Terapia centrada na compaixão: conheça 3 exercícios

3 exercícios baseados na terapia centrada na compaixão

março 28, 2018 em Emoções 127 Compartilhados
3 exercícios baseados na terapia centrada na compaixão

Os exercícios baseados na terapia centrada na compaixão podem enriquecer qualquer área de relacionamento do ser humano. Um dos seus propósitos é promover um bem-estar interno adequado, de modo que este equilíbrio atue como um impulso vital, como uma onda expansiva fabulosa com a qual podemos aliviar o sofrimento, oferecer apoio e criar consciência.

Este tipo de abordagem ainda pode ser desconhecido para muitos, e à primeira vista parece recorrer a uma série de princípios muito mais filosóficos do que científicos. No entanto, para entender a sua transcendência, devemos nos colocar em um contexto. A terapia centrada na compaixão é parte do ramo que hoje conhecemos como “terapias de terceira geração”.

“A compaixão é a base para restaurar a vitalidade e construir um mundo mais humano”.
-Martin Lowenthal-

O propósito delas é muito útil e representa um avanço considerável: em vez de nos concentrarmos exclusivamente na sintomatologia de doenças ou distúrbios, o campo da atenção vai um pouco mais além para abordar esses outros aspectos mais profundos que também definem o ser humano. Assim, áreas como o mundo emocional, os sentimentos ou qualquer outro tipo de circunstância pessoal ou existencial que envolva o paciente agora, com este tipo de terapia, tem um valor essencial.

Por outro lado, vale a pena lembrar que Paul Gilbert formulou uma terapia centrada na compaixão depois de fazer uma síntese das teorias do apego de J. Bowlby, do pensamento budista, da psicologia evolutiva do cérebro humano e da teoria da mente. O conjunto de seus princípios se baseia em um fato muito concreto: lembrar o valor da compaixão humana e seu poder, uma capacidade de crescimento pessoal e uma ferramenta para melhorar nossos relacionamentos.

Empatia

3 exercícios baseados na terapia centrada na compaixão

O conceito de compaixão vai muito além da esfera filosófica ou religiosa. Às vezes não chegamos a ver a autêntica transcendência contida em muitas das nossas palavras mais comuns. Assim, o termo compaixão representa, acima de tudo, uma qualidade vital com a qual podemos nos ajudar e construir uma realidade social mais respeitadora e humana.

Para moldar essa abordagem altamente valiosa, o psicólogo Paul Gilbert propôs uma ampla variedade de técnicas. Esta gama interessante varia de estratégias puramente comportamentais, passando pela cognitiva, narrativa, terapia da gestalt ou o mindfulness. Deve-se dizer que é um tipo de terapia tão interessante quanto útil, e é por isso que vale a pena aprender alguns desses exercícios com base na terapia centrada na compaixão.

1. Crie um lugar seguro para você

Este tipo de terapia nos ensina que é necessário nos tomarmos como ponto de partida para podermos trabalhar a compaixão. Ninguém pode sentir compaixão pelos outros se não a desenvolve primeiro por si mesmo.

Portanto, não é apenas necessário aprender a gostar de nós mesmos, mas devemos “nos amar”. Algo assim implica dar forma a diferentes valores psicológicos, como desenvolver fortalezas adequadas, intuir necessidades e medos, e até mesmo aliviar o sofrimento pessoal e acalmar pensamentos intrusivos, etc.

  • Para conseguir isso, podemos começar com uma técnica de visualização onde podemos criar um lugar seguro. Devemos dar forma a um espaço mental onde podemos nos refugiar para encontrar a calma, onde podemos entender e tomar decisões com maior liberdade.
  • Podemos imaginar uma casa feita de vidro. Estamos cercados por uma calma e uma luz serena que inunda tudo. A harmonia reverbera em todos os cantos e tudo é paz. O interior daquela casa de vidro é um lugar acolhedor onde nos sentimos seguros.
  • Neste espaço, neste refúgio mental, devemos ir por meia hora todos os dias ou quando precisarmos. Aqui podemos conversar com carinho e sinceridade, deixando o barulho e os medos do lado de fora.

Quarto com vista para o mar

2. Trabalhar com meu ego compassivo

O desenvolvimento de um ego compassivo é um dos mais importantes exercícios da terapia centrada na compaixão. Essa tarefa exige trabalhar em uma série de aspectos importantes.

  • Primeiro, devemos estar cientes de nossas próprias emoções, necessidades e sofrimentos.
  • A bondade não é apenas praticada com os outros, de fato, é fundamental que também a pratiquemos com nós mesmos. Isso implica, por exemplo, desenvolver um diálogo interno positivo e não ter medo de reconhecer nossas feridas internas, nossos defeitos ou necessidades mais profundos.
  • Da mesma forma, é necessário entender que um certo grau de sofrimento, em determinados momentos, enquadra-se no normal e, portanto, não há motivo para negá-lo, escondê-lo e muito menos negligenciá-lo ao não prestar atenção no problema.
  • O ego compassivo deve enfrentar muitas vezes o “ego ansioso”, o “ego obsessivo” ou o “ego negativo”. Este é, sem dúvida, um trabalho meticuloso para enfrentar esse inimigo interior que constrói resistência, que constrói paredes e recursos psicológicos que nos impedem de poder curar as feridas do passado ou do presente.

3. Dinamize o fluxo da compaixão

Esse exercício por meio do qual somos capazes de dinamizar o fluxo da compaixão é outra das habilidades mais importantes no contexto da terapia centrada na compaixão. O que isso significa? Basicamente, fazer os outros alcançarem essa compaixão que aprendemos a praticar com nós mesmos.

Este exercício é realizado de muitas maneiras diferentes, mas o mais importante é partirmos do desejo sincero de proporcionar o bem-estar aos outros, de abraçar o outro através da bondade e reconhecimento, de pensar sobre nossos companheiros seres humanos de maneira positiva e e até mesmo esperançosa.

Esse fluxo pode ser criado por três verbalizações muito simples:

  • Eu quero que você fique bem.
  • Eu quero que você seja feliz.
  • Eu quero que você fique livre de sofrimento.

Apoio emocional

Para concluir, este tipo de terapia não é um conjunto de iniciativas baseadas na boa vontade. Na verdade, parte de uma realidade científica inegável: a compaixão cura, a compaixão gera mudanças em nós mesmos e nos outros. É uma respiração vital capaz de apagar os medos e ansiedades, melhorar todo o processo terapêutico, remover os pesos no tratamento de qualquer doença…

Vamos pôr em prática, vamos fazer um uso mais pessoal e social da compaixão.

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