4 filmes sobre a família para curar feridas

No cinema, podemos encontrar situações ou dificuldades semelhantes às que estamos enfrentando e nos inspirar a sair delas. Neste artigo, falaremos sobre alguns filmes que podem nos ajudar.
4 filmes sobre a família para curar feridas

Última atualização: 06 Abril, 2021

O cinema pode nos inspirar a ponto de nos comover e refletir sobre nossos valores, pensamentos e opiniões relacionados a qualquer assunto da vida. Os filmes sobre a família podem ser especialmente reflexivos para nós. Não choramos pelas histórias de muitos personagens que aparecem nos filmes? Em algum momento, não apenas derramamos lágrimas, mas passamos a repensar certos valores éticos e morais no ambiente familiar.

O fato é que o cinema nos mostra tudo isso na forma de histórias que, reais ou não, muitas vezes chegam ao fundo do nosso coração. Cada filme nos manda uma mensagem própria, e talvez, no que diz respeito aos problemas familiares, possamos nos sentir, se possível, ainda mais identificados com as tramas. Isso ocorre porque todos nós viemos de uma família.

De uma forma ou de outra, todos, ou quase todos, crescemos no seio de um núcleo familiar, seja uma família extensa, monoparental, adotiva, sem filhos, etc. A verdade é que assistir a filmes cujo enredo é centrado nesses temas pode chegar ao ponto de ser um bom substituto para uma sessão com um terapeuta, principalmente quando os personagens apresentam algum tipo de problema psicológico.

“A família é um complemento para nós, um complemento maior do que nós, antes de nós e que sobreviverá com o melhor de nós”.
-Alphonse de Lamartine-

Cineterapia para liberar as emoções

Existem muitos benefícios que o gosto pelo cinema pode nos trazer. Podemos englobá-los em um nome: cineterapia. A psicoterapeuta americana Birgit Wolz, que dedica grande parte do seu trabalho a grupos de terapia por meio do cinema, diz:

“A cinetrapia pode ser um catalisador muito poderoso para a cura e o crescimento de qualquer pessoa que esteja aberta a aprender como os filmes nos afetam, desde que os visualizemos com consciência. A cineterapia nos permite usar o efeito de imagens, enredo, música, etc., em filmes em nossa psique para obter uma visão, inspiração, liberação emocional ou alívio, além de uma mudança natural”.
-Birgit Wolz-

Embora a cineterapia seja prescrita por terapeutas, geralmente é autoadministrada. Estar ciente de que os filmes podem mudar a maneira como pensamos, sentimos e, em última análise, lidamos com os desafios da vida pode fazer com que assisti-los seja uma opção inestimável e maravilhosa.

O psicólogo Gary Solomon, autor de dois livros sobre terapia cinematográfica, diz que a ideia é escolher filmes com temas que reflitam os problemas da sua situação atual. Por exemplo, no tratamento de vícios, o especialista recomenda Trainspotting ou Despedida em Las Vegas; para problemas de relacionamento, Uma Linda Mulher ou Harry e Sally – Feitos Um para o Outro; para problemas de homofobia: Beleza Americana.

Filmes sobre a família para aliviar a dor

Pensando nos benefícios da cineterapia, e no que mostrou um estudo realizado pela Universidade de Tecnologia da Flórida, analisamos 4 filmes recomendados que tratam de problemas familiares a partir de uma perspectiva de cura. São 4 filmes sobre a família que pretendem ser o reflexo da própria vida, de circunstâncias particulares que se repetem com frequência.

Crimes do Coração (1986) e O Tiro Que Não Saiu pela Culatra!

Crimes do Coração se concentra em três irmãs que decidem se reunir na casa da mais velha de todas, Lenny, que mora com o avô, responsável pela guarda das três após o suicídio da mãe. Cada uma carrega uma história diferente em sua vida, e o embate entre elas não demora muito para aparecer.

Lenny, a mais velha, é estéril; Meg, uma cantora frustrada à beira de um colapso nervoso, e Babe, a mais jovem, está em liberdade provisória após atirar no marido. Todas elas lutaram e se sentiram muito sozinhas, sem o apoio “aparente” de nenhuma das outras irmãs, dadas às suas “diferenças” de personalidade ou pontos de vista.

Porém, na cena final, as três cercam um enorme bolo de aniversário, um momento muito bonito e nostálgico que reflete a necessidade de saber que, apesar de tudo, elas sempre serão irmãs.

O Tiro Que Não Saiu pela Culatra! é um filme que trata da difícil relação entre os irmãos de uma família. Uma das irmãs é divorciada, com filhos e com um pai ausente; a outra irmã é culta e vegetariana; o irmão tem problemas com o vício em jogos.

O pai dos três, depois de ter vivido sem o amor do seu progenitor, tenta uni-los, às vezes conseguindo, às vezes não. Desta forma, o filme nos mostra as diferentes angústias e conflitos de amor, dúvidas, inquietações, etc., que a paternidade implica numa perspectiva cômica e alegre.

Filmes sobre traumas de infância: Sybil (2007) e As Três Faces de Eva

Sybil Dorsett é uma estudante que é diagnosticada pelo psiquiatra Dr. Atcheson com “histeria feminina”, transtorno mental pelo qual ele a encaminha para a psiquiatra Cornelia Wilbur, que a avalia até que Sybil confessa ter sofrido abusos emocionais, físicos e sexuais por parte de sua mãe.

Com o passar da terapia e após várias sessões de hipnose, Wilbur reconhece na jovem até 16 personalidades diferentes de idades e características distintas. Para que Sybil se cure, é necessário que ela reconheça todas as suas identidades e se reencontre com todas elas.

As Três Faces de Eva foi um antes e um depois na relação entre o cinema e a psicologia. Nele, a atriz Eva White é uma dona de casa tímida que sofre de dores de cabeça, tontura e períodos de amnésia.

Ela começa a ser tratada por um psiquiatra e, com o passar dos dias, desenvolve um transtorno psiquiátrico de dupla personalidade, ou transtorno dissociativo (DPD), já que desenvolveu até três personalidades bem diferentes.

Você já assistiu a algum desses filmes sobre a família? Qual deles é o seu preferido?

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