A incrível história do cérebro de Albert Einstein

· julho 2, 2018

O patologista Thomas Harvey roubou o cérebro de Albert Einstein após sua autópsia em 1955. Depois disso, começou uma história a meio caminho entre a truculência e a curiosidade científica. Eram muitos os que desejavam conhecer o segredo de sua genialidade, enquanto outros não viam aquela usurpação com bons olhos. De qualquer forma, os resultados da análise foram muito reveladores.

A verdade é que poucos relatos de nosso tecido histórico científico são tão inquietantes e fascinantes ao mesmo tempo. Há algo de trágico nessa história, sem dúvida, mas ela também ilustra o singular desejo do ser humano de conhecer a si mesmo. É curioso saber quais são os prós e contras que se escondem nesses cérebros capazes de mudar o mundo em algum aspecto, poderosos em nos fazer descobrir coisas excepcionais.

“Todos os dias sabemos mais e entendemos menos.”
-Albert Einstein-

O pai da relatividade foi um deles. No entanto, Albert Einstein também foi algo mais: um ícone, uma figura da mídia de grande impacto social. Ele sabia disso, e deu orientações muito precisas sobre o que desejava para si mesmo após sua morte. Discrição e privacidade. Queria ser cremado e que suas cinzas fossem espalhadas em um rio. Depois de tudo isso, sua morte poderia ser anunciada para a mídia.

No entanto, algo falhou. Ninguém contou com um fator imprevisível e quase inimaginável: Thomas Harvey. Este patologista ficou com o cérebro de Albert Einstein após sua autópsia. Aconteceu o que o físico carismático jamais desejou: ele se transformou em uma relíquia venerada.

Albert Einstein

O homem que desejava o cérebro de Einstein

Nesta história, se misturam a casualidade e a oportunidade. Einstein morreu aos 76 anos, em 18 de abril de 1955, após a ruptura de um aneurisma da aorta abdominal. Alguns dias depois, foi feita a cremação. Quando a família esperava ver a morte de Albert Einstein publicada na mídia, se surpreenderam ao ler algo muito diferente. O New York Times informava que o cérebro do físico nuclear havia sido retirado do corpo para estudo.

O responsável por tudo isso era um patologista, o Dr. Thomas Harvey. Diz-se que era um grande admirador de Einstein. Também que sua personalidade oscilava entre o desequilíbrio, a introversão mais indescritível e a meticulosidade obsessiva pela ciência. Certamente, ter sido responsável pela autópsia de Einstein foi uma sorte para ele, uma oportunidade que não deixou de aproveitar.

A autópsia e um porão

Ele extraiu o cérebro de Albert Einstein com grande cuidado, o pesou, o dissecou e o colocou em vários frascos. Depois, os colocou em segurança no porão de sua casa. Ele não era neurologista, então seu objetivo era tão simples quanto ambicioso. Queria reunir os melhores especialistas do mundo para estudar em detalhe cada área daquele cérebro, cada fragmento, cada célula. Seu objetivo era publicar os resultados o quanto antes nas revistas mais prestigiadas e adquirir fama mundial.

A história do cérebro de Albert Einstein

No entanto, todas aquelas ansiedades e aspirações do Dr. Harvey foram frustradas. A primeira coisa que aconteceu foi evidente: ele perdeu seu emprego. Foi criticado e punido duramente pela comunidade científica. Sua promissora carreira em Princeton desabou e sua esposa o deixou. Sua ação e o fato assustador de manter um cérebro escondido em um porão não pareciam lógicos.

No entanto, por mais curioso que seja, o único incentivo que teve para avançar com seus negócios veio por parte de Hans Albert, filho de Einstein. Assim, e embora a princípio ele tenha se mostrado afetado e indignado, mais tarde concluiu com algo que, em sua opinião, tinha sua lógica. Einstein sempre defendeu o avanço científico.

Se a análise daquele cérebro serviria de algo para a comunidade científica, a família dava sua aprovação. O trabalho de Thomas Harvey poderia continuar.

Os resultados sobre o estudo do cérebro de Albert Einstein

Os resultados da análise do cérebro de Albert Einstein foram sendo divulgados entre 1975 até a atualidade. Depois da permissão de Hans Albert, o panorama de Harvey mudou. Ele foi inundado com ligações, entrevistas e até mesmo pela fama. Os jornalistas acampavam em seu jardim. A revista Science estava em contato com ele, assim como os melhores neuroanatomistas do mundo.

Os 240 blocos e os 12 conjuntos de 200 slides que Harvey criara ao dividir o cérebro de Albert Einstein começaram a valer a pena.

O que estava por trás do cérebro mais desejado do mundo?

A primeira coisa que chamava a atenção do cérebro de Albert Einstein era seu tamanho. Era menor que o normal.

  • Em 1985 a Universidade da Califórnia, Berkeley, publicou seus resultados. As amostras eram sobre as células gliais. Esses corpos cerebrais atuam como suporte para os neurônios e participam no processamento cerebral da informação. E o que os estudos revelaram? Que Albert Einstein tinha um número menor de células gliais, mas elas eram maiores.
  • Em 1996 a Universidade do Alabama (Birmingham) publicou um artigo sobre o córtex pré-frontal de Einstein. Descobriram que essa parte do cérebro responsável pela cognição espacial e pelo pensamento matemático estava mais desenvolvida.
  • Em 2012 o antropólogo Dean Falk estudou fotos do cérebro de Albert Einstein. O que ele identificou foi incrível. O físico nuclear tinha uma crista a mais em seu lobo frontal médio. Normalmente todos nós temos três, mas Einstein tinha um “extra”. Segundo especialistas, essa área está relacionada ao planejamento e à memória de trabalho.
  • Seus lobos parietais eram assimétricos. Além disso, apresentava o que é conhecido como “o sinal omega” nesta área. Essa característica está relacionada aos músicos que tocam violino e que também são canhotos, como Einstein.
  • Em 2013 o corpo caloso foi examinado. Dean Falk, o antropólogo antes mencionado, descobriu que era mais espesso do que o normal. Isso pode ter proporcionado a Einstein uma melhor comunicação entre seus hemisférios cerebrais.

Cérebro humano

Conclusões

Por mais impressionantes que esses dados possam nos parecer, não podemos deixar de lado um aspecto. Como observado por Terence Hines, um conhecido neurologista, muitos começaram seu trabalho com a ideia de que estavam analisando o cérebro de um “gênio”. Todos se esforçaram para ver quais particularidades excepcionais existiam no cérebro de Albert Einstein.

Agora, como o Dr. Hines aponta, todo cérebro mostra algo de excepcional. Este órgão é o resultado da nossa vida, do que fazemos. Algo tão simples quanto tocar um instrumento ou ter um trabalho criativo reorganiza cada área do cérebro de uma maneira particular.

Assim, se há algo que caracteriza o pai da relatividade foi sua versatilidade. Além de um gênio da física, falava vários idiomas, tocava diferentes instrumentos e, como muitos suspeitam, podia ter inclusive a síndrome de Asperger. Tudo isso esboçou um cérebro singular, pequeno, mas sofisticado e altamente especializado.

Agora, o interesse da comunidade científica está na análise de seu DNA. A veneração e a ânsia experimental pelos restos mortais de Einstein parecem não ter fim.