Quando o estresse se transforma em doença

· abril 1, 2017

O ritmo de vida acelerado que levamos gera estresse. Cada dia mais pessoas sofrem com o ritmo alucinado imposto pelas obrigações que assumiram. Nos ocupamos de muitas coisas ao mesmo tempo, queremos fazer tudo rápido e direito. Este nível de exigência e a pressão de carregar tantas responsabilidades acabam mandando a conta.

Cada vez aumentam mais as pesquisas que exploram as consequências do estresse prolongado sobre nosso organismo. Os resultados apontam que nos colocarmos em um estado dominado pelo estresse é muito perigoso para nossa própria saúde. É muito difícil viver uma vida livre de preocupações, mas a nossa atitude para com ela é decisiva. As doenças psicossomáticas são um exemplo da importância que o nosso estado mental tem e da conexão corpo-mente.

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O cortisol, causador de doenças

O cortisol é um hormônio produzido pela glândula suprarrenal. É liberado quando estamos estressados. Por outro lado, quando é liberado por um longo período de tempo, coloca em risco a nossa saúde. O cortisol provoca a liberação de glicose no sangue para então enviar uma grande quantidade de energia aos músculos. Ele tem o objetivo de nos dar mais energia em situações de emergência.

Quando o estresse se dá em um momento específico, o organismo volta a restabelecer os seus níveis hormonais. Quando a situação se prolonga por um longo período de tempo, aparecem sintomas adversos, tais como:

  • Mudanças no comportamento. Irritabilidade, sentimento de ira, desmotivação.
  • Hipertensão.
  • Dor de cabeça.
  • Problemas digestivos.
  • Falta de apetite ou fome desproporcional.
  • Dores musculares.
  • Perda de memória.
  • Desequilíbrio do sistema imunológico.

Todos estes sintomas provocados pelo cortisol ao longo do tempo podem provocar uma patologia. Está relacionado com distúrbios como hipertireoidismo, diversos problemas cardiovasculares (angina do peito, infarto do miocárdio), infecções cutâneas (herpes, psoríase, eczemas) e doenças digestivas (úlceras, gastrite).

Doenças psicossomáticas e estresse

São doenças físicas que surgem por estresse ou por qualquer tipo de mal-estar psicológico que acaba se expressando em forma de doença. O DSM-5 as catalogou como transtornos de sintomas somáticos e transtornos relacionados. A ausência de provas físicas ou biológicas que expliquem a sintomatologia referida pelo paciente torna difícil encontrar um tratamento eficaz para o problema.

Os sintomas que costumam aparecer são diferentes, mas são todos fontes de mal-estar e dificultam o desenvolvimento normal da vida cotidiana. Estes sintomas não estão associados a uma causa física que os explique. Então, é importante detectar que se trata de uma doença psicossomática para poder encontrar uma solução, levando o paciente a um especialista de saúde mental.

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Os sintomas podem ser generalizados ou específicos e, às vezes, são identificados como sensações normais (como a sensação de sentir fome) ou confundidos com sintomas característicos de doenças leves (como um resfriado). O sintoma mais frequente registrado neste tipo de pacientes é a dor.

Pesquisas científicas que demonstram esta relação

Segundo o Texas Heart Institute, o estresse é um dos fatores que mais aumenta a probabilidade de padecer de uma doença cardiovascular. O estresse aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, aumentando a necessidade de oxigênio do coração.

A revista Nature publicou um artigo que afirmava existir uma relação direta entre o estresse e o câncer. As experiências lideradas por Tian Xu revelaram que as células “estressadas” podem emitir sinais que levam à geração de tumores, afetando as células sadias vizinhas. O lado positivo desta descoberta é a possibilidade de ter uma nova via para combater o câncer, interceptando e bloqueando os sinais de estresse que as células trocam.

Um grupo de pesquisadores argentinos identificou nas suas pesquisas o estresse como um detonador do início da demência. Segundo o grupo liderado pelo doutor Reich, o estresse pode acarretar um processo degenerativo no cérebro e projetá-lo sobre o sistema neuroendócrino e imunológico. Embora isso não implique uma causalidade direta, seria interessante continuar pesquisando até que ponto existe essa relação.

De uma forma ou de outra, o que parece evidente é que um estado constante de superativação no corpo destrói nossas defesas e nos torna cada vez mais propensos a contrair doenças. Esta causa não aparece refletida em nenhuma ressonância eletromagnética, por isso a identificação da origem da doença psicossomática é tão complicada, e com frequência rejeitada pelos pacientes.