Um ex sempre deixa marcas

· junho 26, 2015

O tempo vivido com um ex deve contribuir como experiência para ajudar em nosso autoconhecimento, em saber o que temos no momento e o que temos que fazer no futuro; devemos aprender com os nossos próprios erros, e com os do outro também. Tudo isso nos ajudará a encontrar o verdadeiro amor, que, segundo dizem por aí, existe.

O problema aparece, ou melhor dizendo, se manifesta, quando as ligações são muito fortes e os laços ainda estão latentes. A marca deixada por um ex pode ser positiva ou negativa, tudo depende da intensidade da relação, não da soma dos dias num calendário. Há muitos casais que estiveram juntos por um ano e viveram mais que os casais que passaram dez anos juntos.

Por outro lado, os projetos em conjunto e as expectativas depositadas na outra pessoa podem ser os responsáveis por como nos sentiremos em um novo relacionamento, ou com nós mesmos. Isso significa que, se confiamos muito e somos traídos, é provável que seja difícil voltar a colocar a “mão no fogo” por alguém, pelo menos por um tempo

O ex, uma presença ameaçadora

Alguns dos nossos ex-namorados continuam presentes mesmo depois de muito tempo, seja física ou emocionalmente. Outros se perdem sem deixar rastros na mente consciente, e há também os que voltam, de surpresa, por meio de alguma lembrança, por passar num lugar que vocês sempre iam, por um nome, etc. Por mais que uma relação tenha terminado bem, ex namorados(as) deixam marcas, algumas vezes mais profundas, outras mais superficiais, mas sem dúvidas, marcas. Além disso, nos permitem ver alguns aspectos importantes de nós mesmos.

Mesmo que você tenha tido 20 relacionamento, todos estão, de alguma forma, ligados a você. É que na busca pelo amor, há um denominador comum que não fala do outro, mas sim de você mesmo. Isto é, suas necessidades inconscientes, seus traumas, suas expectativas, etc. Estas são as palavras da Dra. Patricia Sepúlveda Sanhueza, psicóloga e terapeuta de casais.

Podemos até pensar que os ex são o oposto de nós mesmos, mas não é assim. Um relacionamento nos dá a oportunidade de aprender mais sobre nós mesmos, sobre a sexualidade, sobre como lidamos com as pessoas, como podemos oferecer o que temos ao próximo, etc.

Mas, então, por que alguns relacionamentos são mais importantes que outros? A especialista responde que isso se deve às expectativas que foram depositadas, ou seja, quanto mais projetos existiam com a pessoa, maior é a ferida.

Por sua vez, os ex-namorados são diferentes dos ex-maridos, já que o compromisso afetivo é maior. Nesse tipo de relacionamento, foram mais momentos compartilhados e mais objetivos que não foram cumpridos. Um namoro é um treinamento, e o casamento é um lugar importante da existência dos seres humanos. A marca é ainda maior caso o casal tenha filhos.

Ser feliz, um acordo inconsciente

A Dra. Sepúlveda explica que o fato de escolher e estabelecer um vínculo afetivo com uma pessoa para ser feliz implica um certo nível de maturidade e de auto conhecimento. Podem ter passado apenas dois meses namorando, mas se essa pessoa foi a responsável pela felicidade da outra, de forma completa, o término trará um vazio muito grande. A formação e a combinação dos casais ocorre de forma inconsciente. Um exemplo claro é o da mulher apaixonada e do homem de sucesso, um ajuda com a admiração e o outro com a proteção, sendo o provedor.

Muitas separações acontecem porque o acordo entre ambos muda de direção, seja por uma ou por ambas as partes. Se o relacionamento não resiste e não é capaz de fazer um novo contrato, o mais provável é que apareça a infelicidade e a posterior ruptura. Centenas de casais buscam ajuda quando já estão muito feridos para se recuperarem sozinhos.

Embora costumem pensar o contrário, o distanciamento pode produzir alívio e felicidade quando consumado. É fundamental aproveitar esse momento para aprender sobre si mesmo, os defeitos e as habilidades, a maturidade, etc. É vital analisar o por quê da situação, caso contrário, a dor permanecerá por muito tempo. Enquanto algumas feridas não forem curadas, não haverá lugar para um novo amor.

Isso não quer dizer que não tenham ficado marcas em nosso coração ou em nossa mente, mas o segredo está em utilizá-las para seguir em frente, para mudar, para melhorar, não para ficar pensando, chorando ou lamentando a perda. O processo de escolha do próximo relacionamento e o sucesso ou fracasso da mesma dependerá de quão curados estamos da relação anterior.

Não há uma regra que diga quanto um ex tem que nos “marcar”, nem o tempo que precisamos para curar a dor. Tudo depende do compromisso de cada um para ser melhor no dia a dia.

Uma boa ideia é “resgatar”, de cada relação, o que nos fazia mais felizes. Por exemplo, sair para passear, a paixão, o romance, o fato de se sentir cuidado, a segurança, a comunicação. Estas são as marcas “boas” que devemos guardar do nosso antigo relacionamento. Já as más, devemos ir eliminando com o tempo, que é o melhor remédio na grande maioria dos casos.