Se você é feliz, você abraça. Se é infeliz, você compra

Se você é feliz, você abraça. Se é infeliz, você compra

24, fevereiro 2017 em Psicologia 2356 Compartilhados
Se você é feliz, você abraça. Se é infeliz, você compra

O problema do consumismo é que ele carrega em si uma promessa mentirosa: se você compra os objetos que deseja, se sente feliz. Essa promessa é baseada em uma ideia que vem sendo promovida após a Segunda Guerra Mundial e que, definitivamente, foi instalada nas bases da nossa sociedade: a felicidade está intimamente relacionada à capacidade de consumo, ou seja, ao dinheiro que você tem disponível para comprar.

Nesse sentido, a felicidade é o resultado de uma compra; se você tem uma televisão mais poderosa, você será mais feliz; ou, se sua roupa for mais cara, você se sentirá mais valioso. E se você compra o carro que acabou de ser lançado, será mais respeitável. O pior de tudo é que isso acaba por ser a verdade, pelo menos em aparência. Isso não acontece porque é mesmo verdade, mas porque quem dá valor a essas ideias faz com que elas sejam verdade.

Em outras palavras, se você acredita que um terno lhe dá mais dignidade, você vai se sentir menos digno quando estiver usando uma roupa simples. Se você sente que a mais recente televisão aumenta suas possibilidades de entretenimento, irá sofrer até não a ter na sala da sua casa, e assim por diante.

De qualquer forma, você percebe que essa forma de pensar é falsa quando já se passou um mês desde que você adquiriu aquilo que pensava que era tão imprescindível e você continua se sentindo aborrecido, infeliz ou sem valor. Então o ciclo volta a se repetir.

A verdade é que os objetos de consumo nos libertam de um grande problema: dar sentido às nossas vidas. Eles nos ajudam a voltar nossos olhos para fora, em vez de explorar dentro de nós mesmos. É mais fácil pensar em como comprar um relógio do que definir se os atos que realizamos têm valor e sentido dentro do mundo.

As compras e a exclusão

A sociedade atual, efetivamente, trata de forma diferente a quem veste roupa de marca ou chega em um automóvel de luxo. É comum que, sem trocar uma palavra e sem saber que tipo de pessoa é, ela seja imediatamente tratada com considerações especiais ou pelo menos com mais atenção. Muitos supõem que temos que nos aproximar daqueles que têm dinheiro e, por sua vez, o dinheiro tornou-se uma garantia de respeito.

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O mesmo ocorre no sentido inverso. Quem tem uma aparência simples é ignorado com maior facilidade. Ele pode até mesmo ter o acesso negado a certos lugares ou ser objeto de piadas pesadas ou de comentários em voz baixa. Todo mundo quer ser tratado com consideração, por isso é fácil cair na armadilha de pensar que para conseguir isso é suficiente (e ao mesmo tempo imprescindível) sair para fazer compras e trocar de roupa.

O malefício deste mecanismo é que ele é muito depreciável. Se você tira a roupa cara, vai se sentir humilhado de novo; se a veste, você recupera o seu valor. O respeito por si mesmo se transforma em um disfarce e depende inteiramente dos outros. Quando você aceita jogar sob esses termos, você aceita entrar em uma lógica de desprezo por si mesmo. Você admite que não tem valor por si mesmo. Este é o perigo.

A felicidade e os abraços

Um dos aspectos mais preocupantes das compras compulsivas é que elas seguem um esquema semelhante ao de qualquer vício. Além disso, elas provavelmente proporcionam um bem-estar semelhante ao que qualquer viciado obtém quando consome a substância da qual é dependente. Proporciona um nível de felicidade que é cada vez menor e que exige cada vez mais compras para aparecer.

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As compras constantes são próprias de pessoas que se sentem infelizes e que experimentam um vazio interior para o qual não encontram alívio. As compras agem como um antídoto temporário para essa sensação de ser insignificante.

Em qualquer caso, a felicidade não está aí. Diversos estudos provam que as situações que proporcionam uma felicidade verdadeira estão mais relacionadas com experiências e menos com objetos. Uma experiência revira o seu mundo interior e te faz sentir mais vivo. As compras, por outro lado, embora também sejam uma experiência, te proporcionam um entusiasmo superficial e passageiro.

Você quase nunca se lembra do momento em que comprou algo, enquanto isso, fica sempre na sua memória e no seu coração a lembrança de um beijo de amor, de uma situação divertida, ou do dia em que lhe deram os parabéns por ter feito um bom trabalho.

O que mais proporciona felicidade é se sentir intimamente vinculado com o mundo e com as outras pessoas. Isso é alcançado participando em projetos da sua comunidade, sendo um membro ativo do casal e da família, compartilhando tempo com os amigos, se interessando pelo mundo em que vive. Em outras palavras, a felicidade é uma consequência de abraçar o mundo e a vida.

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