Por que seus filhos não aceitam um "não" como resposta

Por que seus filhos não aceitam um “não” como resposta

Janeiro 24, 2017 em Psicologia 1490 Compartilhados
Por que seus filhos não aceitam um "não" como resposta

Os filhos nos colocam à prova a toda hora. Eles tentam constantemente desafiar os limites que impomos a eles. Um “não” como resposta não é suficiente para eles, que sempre querem mais de tudo, não interessa o que for. Questionar as regras e nos enfrentar como pais ou educadores é, para eles, um desafio muito emocionante.

Sem dúvidas, uma das tarefas mais esgotadoras de ser pai ou mãe é a luta que enfrentamos para manter os limites bem estabelecidos, fazer com que eles cumpram as regras e mantenham a disciplina. O pior de tudo é que, quanto mais dizemos “não”, mais eles mostram interesse em conseguir o que querem, tentando fazer com que cedamos por conta do cansaço.

“O cachorro disse ao osso: ‘Se você é duro, eu tenho tempo.'”
– Anônimo –

Por que as crianças fazem isso?

As crianças se comportam assim porque precisam experimentar, explorar caminhos para averiguar qual deles funciona para conseguirem o que querem. No fundo, deveríamos nos alegrar por eles se comportarem assim, já que essa é uma forma de demonstrar inconformismo diante do que elas não gostam ou do que não consideram adequado.

Claro que elas não têm idade nem critério para saber o que é ou o que não é adequado, mas pelo menos mostram personalidade e determinação, em vez de submissão.

pai-filho

Mas esse comportamento também é uma forma de resposta que elas usam diante da fraqueza dos pais. Se as crianças detectam alguma inconsistência nas regras ou falta de coerência entre as diferentes pessoas com as quais elas convivem ou que a educam, elas vão tentar tomar partido. Da mesma forma como os advogados fazem nos tribunais, só que as crianças o fazem por pura intuição.

O segredo para manter as coisas em seu lugar é a consistência e a coerência, ou seja, a pessoa deve fazer o que disse que ia fazer, sem mais. Com coerência, os testes de limite são reduzidos ao mínimo, já que as crianças aprendem que as normas estabelecidas mediante as palavras têm uma relação paralela com a realidade.

Reforço da razão variável para nossos filhos

As crianças cujos pais não são firmes tendem a manter os limites e as regras à prova, com as esperança de que os pais desistam disso. Quando as crianças percebem que as regras só são cumpridas às vezes e que o fato de serem cumpridas ou não é uma questão aberta, vão tentar explorar a sorte, insistindo, batendo na mesma tecla, até que a regra seja quebrada.

Os psicólogos chamam este princípio de reforço por razão variável. Imagine um rato empurrando alavanca através da qual ganha comida. Se a alavanca que oferece comida funciona com intervalos fixos, ou seja, previsíveis, o rato vai saber exatamente quando pode conseguir comida. O rato não vai esperar por comida em outros momentos.

Mas se a alavanca der comida em intervalos imprevisíveis (variáveis), o rato não vai saber quando conseguir comida, então vai continuar empurrando na esperança de que a comida venha.

Acontece algo parecido entre as crianças e os limites. Quando a resposta dos pais é uma situação inconsistente e um pouco imprevisível, esta incoerência motiva as crianças a continuar tentando conseguir o que querem, até que consigam a resposta que procuram.

O primeiro passo é superar a incoerência paterna

A inconsistência dos pais costuma acontecem por diversas razões. Um dos motivos pode se dever à falta de atenção e compreensão de seu papel como educadores. Ou seja, os pais não percebem a incoerência em seu próprio comportamento. Isso faz com que a situação se torne cada vez mais complicada, já que os pais são incapazes de compreender sua responsabilidade e sua capacidade de influência diante da situação.

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Outro motivo que explica a incoerência paterna é a preguiça ou o incômodo que surge como consequência. Isso faz com que as consequências sejam variadas em função dos interesses dos pais e que as segundas ou terceiras oportunidades apareçam. Os filhos captam rapidamente este novo padrão e brincam com isso, inclusive enfrentando os pais ou responsáveis, o que leva a uma situação insustentável.

Outra razão que explica a incoerência paterna é que os pais não conseguem seguir em frente com as consequências porque isso está fora de seu controle, seja porque a pessoa encarregada de cuidar de seus filhos não tenta cumprir a disciplina exigida ou porque surge uma consequência inviável.

Considerações finais

Se, como pai ou mãe, você quer que seu filho aceite um não como resposta quando você disser “não” ou disser “chega”, o que você deve fazer é colocar normas claras, conhecidas por todos, e definir muito bem as consequências. Sempre as mesmas e proporcionais: não use as primeiras que vierem a sua cabeça, dedique um tempo para pensar nas opções. Finalmente, você deve seguir constantemente o que disse que faria.

Se o problema da incoerência surge porque nem todas as pessoas responsáveis pelo seu filho são realmente responsáveis, não se desespere. Deixe claro para os seus filhos que algo vai acontecer caso não cumpram as regras, você estando ali no momento ou não. Assuma que, talvez, você também tenha que educar estes adultos irresponsáveis.

Se você assumir seu papel de educador, doa a quem doer, seus filhos o verão como uma referência e você manterá sua autoridade. Se alguém achar ruim – muitos -, não é problema seu. Seu problema é seu filho. Sua obrigação é educá-lo, não fazer suas vontades, não deixar que ele o desrespeite e nem validar suas atitudes erradas e incoerentes.

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