Existe a crise da meia-idade?

Existe a crise da meia-idade?

Última atualização: 17 junho, 2015

“Não há ninguém menos afortunado do que o homem que a adversidade esqueceu, já que não teve a chance de ser testado” (Sêneca).

Tanto no contexto da ciência quanto na crença popular, muitas vezes se fala da “crise da meia-idade”. Em torno desse conceito são tecidas várias suposições, que muitas vezes correspondem à realidade, mas em alguns casos alimentam um mito contemporâneo.

O que é a “meia-idade”?

Primeiramente vamos definir o que é “meia-idade”. Há alguns séculos atrás, a meia-idade poderia ser entre os 20 0u 30 anos. Hoje, a expectativa de vida aumentou significativamente e a meia-idade pode ser entre 35 e 45 anos, em condições normais.

Em tempos e contextos específicos como uma epidemia ou uma guerra, a expectativa de vida cai drasticamente. Em classes sociais diferentes, a expectativa de vida também muda. Um mineiro do terceiro mundo está mais exposto às doenças e a morte do que alguém que trabalha em um escritório no Canadá.

Crise da meia-idade

O segundo ponto é definir claramente o que significa a palavra “crise”. Etimologicamente, é um termo derivado de uma palavra grega, que significa “decidir”. O uso popular lhe deu um significado bastante pejorativo. Quando se fala de crise, muitos entendem que se fala de um “momento difícil”.

Ao longo da vida passamos por vários momentos de crise ou escolhas, que geralmente ocorrem em situações de mudanças ou transição. Elas ocorrem na adolescência, quando os seres humanos deixam para trás o mundo das crianças e tornam-se adultos, e também quando nos casamos e termina a fase da paixão, e as fantasias românticas se confrontam com a realidade cotidiana.

Podem ocorrer também quando temos um filho, quando experimentamos uma perda significativa, quando renunciamos a um ideal ou reavaliamos uma crença política ou religiosa.

O ponto em comum entre todas essas crises ou escolhas é a reavaliação de toda a nossa vida: uma reorganização das crenças, sentimentos, valores e ideias.

Uma crise sempre significa crescimento: adquirimos novas ferramentas emocionais e intelectuais para assumir o novo, integrando as experiências do passado com novas habilidades e novos recursos subjetivos.

No caso da crise da meia-idade, a tensão é causada pela transformação de um adulto jovem em um adulto mais velho. Isso traz muitas perdas e alguns ganhos. Fisicamente, há uma mudança importante: a pele perde o viço e resseca com facilidade. Você não pode comer uma pizza às duas da manhã, como quando era jovem. Se levar um tombo, se levanta pedindo à Deus para que não tenha quebrado nenhum osso.

Percebemos que a juventude passou e entramos na idade madura. As mudanças nem sempre são agradáveis: o envelhecimento em geral, a menopausa, a morte dos pais e os filhos saindo de casa para cuidar de suas vidas.

Socialmente e emocionalmente, há uma grande transformação. Nesse momento, você percebe que não realizou todos os seus sonhos de juventude. Admite que você não é um astronauta, um esportista famoso ou o cientista mais jovem que conseguiu uma grande invenção. Nessa fase, você tem mais consciência da morte.

Para o adulto maduro, ou seja, casado, com filhos independentes e já formados na faculdade, que recebem uma aposentadoria que lhes permite viver sem preocupações, essa etapa transcorre normalmente e aceitam com uma certa serenidade os últimos anos de suas vidas.

Se em vez disso, a pessoa se torna idosa sem uma boa condição financeira, com laços familiares precários, ou com uma sequência de perdas em sua história, talvez não tenha uma velhice tranquila.

Ainda assim, a crise da meia-idade, com todas as escolhas e decisões que tomamos, é uma fase de novas oportunidades. Como diz um antigo ditado, renuncie ao impossível, faça o possível e aprenda a reconhecer a diferença entre um e outro.


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