Fobia de insetos ou entomofobia

23 Novembro, 2020
A fobia de insetos é uma das mais comuns e incapacitantes que existem. Hoje, iremos conhecer sua origem e as opções de intervenção mais eficazes.

Quantas vezes já encontramos uma mosca na cozinha? Certamente não é uma experiência agradável, mas podemos conviver com isso, certo? Agora, imagine uma pessoa que fica paralisada diante dessa mesma situação… sentindo a ansiedade crescer de forma excepcional. O corpo dessas pessoas responde como se tivesse encontrado um leão, em vez de um pequeno animal inofensivo. Este pode ser um dos muitos relatos que acontecem com pessoas que têm fobia de insetos.

Essa situação, apesar de não ser tão comum, pode afetar a qualidade de vida de quem sofre dela de forma notável. Portanto, é importante conhecer algumas das características das fobias e, ao mesmo tempo, entender sua origem e ficar atento às intervenções que se provaram mais eficazes.

O medo de insetos

Definindo as fobias

Uma fobia é um transtorno marcado pela ansiedade, na qual há um temor forte e irracional motivado por elementos que, na verdade, não são uma ameaça. Muitas delas começam a se manifestar na infância e se transportam para a vida adulta. Existem diferentes modelos para explicar como o corpo reage quando uma fobia surge. Aqui, vamos focar em um modelo de três fases que pode explicar a presença da fobia de insetos:

  • Primeira fase: existe uma ativação negativa, dada por um estímulo considerado ameaçador. Mesmo assim, nesta fase, não é produzida nenhuma ação defensiva.
  • Segunda fase: a resposta de paralisia e de atenção focada ganha protagonismo, tudo isso provocado por um estímulo ameaçador de grande intensidade.
  • Terceira fase: neste caso, nosso corpo já apresenta uma defesa ativa, que envolve luta ou fuga. Esta defesa é causada pela presença ou interação com o estímulo que é considerado ameaçador para a pessoa.

Por outro lado, é importante indicar que há reações físicas e psicológicas. No caso das reações físicas, as principais estudadas são as seguintes:

  • Cardiovasculares: aumento da vasoconstrição no sistema nervoso periférico e aumento da frequência cardíaca.
  • Eletrodérmica: esta reação está relacionada principalmente com o suor da pele; portanto, há um aumento das respostas conectivas na pele.
  • Reflexos de defesa: aumento dos reflexos, como do piscar reflexo, da adrenalina no corpo e da frequência respiratória.

Caso a pessoa tenha fobia de insetos, qualquer tipo de inseto pode ativar todas estas respostas.

Fobias específicas: fobia de insetos

Existem múltiplas classificações das fobias e uma das mais aceitas as distingue em três grupos: fobias sociais, agorafobia e fobias simples, específicas e focais. Vamos falar destas duas últimas, já que a fobia de insetos pertence a esses grupos.

Entre as características que devemos levar em conta na fobia de insetos, podemos encontrar:

  • A reação ou resposta com relação aos acontecimentos é desproporcional. Ou seja, a pessoa pode responder de forma exagerada a uma situação que não é, de fato, potencialmente perigosa.
  • Não pode ser raciocinada ou explicada por parte da pessoa.
  • Vai além do controle voluntário.
  • Leva à constante evitação da situação temida.
  • É desadaptativa e persiste ao longo do tempo.

Portanto, a pessoa que sofre esse tipo de fobia pode desenvolver diferentes crenças sobre os insetos. Isso acaba sendo somado à dificuldade criada pela pessoa para enfrentar a situação temida.

Além disso, a pessoa pode fazer uma interpretação exagerada dos sintomas físicos que apresenta quando está em frente ao estímulo – no caso, cara a cara com um inseto.

No caso das fobias relacionadas a animais, elas costumam estar relacionadas com animais específicos, como os insetos. O medo costuma alcançar a máxima intensidade quando os animais encontram-se em movimento. Por outro lado, esta intensidade também costuma crescer mais rápido quando a pessoa não encontra uma forma de escape ou fuga da situação.

Como o cérebro age na fobia de insetos?

Descobriu-se que ocorre uma mudança na atividade cerebral quando a pessoa se encontra diante do seu estímulo fóbico. Entre as pesquisas mais recentes, estão as que usam imagens estruturais e funcionais do cérebro. Nelas, três partes específicas demonstraram protagonismo:

  • Amígdala. Esta parte do cérebro é fundamental nas respostas emocionais e defensivas, ganhando protagonismo principalmente nas respostas diante de ameaças. Da mesma forma, está envolvida na formação de associações de estímulos e reforços. Portanto, na fobia de insetos, há uma hiperativação dessa estrutura, já que ela modula respostas físicas e comportamentais diante dos insetos. Além disso, desencadeia sistemas ativadores do cérebro e aumento dos níveis de vigilância.
  • Ínsula. No caso da fobia de insetos, percebeu-se que há um aumento da atividade da ínsula na presença do estímulo que gera a fobia. Sua função é processar sensações interoceptivas, relacionadas principalmente com situações negativas. Também há uma antecipação diante de estímulos aversivos ou ameaçadores, como é o caso dos insetos nessa fobia.
Terapia para tratar fobias

Como tratar a fobia de insetos?

Existem diversas abordagens para lidar com uma fobia. Aqui, vamos focar nas principais estratégias utilizadas na psicologia. Foram obtidos resultados satisfatórios com o uso da psicologia, tanto a nível comportamental quanto na regulação da atividade cerebral.

Em primeiro lugar, falaremos da dessensibilização sistemática. Ela consiste em um treino que é incompatível com a ansiedade, e um exemplo disso é o treino em relaxamento. Posteriormente, a pessoa vai sendo gradualmente exposta aos insetos, até que a ansiedade diminua ao nível mais baixo possível. Na fobia de insetos, pode haver exposição por meio da imaginação, fotos, realidade virtual ou pessoalmente, ao vivo.

Em segundo lugar, temos as técnicas de exposição. Elas consistem na exposição a insetos ao vivo, na imaginação ou até mesmo em realidade virtual. Aqui, a pessoa vai enfrentando as situações de forma gradual: partindo das que produzem menos ansiedade até as que produzem mais. Para fazer isso, o ponto de partida é uma lista realizada pela própria pessoa, na qual as situações aparecem em ordem e em função do nível de ansiedade que geram nela.

Por último, temos a terapia cognitivo-comportamental. Seu objetivo é mudar diferentes padrões de pensamento relacionados com os insetos. Ela foca em identificar os pensamentos pouco realistas, levando em conta o possível e o provável.

Estas técnicas, e em geral o manejo da fobia de insetos, devem ser guiadas por profissionais. Aqui, nós explicamos tudo de forma muito simples. No entanto, a verdade é que costumam aparecer complicações durante a intervenção, por isso a necessidade de uma pessoa experiente que saiba como lidar com essas situações.

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