Família também são as pessoas que eu escolho

Família também são as pessoas que eu escolho

março 6, 2016 em Psicologia 662 Compartilhados
Família também são as pessoas que eu escolho

Costumamos dizer que o importante de uma família não é que as pessoas morem juntas, e sim que estejam unidas. Contudo, isso nem sempre é possível. Somos um caleidoscópio muito complexo com diferentes interesses e sentimentos que não costuma se integrar tanto quanto gostaríamos.

Há quem também pense que pelo fato de compartilhar um vínculo genético, existe a obrigação moral de estar unido a quem em algum momento nos fez mal, nos abandonou, ou com quem simplesmente “não encaixamos”.

O sangue nos faz parentes, quanto a isso não há dúvida, mas é a lealdade a que cria uma autêntica família, onde se incluem não apenas os nossos familiares mais significativos, mas também as nossas amizades.
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Todos sabemos que a família simboliza um pilar quase infalível que nos oferece raízes, segurança e o amor incondicional que agasalha, que sabe ser cálido e que acompanha cada passo que damos.

Agora, cada um de nós dispõe da nossa própria realidade e das nossas próprias experiências. E para muitos, a palavra “família” pode ser de certa forma um rótulo vazio com o qual não se pode criar vínculos representativos.

Por isso, sempre é preferível entender o termo família de uma forma mais ampla. Se no passado você não teve apoio, você tem todo o direito de criar a sua família no presente, incluindo todas as pessoas que lhe ofereçam amor, carinho e a reciprocidade da qual todos precisamos.

Falemos disto agora.

A família como compromisso vital

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Ninguém vem a este mundo sabendo como criar uma família. Na verdade, não são necessários conhecimentos teóricos, e sim vontade, carinho, inteligência emocional e um compromisso vital com aqueles que amamos.

Ser família implica ter um compromisso com as pessoas que amamos, favorecendo o crescimento pessoal de cada um dos seus membros, e contribuindo para que todos possam ser eles mesmos, respeitando as suas diferenças.
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Ser família não é algo rígido. As famílias são entidades em contínua evolução e transformação, e isso, às vezes, também implica uma ameaça para muitos dos seus componentes que não aceitam “tais mudanças”.

  • Mães que não aceitam, por exemplo, que os seus filhos vão amadurecendo e adquirindo competências sendo cada vez mais independentes.
  • Pais que não veem com bons olhos que seus filhos tenham ideias e voz própria, e desejem seguir um caminho diferente do que tinham previsto para eles.
  • Famílias que nunca aceitam a chegada de novos membros como os cônjuges dos filhos, as famílias políticas ou a saída do lar das suas crias.

Poucos organismos são tão dinâmicos e mutantes, e em poucos cenários aparecem tantos problemas, traumas e desilusões como nas famílias.

É neste primeiro cenário social que desenvolvemos dimensões tão básicas como o carinho infantil, onde nos sentimos seguros e reconhecidos para começarmos a explorar o mundo. É aqui também que desenvolvemos o relacionamento de intimidade e reciprocidade, que se não existir, pode causar graves vazios emocionais.

A finalidade de uma família não é apenas assegurar a sobrevivência dos seus membros. É alimentar emoções, é fomentar sonhos, tratar medos, depositar esperança e oferecer confiança sem chantagem nem segundas intenções.
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Se isto não acontecer, ou se for oferecido justamente o contrário, é de pleno direito construir a sua própria família com aqueles que você mesmo escolher.

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A família que eu mesmo escolho

Família também são as pessoas que eu escolho. Nela posso incluir a minha mãe mas não o meu pai, meus irmãos e aquele primo distante que quase não vejo mas que aprecio tanto. Considero família os meus amigos, meu animal de estimação e todo ser que contribua com emoções positivas e um relacionamento significativo.

Não se deve ter preconceito ou dilemas morais por não considerar família a quem lhe fez mal, a quem esteve ausente ou não quis exercer o seu papel. Evite odiar ou guardar rancor, simplesmente avance e crie os seus próprios vínculos significativos.
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– A família autêntica é aquela que o respeita como você é. Com seu gênio, sua voz, suas escolhas pessoais e a sua forma de entender o mundo.

– A sua família verdadeira é a que lhe dá sem pedir nada em troca, porque a reciprocidade não é um jogo de poder, e sim uma balança onde existe reconhecimento e lealdade.

– A minha família não precisa estar comigo a todo momento, mas a levo todos os dias no meu coração porque estamos conectados, porque temos confiança um no outro, porque estamos unidos na proximidade e na distância.

Porque estamos juntos nos momentos ruins, e desfrutamos da nossa cumplicidade nos momentos bons. A minha família é a que eu escolho.

Imagens cortesia de Holly Sierra.

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