Estilos de comportamento soberbo

novembro 17, 2019
Os soberbos se gabam daquilo que não têm e tentam se destacar toda vez que têm uma oportunidade. O que acontece é que, no final, acabam sendo rejeitados por se exibirem tanto.

Algumas pessoas, em face de sua baixa autoestima, tendem a se gabar atribuindo-se falsas virtudes pessoais, ostentando valores e tentando chamar atenção sempre que têm uma oportunidade. O que acontece é que eles geralmente apontam o que lhes falta por trás de seus bastidores pessoais. Essas são pessoas que desenvolvem estilos de comportamento soberbo.

O resultado: acabam sendo rejeitados porque se tornam autoaduladores que não dão espaço aos outros.

Uma fauna de ostentosos

A desvalorização ou a baixa autoestima é um dos grandes males do ser humano. Uma autoestima saudável envolve valorizar-se, amar a si mesmo, colocar-se em primeiro lugar e distanciar-se do egoísmo e do egocentrismo.

Também é entender as próprias limitações e capacidades. Trata-se de saber o que se pode fazer e o que não, quais são os pontos fortes, os recursos e os pontos fracos. Em suma, reconhecer-se de maneira íntegra e sincera.

No entanto, a valorização é um processo que ocorre internamente em nossa mente e em nossas emoções. É um processo autorreflexivo que explora tanto as próprias virtudes quanto os defeitos.

Somente nós devemos nos valorizar: refletir sobre nossos valores pessoais, sentir-nos valiosos para nós e para os outros. Porque se o fizermos, ofereceremos aos outros o melhor de nós.

Mulher se olhando em espelho pequeno

Essa apreciação genuína está muito longe da fauna de ostentosos. Este grupo é composto por orgulhosos, soberbos, falsos humildes e modestos, superestimados, egocêntricos, pretensiosos, petulantes… alguns espécimes do gênero que tentam, por diversos caminhos, buscar reconhecimento e se defender de seus fortes sentimentos de inferioridade.

São formas de interação que geram reações em diferentes contextos. Mecanismos que envolvem a inferioridade pessoal, nos quais poderia ser aplicada a seguinte equação: diga-me do que você se gaba e lhe direi do que você sofre.

Os que se vangloriam acreditam conscientemente que podem fazer tudo. No entanto, isso não é ter boa autoestima, é egocentrismo, ou seja, idolatria própria. Obviamente, isso está mais próximo do pedantismo e da soberba, embora possa muito bem ser típico de um comportamento delirante.

São onipotentes prepotentes que tentam monopolizar diálogos, atribuindo-se um pequeno brilho, e são absolutamente “metidos”. Em seus diálogos — que são monólogos — ouvimos: “porque eu…, em uma oportunidade eu…, você sabe que eu…”, embora o interlocutor esteja falando sobre algum assunto.

Os vangloriadores são onipotentes, mas não o são em suas ações, não têm a capacidade que afirmam ter. Afirmam que podem tudo, mas não o concretizam na hora de fazer.

Estilos de comportamento soberbo

Soberbos e petulantes

Na soberba, o ser humano — além de se sentir onipotente — se supervaloriza e ostenta aquilo que considera que são seus valores pessoais. Comporta-se se gabando orgulhosamente, em uma atitude que desvaloriza o outro.

Os vangloriadores acreditam que sabem tudo e têm uma posição assimétrica, colocando-se acima dos outros com o queixo sutilmente erguido que força seu olhar para baixo. Falam como se fosse uma dissertação universitária.

Pretensiosos e ostentosos

Também existem pretensiosos com um toque de pedantismo. Por exemplo, o pretensioso é o que monopoliza a atenção nas reuniões sociais, conduzindo vários assuntos.

Costumam ler pouco e superficialmente artigos de curiosidades em revistas populares ou decorar algumas informações do Discovery Channel.

Além disso, falam continuamente de maneira sedutora, sem dar vez aos outros e, às vezes, caem no ridículo por tentarem exibir conhecimentos técnicos de construção a um engenheiro, explicar os mecanismos do inconsciente ao psicólogo, ensinar física quântica ao físico ou os mecanismos de clonagem ao biólogo, lecionar sobre política internacional, biologia marinha e até dar análises de notícias atuais.

No entanto, esses não são indicadores de sabedoria, mas de maneiras de se destacar nas reuniões sociais.

Este é um dos estilos de comportamento soberbo que poderia ser mitigado com níveis de humildade. Inclusive, a pessoa poderia chegar a ser realmente admirada.

Orgulhosos e superestimados

Essas pessoas mal poderiam ser chamadas de orgulhosas. Justamente porque a palavra orgulho é um termo mal aplicado no uso atual. Em geral, é tratada como sinônimo de soberba: “você é um orgulhoso, quem você pensa que é! E nada está mais errado que isso.

Orgulhar-se de si mesmo é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa. É sinônimo de uma valorização ideal e produtiva. Não significa que alguém seja superior a alguém, não é uma medida que diminui o outro; é uma estimativa pessoal do que se vale.

O orgulho também não significa se supervalorizar. Superestimar-se implica dar-se mais valor do que se tem. O superestimado acredita ser alguém quando não o é. Como tal, é uma posição defensiva que oculta sentimentos de desvalorização interna.

Por exemplo, alguém não consegue emprego porque quer trabalhar como chefe ou gerente, sem ter tido nenhuma experiência de trabalho, nem mesmo em teoria. Está convencido de que atende os requisitos para essa posição e acha que outro cargo inferior o diminui, não serve para ele e não está à sua altura.

Pensa que, se assumir uma posição de nível inferior ao que aspira, se conecta com a ineptidão que não quer nem deseja se conscientizar. Então, prefere não trabalhar a aceitar sua desvalorização. Acabam colocando a culpa na política social e econômica do país e inventando a desculpa de que não conseguem trabalho.

Mulher sem rumo na vida

Humildes e falsos modestos, outro dos estilos de comportamento soberbo

Os humildes, por outro lado, são aqueles que não se gabam nem se vangloriam de seus conhecimentos e suas habilidades. Muitos deles reconhecem que os possuem, mas não caminham pela vida lembrando as pessoas de suas virtudes.

São essas pessoas que nos surpreendem com suas habilidades, pois nunca teríamos pensado que as possuíam. São como uma caixa de Pandora da qual emergem recursos e mais recursos que não se encaixam no estilo discreto que aparentam.

Assim, os humildes são muito diferentes daqueles que agem com falsa modéstia.

Os falsos modestos são as pessoas que intencionalmente demonstram um perfil de humildade. Se esforçam para que seja o interlocutor que os vanglorie e destaque as condições que tentam esconder para que sejam evidenciadas.

Ou seja, não é o protagonista que ostenta, é o companheiro na comunicação que revela o que eles supostamente não querem mostrar.

Os indivíduos desta categoria têm uma maneira particular de se gabar. Não são prepotentes nem petulantes, são egocentricamente modestos: mostram um aspecto de incapacidade que deixa uma margem para que o outro perceba que ele é capaz, e anseiam que seu companheiro de comunicação revele seu potencial.

Todos os que possuem esses estilos de comportamento soberbo se mostram quase perfeitos, mas secretamente esperam encontrar valorização em suas relações e nunca aceitarão que possuem falhas ou que erram.

Também não se animam a dar ou ajudar os outros para receberem reconhecimento. Como em qualquer mecanismo defensivo de onipotência, nos soberbos claramente prevalecem os sentimentos pessoais de impotência e desvalorização interna que não saem à superfície.

O senso de autossuficiência é muito importante nesse estilo de personalidade. As pessoas com comportamento soberbo nas interações humanas estão muito acima dos outros. Sempre são assimétricos e olham para os outros de cima. Portanto, é difícil para os interlocutores alcançarem o coração desses semideuses.

Quase sempre, quando se conectam com os outros, o fazem através do intelectual ou do racional. Podem monopolizar uma reunião tomando a frente com o objetivo de monologar e receber elogios e mostras de valorização dos que os rodeiam.

Essas formas de ostentação podem ser aprendidas muito rapidamente. Como destacado anteriormente, ouvindo comentários dos que realmente sabem ou reunindo alguns dados dos poucos programas culturais de televisão existentes e desenvolvendo-os habilmente por meio da oratória.

Esses perfeitos são, como tais, negadores. A onipotência, em geral, é um recurso defensivo aliado à negação. É necessário negar esses aspectos que evidenciam a impotência e a insegurança e, magicamente, formar um caráter onipotente e autoconfiante.

Obviamente, essa estrutura não é consciente. Não se trata de um ato premeditado. É construído gradativamente, ocultando cada vez mais os sentimentos sombrios que trazem à tona as fraquezas da pessoa.

No entanto, mais cedo ou mais tarde, esses mecanismos fazem com que a pessoa seja gradualmente rejeitada. Inicialmente, o onipotente pode, de forma empática, ser eloquente e se destacar entre seus interlocutores, por exemplo, no desenvolvimento de algumas questões específicas.

Na medida que essa atitude se repete em todos os assuntos e em todas as oportunidades, as pessoas começam a criar antipatia com o protagonista e surgem atitudes de rejeição. É uma equação diretamente proporcional: de tanto tentar se destacar, com tanta marginalização, acaba se desvalorizando.