Os homens que não amavam as princesas

· novembro 26, 2016

Ultimamente o feminismo está na moda, o que é um grande avanço social. No entanto, muitas pessoas ainda não entendem nem aceitam que o feminismo significa igualdade. Os homens que não aceitam o feminismo parecem amar as princesas, enquanto os homens que são feministas não amam as princesas.

Eu também não quero que ela seja uma princesa porque se eu estou sujo por ter me jogado na lama para me divertir, quero que ela fique suja comigo, e não que estrague a diversão apenas para manter a sua imagem. Nem quero que ela seja uma princesa, porque já que eu não depilo as pernas, nem o peito, nem a barba, não tenho o direito de exigir isso dela, nem sequer se eu tomasse a decisão pessoal de fazê-lo.

Também não quero que ela seja uma princesa porque o espelho pela manhã me diz que eu dormi melhor quanto mais despenteado meu cabelo está e, portanto, também quero que seu cabelo amanheça despenteado tanto ou mais do que o meu.

Também não quero que ela seja uma princesa porque eu gosto tanto ou mais do que ela de realizar os afazeres da casa e, embora eu não seja seu modelo a ser seguido nesse aspecto, tampouco ela tem que ser o meu.

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Também não quero que ela seja uma princesa porque eu nunca gostei dos contos de fadas. Sempre fui mais atraído pelas bruxas, não pela sua maldade, mas sim pela sua liberdade na hora de tomar decisões.

Ser sapo de uma “sapesa”

Também não quero que ela seja uma princesa, porque eu não quero ser seu príncipe encantado.

Também não quero que ela seja uma princesa, porque eu não tenho que pagar pelas bebidas nos bares, nem convidar para jantar por costume, nem abrir portas, nem passar frio para parecer um macho, nem ser uma máquina sexual que se baba todo ao ver uns vestidos apertados.

Também não quero que ela seja uma princesa porque eu não tenho que sustentá-la e enchê-la de joias e rosas a cada vez que fica com raiva. Joias e rosas que certamente ela nem queria.

Também não quero que ela seja uma princesa porque eu quero que ela me busque, ou talvez prefira que a gente se encontre sem se buscar.

Também não quero que ela seja uma princesa, desejo que seu físico não seja um objeto de desejo, mas apenas de sua própria aceitação.

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Princesas de sangue vermelho

Não quero que tenha sangue azul ou carregue uma coroa de superioridade falando dos outros pelas costas.

Não quero que ela seja uma princesa, nem que pertença à realeza. Nem eu quero ser o príncipe para cuidar dela e trazer de volta o seu sapatinho de cristal. Nem ter que ir buscá-la em uma limousine para levá-la ao baile quando juntos podemos voar para a eternidade.

Também não quero que ela seja uma princesa porque ela pode não ser uma modelo de passarela, mas é uma modelo como feminista. Meu modelo a ser seguido.

Também não quero que ela seja uma princesa, quero que ela seja se assim desejar ser mas, sobretudo, que seja ela mesma e não o despropósito que a sociedade exige que ela seja.

Eu quero que você me ame ao amar você mesma, e que se nesse amar você se ame assim como você se ama, sem deixar de me amar.