Mesmo que feche os olhos, você vai sentir com o coração

· agosto 19, 2017

Mesmo que feche os olhos, você vai sentir com o coração. Lembre-se de que não há ninguém mais cego que aquele que não quer ver. Isso não significa que a dor, a tristeza ou a angústia vão desaparecer como num passe de mágica, não significa que fechar os olhos é suficiente. Não é uma questão de estalar os dedos e fazer tudo mudar. É começar a aceitar que aquilo que nos machuca existe e aprender a enfrentar.

Mesmo que isso assuste, mesmo que você pense que vai sentir o maior medo da sua vida, normalmente nada é tão ruim quanto imaginamos que seria. Um dos nossos maiores monstros é o nosso pensamento catastrofista (esse que alguns alimentam porque acham que dessa forma se protegem das decepções). E contra os nossos maiores monstros nos resta apenas a coragem de enfrentá-los.

Mas, como eu vou enfrentar aquilo de que mais tenho medo? Passo a passo, sendo o primeiro passo admitir nossa própria guerra interna, essa que nega tudo o que nos faz sofrer, essa que repete continuamente que não está acontecendo nada ruim mesmo quando estamos gritando por dentro. Então, uma vez admitido o mal-estar, revelaremos os nossos maiores medos. Com eles desmascarados, estaremos em posição de escolher as melhores armas para enfrentá-los.

O mundo é um lugar hostil para todos, mas somente aqueles que o enfrentam sem medo vivem plenamente suas vidas.

Mulher com cabeça em gaiola

Você vai sentir o peso do mundo em seu coração

No começo você vai sentir o peso do mundo sobre as suas costas ou vai sentir que ao seu redor tudo está sumindo. Mas você vai entender que é preciso apenas dar nome ao pânico ou à depressão que se aninham no seu interior. Uma vez que as coisas têm um nome, os medos se afastam porque você sabe o que está acontecendo e pode pedir ajuda para enfrentar o que considera uma ameaça.

“Temer um nome apenas aumenta o medo da coisa em si.”
-J.K. Rowling-

Colocar um nome naquilo que você sente não implica reduzir sua realidade aos poucos detalhes que cabem em um rótulo. Também não será uma desculpa válida atrás da qual se esconder sempre que errar nem uma definição completa de si mesmo. Será uma parte, uma pequena parte que constitui você, mas que não o define porque você é muito mais do que isso.

Colocar um nome não significa esquecer o contexto em que o problema aparece, os apoio que você possui e seus próprios recursos. Trata-se de uma maneira de delimitar de forma simples um conjunto de emoções, pensamentos e comportamentos que, de outra maneira, seria mais complicado entender.

Isso sim, simplificar também não significa se esquecer de que por trás de cada nome, cada medo, cada monstro, há uma pessoa com suas próprias singularidades. Uma pessoa que sofre e que também é corajosa, uma pessoa que, em primeiro lugar, precisa de apoio e compreensão.

“Não ame o que você é, mas o que você pode se tornar.”
-Miguel de Cervantes-

Mulher se libertando de suas correntes

Não desperdice o seu tempo negando a realidade

Não desperdice o seu tempo negando a realidade. Pense, o que de pior pode acontecer se você decidir admitir o que está acontecendo? O que de pior pode acontecer se você parar de evitar as experiências da vida? No horizonte, para responder a essas perguntas, aparece uma possibilidade: você vai simplesmente começar a viver com toda a intensidade.

Então será nesse momento que vai se abrir na sua frente um mundo cheio de possibilidades, tanto boas quanto ruins.  Isso vai permitir que você se conheça em todos os níveis, que se aceite sem condições. Mas o mais importante é que vai fazer com que você veja que é mais forte do que imaginava.

“O crescimento começa quando começamos a aceitar nossas próprias fraquezas.”
-Jean Vanier-

Você vai sentir medo, mas terá mil e uma armas para enfrentá-lo. Você vai sentir dor, mas também sentirá o amor e o carinho de todos que o rodeiam na intensidade máxima. E você vai perceber que a ditadura que você impõe a si mesmo quando finge viver uma vida sem dor é a que mais mal faz a você mesmo… e faz mal porque nega uma parte da sua realidade.

Lembre-se de que não é mais feliz aquele que sente menos, mas o que melhor reconhece e aceita suas emoções. Está nas suas mãos viver ou se esconder. Está nas suas mãos aceitar o que você sente e enfrentar. O resultado, sempre esperançoso. Uma esperança sua, própria, para que você a compartilhe e contagie quem quiser com o seu coração.