar a sua atenção.

As pessoas têm cinco sentidos e alguns são mais utilizados do que outros: a visão, o tato, o olfato, a audição e o paladar. Conhecemos muitos casos de pessoas cegas que acabam fazendo um uso extraordinário dos outros sentidos. Elas desenvolveram os outros sentidos de uma forma magistral para compensar essa falta.

Nos casos de estados alterados de consciência, é preciso avaliar quais são os sentidos que estão preservados e trabalhar com eles. As áreas sensoriais do nosso cérebro são ativadas quando recebemos estímulos externos. Portanto, precisamos ativar essas áreas.

São utilizados estímulos que geram uma reação

Para ativar essas áreas precisamos estimular o paciente através dos sentidos preservados. Além disso, se usarmos estímulos que são familiares para o paciente e o conectem com alguma lembrança emocional, obteremos algo muito importante e fundamental, e ele poderá reagir com mais facilidade.

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A reação pode ser quase imperceptível, por isso os profissionais que trabalham com esses pacientes devem ter paciência e estar sempre muito atentos a qualquer mudança que ocorra no seu corpo em consequência da estimulação. Pode ser um leve movimento do seu dedo indicador ou mesmo uma mudança sutil em seus olhos. Vale tudo. Qualquer mudança, absolutamente qualquer mudança em seu corpo estará nos trazendo informações.

Uma vez que o especialista verificou que a estimulação de um determinado sentido evoca uma resposta, a sua missão é insistir nele. Nós não queremos que ele se acostume com o mesmo estímulo, queremos que responda sempre a esse estímulo. Quando o corpo se habitua a um determinado estímulo a intensidade da reação pode ser atenuada. O que queremos é que a reação seja cada vez mais intensa, um sinal de que o cérebro está sendo ativado.

Tudo o que é familiar e provoca emoções ajuda a recuperar a consciência

Você já deve ter ouvido falar de casos de pessoas que tinham parentes neste estado e iam para o hospital, se sentavam perto deles e cantavam a sua canção favorita. Ou então traziam a sua torta preferida com aquele cheiro característico, ou aquele brinquedo de pelúcia que tinham desde crianças e gostavam tanto de acalentar.

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É essencial, portanto, recorrer a esses elementos antes de sabermos o que faria o paciente reagir de forma mais significativa e se conseguirmos uma resposta diferenciada, correr atrás dela. Assim como o leão vai atrás da sua presa. O profissional precisa buscar várias opções para ajudar o seu paciente a gerar respostas. O próprio paciente nos mostrará qual é o seu ritmo e o seu tempo.

O trabalho realizado com essas pessoas é complicado porque as mudanças que ocorrem de um dia para outro são muito pequenas, mas a longo prazo é muito gratificante. A recuperação que podemos conseguir com a estimulação é muito significativa, graças à plasticidade do nosso cérebro. Portanto, queremos enviar todo o incentivo do mundo para as pessoas que estão em um processo de recuperação, tanto para elas quanto para as suas famílias, porque é através da insistência que os resultados acabam chegando.

É muito importante acreditar que o nosso esforço e insistência nos ajudam na recuperação das deficiências provocadas por um acidente ou uma doença grave.

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