Eu escolho minhas próprias batalhas

Eu escolho minhas próprias batalhas

junho 4, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Eu escolho minhas próprias batalhas

Defender os próprios direitos, o que pensamos que é certo ou o que acreditamos que merecemos é útil e prático na maioria das vezes. Essa maneira de nos relacionarmos é conhecida na psicologia como assertividade e é muito comum que pacientes com baixa autoestima ou com problemas interpessoais a usem com um objetivo terapêutico. A verdade é que se fôssemos sempre passivos e submissos, nos conformando com tudo, o mundo estaria bastante estagnado. Outra questão são as batalhas nas quais estamos imersos.

Para conseguir certas coisas, às vezes temos que “dar um soco na mesa”, mostrar nosso inconformismo e tentar mostrar que nosso ponto de vista também é importante e valioso. Até o momento certamente estamos de acordo, o problema é que muitas vezes a situação escapa do nosso controle e lutamos “batalhas” que nem deveriam existir.

Por que criamos batalhas absurdas?

O ser humano gosta de se sentir importante e, acima de tudo, gosta que seus desejos sejam cumpridos à sua maneira. Costumamos dizer para nós mesmos frases absolutistas e dogmáticas como “não deveriam existir filas nos supermercados, os caixas deveriam ser mais rápidos, são inúteis!” ou que “a enfermeira deveria ter sido mais agradável”. Em muitos casos, acabamos entrando em batalhas absurdas.

Mulher-confusa-com-a-cabeça-baixa

Os constantes “deveriam” não são mais do que exigências que fazemos ao mundo e aos demais, e no fim das contas acabam nos levando a um estado emocional bastante desagradável. Normalmente ficamos ansiosos ou com raiva e, consequentemente, agimos de uma forma que não beneficia ninguém. Longe de resolver nosso problema, o convertemos numa autêntica batalha.

Tudo está na nossa cabeça, já que não existe no mundo nenhuma razão pela qual as coisas não tenham que ser como são na realidade, visto que já são assim. E apenas eu, por meio de um pensamento mágico e falso, converto algo desejável em uma obrigação para com o outro e uma necessidade para mim.

Tolerância ou conformismo?

Então o leitor pensará que, para não provocarmos estados emocionais patológicos, temos que nos conformar com tudo que vá aparecendo, e que isso nos coloca em uma posição de marionetes, que se movem de acordo com os acontecimentos externos. Nada mais longe da realidade.

O segredo é desenvolver a tolerância em relação as coisas que não são tão úteis, ou quase nada importantes. O fato de existir ou não uma fila grande no caixa do supermercado é algo insignificante, não podemos classificá-lo como um infortúnio. Mas nos deixa irritados, ficamos tensos e ansiosos… vale a pena?

Essa tensão muitas vezes nos leva inclusive a ter muitas atitudes infantis que com certeza não nos leva a nenhum lugar, e além disso ainda seremos rejeitados por pessoas que não estão nem um pouco interessadas se temos pressa, se estamos nervosos ou irritados.

Casal-falando-sem-se-entender

Como faço para tolerar o que me incomoda?

Para aprender a tolerar tudo aquilo que nos incomoda podemos seguir os seguintes conselhos:

  • Aprenda a detectar seus pensamentos automáticos negativos: Ao se encontrar numa situação que certamente não é nada importante, como uma noite em que os seus vizinhos decidiram escutar música num volume um pouco mais alto que o normal, pare e reflita sobre os seus pensamentos. Você está impondo sua opinião para que as coisas sejam de outra maneira? Você diz a si mesmo que isso é intolerável? Se a resposta for sim, você está agindo como uma divindade, um ser superior que pode julgar os outros e fazer com que as coisas sejam diferentes. Mas a verdade é que isso é apenas uma fantasia e existe apenas na sua cabeça.
  • Comece a mudar seus pensamentos por outros que se ajustem ao mundo da maneira como ele é, e não ao que pretendemos infantilmente que seja: Em vez de falar em termos de deveria, fale em termos de preferências. Em vez de dizer que algo é intolerável, fale para si mesmo a verdade, de que você já está tolerando e suportando isso que o incomoda.
  • Empregar o senso de humor em situações que não gostamos ou que são desagradáveis: O humor nos defende de quase todos os golpes, sobretudo os do dia a dia, e faz com que as dificuldades sejam mais suportáveis.
  • As relações são como engrenagens, se nós mudamos, o outro também tende a mudar: se percebo que um médico é antipático e está me tratando de uma forma pouco agradável, posso me obrigar a ser simpático e amável com ele e muito provavelmente sua atitude irá mudar. O amor também desarma e transforma as relações.

Portanto, não se deixe levar pelas emoções em uma situação que não lhe agrada. Você tem que estar acima disso e aprender a escolher suas próprias batalhas.

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