A estupidez tem o mau hábito de aparecer sem ser chamada

· dezembro 25, 2016

A estupidez está sempre na primeira fila para ser vista e admirada, enquanto a inteligência, que é mais sensata, se cala e observa tudo a partir de um canto discreto. A ignorância com má fé é como aquela doença estranha que nunca afeta o sofredor, mas aqueles que estão ao seu redor sofrem as consequências.

A Real Academia define esta dimensão banal na nossa linguagem popular como “estupidez notável”. Agora, na esfera psicológica, a estupidez humana apresenta realmente diferentes graus de “idiotice”. No entanto, há um em particular ao qual é adicionado o ingrediente da intenção de prejudicar o outro.

“Nunca discuta com um idiota: você descerá ao seu nível, e ele o vencerá com a sua experiência”.
-Mark Twain-

Vamos admitir: quem não cometeu uma estupidez em algum momento da sua vida? São aquelas ações nas quais o impulso pesa mais do que a reflexão, o desejo antes da prudência… são momentos vitais de aprendizado, e muitas vezes nos lembramos da situação como uma brincadeira juvenil, algo que ficou para trás dissolvido pelo olhar da maturidade e da perspectiva do equilíbrio pessoal.

No entanto, há um outro aspecto que todos nós conhecemos bem. Às vezes nós subestimamos a quantidade de estupidez que nos rodeia. Há pessoas que se esforçam para demonstrar lucidez e perfeição, mas o que demonstram é uma ingenuidade absoluta carregada de artimanhas. Por sua vez, não há nada pior para todo cérebro acordado e iluminado do que essas modas estúpidas criadas para nos controlar, padronizar os nossos interesses e comportamentos.

Todos nós, de alguma forma, somos vítimas de diferentes tipos de estupidez humana e mesmo institucional. Essa que sempre aparece sem ser chamada, porque está sempre aqui, presente e constante.

A estupidez humana e a inteligência

Muitas vezes cometemos o erro de pensar que o comportamento “estúpido” está associado com pouca inteligência, mas não é bem assim. O QI não tem nada a ver com este tipo de comportamento, reações, verbalizações ou simples detalhes cotidianos que vemos com tanta frequência.

A Universidade Eötvös Lornand (Hungria) e a Universidade de Baylor (Texas) realizaram em 2015 um estudo interessante sobre a estupidez intitulado “O que é estupidez? O que as pessoas acreditam que seja um comportamento inteligente”. Estes estudos demostraram pela primeira vez alguns aspectos que até agora nenhum outro estudo psicológico tinha revelado sobre a estupidez humana.

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Os três tipos de estupidez humana

Em primeiro lugar, precisamos saber que o tipo mais comum de estupidez está associado a simples distração. É algo que nos acontece muito frequentemente. Nós cometemos erros, descuidos e podemos até machucar outra pessoa por isso. No entanto, tenha cuidado, porque isto não é a um ato involuntário, mas sim uma falta de esforço, investimento ou envolvimento pessoal.

Enquanto isso, o segundo tipo que é geralmente associado à estupidez estudado neste artigo é o da “falta de controle”. É característico de pessoas com comportamento obsessivo-compulsivo e pouco autocontrole. Pode haver diferentes graus, embora geralmente estejam associados a personalidades muito ansiosas. O impacto sobre o ambiente em que vivem é geralmente muito negativo.

Finalmente, o terceiro tipo é aquele onde existe uma clara intenção. É uma estupidez declarada; a pessoa escolhe a assumir riscos ou tomar decisões, sobre as quais tem plena consciência de que as consequências podem não ser agradáveis. Uma condução imprudente, uma piada pesada, uma palavra mal-intencionada …

Um perfil comportamental muito prejudicial que está sempre presente em nossa sociedade.

Os conspiradores da felicidade humana

Uma mente saudável e sensata é o comportamento oposto dessa personalidade de comportamento estúpido que sempre aparece sem ser chamado e sem ser esperado. Talvez por isso, sabendo que este perfil não está associado à baixa inteligência, deveríamos falar em moralidade e não em uma dimensão intelectual.

O estúpido pode nascer estúpido ou se transformar ao longo da vida, porque a estupidez prevalece nos nossos ambientes mais próximos: é vendida, inalada e contagia a todos. Vemos a estupidez nos programas de televisão, em campanhas de moda, em pessoas que alcançam a fama sem ter nenhuma qualidade…

Fernando Savater explica que os estúpidos são na realidade os conspiradores da felicidade humana. Se optam por implantar as suas artes do mal, não é por nada além do tédio. Para esses entediados, os outros são covardes, egoístas, maus patriotas e, acima de tudo, se divertem colocando os outros em confusões e disputas. A estupidez, como se vê, é muito mais do que um mau hábito que aparece sem ser chamado…

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As leis da estupidez humana

Carlo Cipolla, um famoso historiador italiano, também investigou o aspecto da estupidez humana de maneira formidável. Para ele, todos os males da sociedade foram provocados por estes conspiradores da felicidade, ou seja, os estúpidos. De fato, em seu livro “Allegro ma non troppo” ele fez um grande detalhamento das características dessas pessoas.

Vale a pena citá-lo, mesmo que seja como uma curiosidade.

  • A primeira lei que Carlo Cipolla nos deixou diz que as pessoas subestimam a grande quantidade de estúpidos ao seu redor.
  • Não confunda os estúpidos com os tolos ou pessoas com pouca inteligência: os mais perigosos são os primeiros.
  • Um estúpido é uma pessoa cujas ações têm um impacto sobre a vida dos outros, nunca na sua própria vida.
  • Uma das características da estupidez é a sua paixão por se intrometer em mundos alheios que não são da sua competência.
  • A estupidez está presente em todas as classes sociais, mas entre aqueles que se acham “intelectuais ou poderosos” atinge uma gravidade maior.