Hipomania: sintomas e relação com o transtorno bipolar

09 Novembro, 2020
Para a pessoa com hipomania, não há descanso: sempre há algo para fazer, algo em que pensar... O seu universo interno é acelerado e as suas emoções vão da euforia absoluta à irritabilidade. Qual é a causa desta situação?

Euforia, hiperatividade, transbordamento de energia, incapacidade de dormir ou descansar porque a mente não para de ter ideias, hiperempatia, verborreia excessiva… A hipomania é uma característica importante de um tipo muito específico de transtorno bipolar, porém, o seu diagnóstico não é fácil porque frequentemente o seu comportamento é totalmente funcional e não chama a atenção.

Muitos levam décadas para ter um diagnóstico correto, para ter um nome para o que acontece com eles e que por tanto tempo os fez se sentirem diferentes dos outros. Para quem vive com hipomania, o mundo anda em um ritmo diferente, em um ritmo mais rápido e no qual o descanso físico e mental dificilmente tem lugar. Além disso, é um estado em que as emoções são muito intensas e tudo é perturbador, a tal ponto que muitos acabam se odiando.

Atualmente, sabemos da grande relevância clínica de detectar a hipomania o mais rápido possível, como parte do transtorno bipolar tipo II. Se não o fizermos ou se este estado se confundir com a hiperatividade clássica ou se focarmos apenas na fase de depressão, pode levar a casos extremos.

Vamos conhecer um pouco mais sobre essa situação de constante exaltação.

Rapaz animado tirando foto

Hipomania: o que é e quais são os seus sintomas?

Todos nós experimentamos mudanças de humor, é verdade. Há dias em que nos sentimos mais enérgicos e positivos e outros momentos em que a realidade fica obscurecida. Onde está o limite? Como diferenciar o normal daquele estado que é patológico e requer tratamento específico?

O limite está no impacto que esses estados emocionais e comportamentais têm em nossas vidas. Porém, a complexidade desse fato reside no fato de que, às vezes, “normalizamos” situações que deveriam ser abordadas. Associamos comportamentos a estilos de personalidade, pensando que se tal pessoa age assim, é por causa do seu caráter.

Todas essas dinâmicas aparecem com frequência em pessoas com hipomania. Um exemplo: se um irmão, um melhor amigo ou nosso parceiro nunca descansa do trabalho ou decide correr à noite em vez de dormir, dizemos a nós mesmos que eles “sempre foram assim hiperativos”. Na realidade, o que pode estar por trás dessa situação é um distúrbio psicológico.

O que é a hipomania?

A hipomania é um estado caracterizado por um humor dominado pela efusividade, a exaltação por um dinamismo no qual as emoções são intensas; as ideias não param de surgir e a pessoa mostra uma extroversão muito característica. Por sua vez, surge também a hiperempatia, a capacidade de se conectar com as emoções dos outros e se contagiar com elas.

Agora, algo que certamente pode nos chamar a atenção sobre este termo é o prefixo «hipo». Essa nuance é importante e parece diferenciá-la da clássica “mania”. Nestes casos, o comportamento hipomaníaco é menos extremo do que o da pessoa em uma fase maníaca. Em outras palavras, não há surtos psicóticos e o comportamento geralmente é funcional.

Também é importante observar que a hipomania frequentemente aparece como uma fase característica do transtorno bipolar tipo II.

Quais sintomas apresenta?

Como já dissemos, é comum que a pessoa com hipomania seja totalmente funcional. Mas, o que significa isso? Significa que podemos ter homens e mulheres que não se dão bem apenas no trabalho. Além disso, a sua hiperatividade pode fazer com que sejam altamente criativos, trabalhem mais horas, etc.

Vejamos mais sintomas e manifestações:

  • Estados leves de euforia.
  • Verborreia excessiva: são pessoas que tendem a falar demais, que passam de uma ideia à outra.
  • Eles são muito criativos.
  • Pensamento acelerado.
  • Eles geralmente são impulsivos.
  • Boa autoestima.
  • Eles dormem poucas horas.
  • Apresentam uma atividade que visa atingir objetivos e sucesso social (mais amigos, parceiros, encontros sexuais, sucesso no trabalho…).
  • Problemas de atenção.
Menina ouvindo música com fones

A importância de um diagnóstico correto

A hipomania é uma das fases do transtorno bipolar tipo II. Porém, o seu diagnóstico não é simples. Quando uma pessoa pede ajuda, ela não o faz por causa dessa hiperatividade, por esse estado de euforia. Geralmente, o fazem quando atingem a fase da depressão.

Portanto, o mais comum é que recebam uma atenção voltada exclusivamente para esse transtorno depressivo. Por isso, recomenda-se algo muito simples: é preciso buscar sempre os possíveis sinais de hipomania em quem tem sintomas depressivos.

Além disso, em estudos como os realizados na unidade de psiquiatria do Hospital Puerta de Hierro, em Madrid, recomenda-se a utilização de escalas e instrumentos adequados para favorecer a detecção precoce da hipomania.

Por sua vez, o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) estabelece os seguintes critérios diagnósticos:

  • Mostrar um humor elevado com um aumento perceptível de energia por um período mínimo de 4 dias.
  • Apresentar três ou mais dos seguintes sintomas por um período significativo de tempo:
    • Autoestima elevada.
    • Diminuição da necessidade de sono (sentir-se descansado após poucas horas de sono).
    • Verborreia excessiva.
    • Pensamentos acelerados.
    • Problemas de atenção.
    • Comportamento focado e quase obsessivo em determinados objetivos.
    • Comportamentos irresponsáveis.
  • Além disso, esses comportamentos não devem ser resultado do consumo de substâncias ou efeito de certas drogas.

Como a hipomania é tratada?

A hipomania não é um transtorno por si só, é uma manifestação do transtorno bipolar tipo II. Também é interessante saber que esta é uma das condições psiquiátricas com maiores recursos para o seu tratamento.

Atualmente, temos medicamentos para tratar tanto a hipomania em si quanto as fases da depressão com resultados muito bons. Por outro lado, a psicoterapia também é essencial para desenvolver novas habilidades, gerenciar emoções, pensamentos, e melhorar os relacionamentos.

O mais importante em todos os casos é ter sempre um diagnóstico correto.

  • García-Castillo , Ines. Fernández-Mayo, Lidia. Serra no-Drozdowskyij, Elena (2012) Detección precoz de episodios de hipomanía en pacientes con trastorno afectivo. Revista de Psiquiatría y Salud Mental – Journal of Psychiatry and Mental Health. DOI: 10.1016/j.rpsm.2011.12.002
  • De Dios, C., Goikolea, J.M., Colom, F., et al. (2014). Los trastornos bipolares en las nuevas clasificaciones: DSM-5 y CIE-11. Revista de Psiquiatría y Salud Mental, 7: 179-185.