Falar com um adolescente requer fazer as perguntas certas – A mente é maravilhosa

Falar com um adolescente requer fazer as perguntas certas

8, abril 2015 em Psicologia 8 Compartilhados

Que não é fácil falar e entender um adolescente, não é nenhuma novidade. A comunicação com os adolescentes pode ser complicada, especialmente para os pais, que estão em uma nova situação, antes do que muitos gostariam.

Os pais devem entender que, para comunicar-se com um filho adolescente, é fundamental reconhecer que a situação está mudando. A adolescência é um período muito importante na vida das pessoas, e é necessário adaptar-se para compreender o que está acontecendo.

A decepção dos pais

É normal que os pais sintam certa frustração quando os filhos começam a crescer, já que começam a querer levar sua vida de forma independente e a planejar seu tempo livre sem contar com ninguém, além dos seus amigos. De repente, parece que levantam um muro intransponível e deixam de falar de temas que antes eram o motivo de longas conversas.

Além disso, os adolescentes começam a falar a sua própria linguagem, a se vestir de maneira diferente, a escutar outro tipo de música e a ver outro tipo de filmes.

De repente, os pais se dão conta de que já não podem mais fazer planos por eles, e que pouco importa o que desejam ou pensam. A opinião de pai já não conta.

Tudo isto decepciona. Claro que sim! Os pais dedicaram a sua vida a modelar filhos perfeitos, a sua maneira e parece que vai tudo por água abaixo.

Mas é preciso não cair na armadilha de pensar que, como pais, somos dispensáveis. Nossos filhos nos amam, mas como qualquer outro adolescente, nossos “pequenos” também querem afirmar a sua independência e sentir-se competentes por si sós.

Como conectar-se e se comunicar com um filho adolescente

Muitos pais e mães se queixam porque não conseguem falar com seus filhos, porque não conseguem que eles lhes contem o que acontece no dia a dia. Mas o problema é que na maioria das vezes não fazemos as perguntas da forma adequada.

Para conseguir que um adolescente se abra para uma conversa com um adulto, é importante fazer as perguntas de certo modo para favorecer a interação.

Fazer perguntas abertas

Em vez de fazer perguntas fechadas que só permitem responder sim ou não, para se dirigir a um adolescente é muito mais eficaz fazer uma pergunta aberta.

Isto é, se queremos saber como foi o seu dia, em vez de perguntar-lhe “foi tudo bem hoje na escola?” ou “tem muita lição de casa para fazer?”, será mais eficaz você lhe perguntar por algo concreto de forma concreta sobre algo que lhe interesse, por exemplo “o que fizeram na aula de educação física?” ou “o que o professor perguntou na prova de literatura?”

Fazer perguntas específicas

Frente a perguntas gerais sobre aspectos amplos, é muito mais efetivo, de cara para travar um diálogo, perguntar aos adolescente sobre pessoas ou eventos importantes para eles, mesmo que se tratem de temas que, como pais, não entendamos ou não nos interessem.

Nossos filhos valorizam que nos preocupemos pelos seus gostos, especialmente quando lhes colocamos perguntas realmente interessantes que os animem a se expressar.

Mostrar sensibilidade e saber escutar

De nada adianta perguntar se não escutamos atentamente o que nos dizem nossos filhos, e se a única coisa que nos importa é o que vamos dizer depois, ou se vamos utilizar a resposta que nos dão para conseguir algo que nos interesse a nós como pais.

Se utilizamos as respostas de nossos filhos para manipulá-los ou para repreendê-los, apenas conseguiremos que se fechem cada vez mais. E nunca conseguiremos conhecê-los nem entendê-los, ou muito menos ajudá-los quando precisem.

Saber perguntas sobre os gostos pessoais

É muito positivo aproveitar algumas situações ou circunstâncias para perguntar aos nossos filhos sobre os seus gostos pessoais. Por exemplo, podemos aproveitar para perguntar sobre para onde gostariam de viajar ou o que gostariam de conhecer depois de ver um filme que mostra uma cultura ou um lugar diferente, ou aproveitar algum evento familiar para lhes perguntar sobre suas expectativas sobre a vida. Mas sem tentar influenciá-los, somente com a intenção de conhecê-los.

Podemos propor uma brincadeira familiar ou com amigos que consiste em fazer perguntas inocentes e divertidas que uma pessoa pergunta e todos devem responder. Além de ser divertido, este jogo permite aos filhos conhecerem os seus pais e aos pais se deixar conhecer.

Acontece que, muitas vezes, nos queixamos de como nossos filhos não se comunicam conosco, que não os conhecemos, mas esquecemos que talvez, eles pensem o mesmo de nós, e que uma mudança de atitude de nossa parte pode favorecer e melhorar nossa relação com eles.

Imagem cortesia de marsmettn tallahassee